domingo, 18 de agosto de 2019


SALVADOR


Por Douglas Menezes*





Salvador Allende Gossens 
foi um médico e político socialdemocrata chileno.
Governou seu país de 1970 a 1973.
Imag.: Reprodução




Faz trinta anos que essa poesia existe, resgatando a história num brado de doloroso pesar. Pois a Literatura diz da vida como ninguém pode dizer, tudo que se imagina de espiritual ou concreto o fazer literário expressa reinterpretando com sua multiplicidade a saga humana de encontros e desatinos. Na política inclusive. E tanto mais competente quando o panfleto dá lugar à sensibilidade poética, à busca de se fazer justiça a alguém que fez do idealismo sua razão de viver. Assim, a poesia não é feita só de versos, mas de uma iluminação tão própria que abrange a vida como um todo.
A poesia fez isso durante as trevas da América daqui. Poeta não é frágil como se pensa. Corajoso ele gritou contra a escuridão: sofreu, perdeu a vida, viu amigos partindo sem voltar à estação, a negra noite latina a parecer não findar, ele viveu e acreditou no renascer, esperança infinita até os ventos soprarem espalhando a fantasia que se fez possível. Agora, apesar de tudo, menos ruim essa América, cantada, até a noite terminar, em prosa e verso, principalmente em verso.
Na poesia de Natanael Lima, a humanização da política Allende cantado como símbolo, não só de resistência, mas de crença na liberdade de um continente, sempre tratado como casa sem dono, um choro alto a clamar por novos ares: “A tarde silenciou a voz / da liberdade e da justiça. / O canto não resistiu à tristeza. / E partiu sem glórias e honras. / O golpe tingiu de sangue / a pátria e a resistência de um povo: / salva-nos dessa dor, / Salvador Allende".
Talvez tão velha pelos trinta anos, essa poesia, talvez tão nova pelo alerta às gerações para que nunca mais aconteça de novo o retorno desse medo a deixar feridas difíceis de cicatrizar nessa América, inda agora, a continuar buscando seu encontro com uma verdade que a humanidade necessita abraçar: um mundo sem fronteiras, prosperidade e justiça social.
Cabo de Santo Agostinho, 8 de maio de 2017.


*Douglas Menezes nasceu no Cabo de Santo Agostinho. Formado em Letras pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) e em Comunicação Social  pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É pós-graduado em Literatura Brasileira e Produção Textual. É membro fundador da Academia Cabense de Letras (ACL). Publicou as seguintes obras: “Crônica do Silêncio”, “O Último Ritual”, “Lua de Pedra”, “Voo para a Ternura”, “Cidade do Cabo de Santo Agostinho, uma Declaração de Amor”, “Análise Sintática”, “A Intratextualidade em Graciliano Ramos”, Redação Essencial”, “Graciliano Ramos, o Cidadão Escritor”, “Literatura para o Vestibular” e “Uma canção, por favor”, o seu mais recente livro de crônicas. Participou de algumas coletâneas. Ocupou vários cargos públicos em sua cidade, incluindo Secretário de Cultura. É professor da Rede Estadual e da Rede Particular. 





TOP SÉRIE DCP: OS MAIORES CLÁSSICOS DA LITERATURA MUNDIAL


Por Natanael Lima Jr.



Imag.: Reprodução


Como sugestão de leitura indico mais um clássico da literatura mundial: Guerra e Paz, de Liev Tolstói (1869), considerado um dos maiores romances da história.

 “Ambientado na Rússia do início do século XIX, o romance lida com temas essenciais à vida contemporânea: a guerra e a paz. Tolstói narra as guerras entre o imperador francês Napoleão e as principais monarquias da Europa, dissecando causas, origens e consequências dos conflitos e, principalmente, expondo os homens e suas fraquezas. Com centenas de personagens e mais de mil páginas na versão original. O enredo deste clássico da literatura russa se passa durante a campanha de Napoleão na Áustria, e descreve a invasão da Rússia pelo exército francês e a sua retirada, compreendendo o período de 1805 a 1820. O jogo da política, as intrigas da corte, as tramas da sociedade, as táticas da nobreza arruinada, a brutalidade da guerra, sua banalidade e seus acasos. Os bastidores do poder são desvendados em Guerra e paz. Este painel da aristocracia russa só é tão profundo e verdadeiro porque foi escrito por alguém de dentro dela. As duas principais famílias retratadas — Rostov e Bolkonski — representam as famílias Tolstói e Volkonski, respectivamente do pai e da mãe do autor. A obra retrata ainda o preconceito e a hipocrisia da nobreza, e também suas tradições religiosas, ao lado da vida cotidiana dos soldados e dos servos.”
*Fonte: revistabula.com



*Natanael Lima Jr. é poeta e editor do DCP e da Imagética Edições.








domingo, 11 de agosto de 2019


PASSAMENTO AO MEU PAI, SONETO DE JOSÉ LUIZ MÉLO



Neste dia especial dedicado aos pais, o DCP presta esta homenagem a todos os nossos verdadeiros amigos, confidentes e conselheiros, através do belo e vigoroso soneto do poeta-amigo José Luiz Mélo, “Passamento ao meu pai”.




Foto: Reprodução





PASSAMENTO AO MEU PAI
“paraíso que chega ao pensamento”.
José Luiz Mélo*, 15/05/2019

Me chega pelo vento um cheiro estranho:
É um perfume ardoso e nevoento,
seu n
úbil tingimento, cor de estanho,
desenha uma sutil rosa dos ventos.
Vem com delicadeza este rebanho
de duendes de fumaça. Fragmentos
de fumo e outros odores. Um estranho
paraíso que chega ao pensamento.
Mas, de onde vem, com a delicadeza
de punhais de mulher, e a sutileza
da leveza serena do aqueduto.
Então, claudica o tempo, o movimento,
o enguiço derradeiro, o passamento:
— O rosto do meu pai, o seu charuto!

*José Luiz Mélo nasceu em Jaboatão dos Guararapes (PE), em 1941. Componente da Geração 65 de escritores pernambucanos, integrou com Jaci Bezerra, Domingos Alexandre e Alberto da Cunha Melo o Grupo de Jaboatão. Autor de uma poesia belissimamente descontente, publicou alguns poemas no Diário de Pernambuco em 1966, sob a égide do professor, crítico literário e poeta César Leal. Em 1981, publicou o livro de poemas “Proibições e Impedimentos”, pela Edições Pirata. Em 2016 publicou o “Primeiro Livro dos Sonetos, dos primeiros aos penúltimos...”, pela Editora Novoestilo, Edições do Autor. Em 2018, publicou o seu mais recente livro “Segundo Livro dos Sonetos, os penúltimos...” e em algum tempo, no futuro, para complementar a trilogia, publicará o “Terceiro Livro dos Sonetos, os derradeiros...”.





TOP SÉRIE DCP: OS MAIORES CLÁSSICOS DA LITERATURA MUNDIAL



Por sugestão de um leitor-amigo, que nos solicitou reserva de não divulgar o seu nome, acatamos a sua lúcida e criativa sugestão de criarmos uma “coluna” neste site, com o objetivo de divulgar e estimular à leitura dos clássicos da literatura mundial, independentemente do gênero, período ou país em que foi escrito a obra. Convidaremos vários escritores, críticos literários e amantes dos livros para indicarem democraticamente suas preferências. Certamente, os livros que serão indicados, se não são unanimidades entre as opiniões dos nossos colaboradores (e possivelmente não serão entre os leitores), são referências incontestes da grandeza e importância da literatura para a humanidade. Nesta estreia indicamos a leitura do clássico DOM QUIXOTE, de Miguel de Cervantes (1605).





*“Dom Quixote de La Mancha não tem outros inimigos além dos que povoam sua mente enlouquecida. Seu cavalo não é um alazão imponente, seu escudeiro é um simples camponês da vizinhança e ele próprio foi ordenado cavaleiro por um estalajadeiro. Para completar, o narrador da história afirma se tratar de um relato de segunda mão, escrito pelo historiador árabe Cide Hamete Benengeli, e que seu trabalho se resume a compilar informações. Não é preciso avançar muito na leitura para perceber que ‘Dom Quixote’ é bem diferente das novelas de cavalaria tradicionais — um gênero muito cultuado na Espanha do início do século 17, apesar de tratar de uma instituição que já não existia havia muito tempo. A história do fidalgo que perde o juízo e parte pelo país para lutar em nome da justiça contém elementos que iriam dar início à tradição do romance moderno — como o humor, as digressões e reflexões de toda ordem, a oralidade nas falas, a metalinguagem — e marcariam o fim da Idade Média na literatura.”

*Fonte: revistabula.com





AS CANÇÕES DE NATANAEL LIMA



Publicado em 05/08/2019 por Revista algomais às 16:58

Por Paulo Caldas*









Poesia trabalhada com afinco, ancorada na rigorosa busca do esmero, é a tônica deste Ensaio sobre a canção árida (produzido pela Imagética Edições, com diagramação e capa de Erivaldo Passos e impressão da Luci Artes Gráficas), recente lançamento do poeta Natanael Lima Júnior.

No dizer da conceituada Maria de Lourdes Hortas, dona de uma obra poética admirável, que prefacia estas canções, Natanael está consciente do seu mundo e do seu tempo, e nos apresenta a exaustiva resistência na certeza de que, enquanto o amanhã houver, a poesia viverá.

As virtudes do livro também residem na amplitude dos temas que transitam com fluidez entre a universalidade e o intimismo. A mesma virtude é sentida nos aspectos de natureza estética, com a presença de versos livres, vigorosos, tal no Pós-Modernismo, que permeiam os poemas como “Metáfora abissal”, por exemplo, temperado com o artifício sonoro e rítmico das proparoxítonas:

“O poeta é um réptil,
que rasteja no deserto
àrido da palavra.
Habita pântanos,
criptas e fontes insípidas,
à cata da metáfora abissal”.

Noutro momento, o autor exibe sua capacidade de síntese e se aproxima da aliteração/assonância, quando escreve:

“Nada me assombra
além da sombra vadia.
Nada me deslumbra
além da penumbra vazia”.

Projetado sobre um sexteto de canções que evoluem sob “o labor poético de Natanael kafkiano”, conforme define o professor Neilton Limeira numa das orelhas do livro, as canções de Natanael devem ser entoadas por tantos e quantos bardos e leitores cativos da arte do bem escrever.







*Paulo Caldas é escritor




  • a literatura em sua rede

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    desde 2011


Editor-Fundador Natanael Lima Jr