domingo, 14 de setembro de 2014

ENTREVISTA COM O AGENTE LITERÁRIO LÍVIO MEIRELES CAPELETO

Lívio Meireles Capeleto, Diretor Executivo da CASA
Agenciamento Literário e Projetos Culturais


O DCP traz nesta edição entrevista exclusiva com Lívio Meireles Capeleto, Diretor Executivo da CASA Agenciamento Literário e Projetos Culturais. Nesta entrevista Lívio fala sobre a importância e as atividades desenvolvidas pelo Agente Literário, bem como os serviços oferecidos pelo Agenciamento.

Lívio Meireles Capeleto é jornalista e radialista de formação com Pós Graduação e MBA em Marketing. Atuou como gestor de comunicação e marketing das Livrarias Saraiva e Siciliano, Diretor Executivo da Editora Carpe Diem e Coordenador da Feira Internacional do Livro de PE na Fliporto – Festa Literária Internacional de Pernambuco. Atualmente trabalha como o 1º agente literário do Nordeste e produtor cultural na área literária com a CASA Agenciamento Literário e Projetos Culturais sediada em Recife/PE e com representantes em Fortaleza, Salvador e João Pessoa.


DCP - Por que o escritor precisa de um Agente Literário?

LMC - Ele precisa de alguém que o ajude nas questões burocráticas, comerciais e de comunicação e marketing. Hoje temos um grande problema:  um autor é antes de tudo um autor e não um homem de negócios, um executivo do mercado literário ou um RP de si mesmo. No momento de assinatura de um contrato devemos pensar e analisar para onde vamos, com quem vamos e qual o caminho que seguiremos. Muitos autores esquecem estes pontos importantes justamente por que o foco do autor não deve ser essa avaliação: um autor deve estar livre para escrever, para produzir e após isso poder estar tranquilo para se relacionar com o seu público-leitor. Como fazer isso e cuidar de todo o macro ambiente que o envolve? É impossível! O agente tenta minimizar os possíveis erros dividindo as responsabilidades de gestão da carreira do autor.


DCP - Quais as principais atividades que são desenvolvidas pelo Agente Literário?

LMC - Basicamente um agente literário deve desenvolver UMA principal atividade: Tentar de todas as formas fazer com que o autor que ele representa erre menos ou não erre ao assinar um contrato com uma editora! Deixo bem claro e de maneira objetiva que não estou aqui colocando na berlinda as editoras ou mesmo os autores! Não seria justo nem honesto de minha parte! Os dois são o que move a cadeia editorial, porém sempre precisamos estar atentos, pois um contrato deve ter um equilíbrio entre direitos e deveres! Além desta atividade principal tudo que se relaciona ao autor e sua produção literária deve ser levada em conta como atividades do agente: Como está a obra do autor? Quais os livros editados? Quais estão fora de catálogo? Quais precisam de reedições? Existem contratos com editoras? Quais?  Onde os livros estão sendo vendidos? Como estão as vendas? Como está o feedback e prestação de contas da editora com esse autor?  Existem edições produzidas diretamente pelo autor? Como estão sendo distribuídos? Existem eventos literários onde um determinado autor do escritório se encaixa? (Podemos sugestionar os curadores com o nome do autor) Como está o relacionamento entre o autor e seu público-leitor? E com os jornalistas e críticos da área literária.


DCP - Serão oferecidos outros serviços além de Agenciamento Literário?

LMC - Além do próprio ato de representar autores junto a editoras, editores, livreiros, distribuidores, curadores de festas e encontros literários espalhados pelo Brasil e América Latina a CASA ainda apresenta os seguintes serviços aos autores: Consultoria, Produção e elaboração de Projetos Culturais na área literária para organismos públicos, privados e do terceiro setor; Leitura Crítica de textos; Assessoria de Imprensa especializada para lançamentos; Consultoria em Curadoria e Planejamento de produção para Bienais, Congressos, Festas e Encontros Literários; Agenciamento de Ilustradores para projetos literários; Representação de autores e obras no processo de transposição de seus textos e/ou sua obra para projetos na área teatral, musical, vídeo e foto e online.


DCP - Existe algum diferencial da CASA Agenciamento Literário para os demais escritórios de agenciamento no país?

LMC - Na realidade temos bons diferenciais que exponho agora para os leitores do DOMINGO COM POESIA: Preocupação com a distribuição do livro/livros dos autores associados ao escritório: É fato que um dos maiores problemas para quem edita livros no Nordeste é o fator distribuição. Nós da CASA Agenciamento Literário nos debruçamos e analisamos o problema dos vários pontos de vista (autor, editora, distribuidor, varejista, leitor) e entendemos as demandas e as particularidades do processo de distribuição de um livro e temos hoje a melhor experiência e prioritariamente devo deixar anotado que tenho o maior respeito pelos grandes agenciadores do mercado brasileiro. Gente com grande experiência que abriu caminho e rompeu paradigmas trazendo um verdadeiro amadurecimento ao mercado literário e as relações entre autor, editoras e público-leitor e ajudou muito na construção de uma melhor imagem do que produzimos no campo da literatura, imagem essa vista hoje, com bons olhos tanto pelos nossos pares do mercado brasileiro e sul-americano quanto pelo mercado internacional. Mas a CASA hoje têm uma visão que vai além disso! Existe um mundo novo para o autor se relacionar que se chama internet! Ninguém fala nisso e aí que temos um grande diferencial: Somos especialistas em análise das mídias sociais e isso se tornou vital para um autor se colocar para o seu público! Mas como esse autor deve dialogar nas redes sociais? Como ampliar e utilizar de maneira correta as mídias sociais para um maior diálogo com o seu público? Sim, não adianta pensarmos ao contrário! O público leitor está nas redes sociais e as utiliza cada vez mais e o autor deve saber dialogar neste ambiente! Como fazer isso? Nós da CASA Agenciamento Literário sabemos como! Este é, ao meu ver, o grande diferencial entre os agentes que hoje estão no mercado e a CASA.


DCP - Como os autores podem entrar em contato com o seu escritório de Agenciamento Literário?

LMC - Através dos vários canais de comunicação da empresa tais como:
Fones: 81. 92097858/ 95770757/Email:livioprojetosculturais@gmail.com
Facebook:https://www.facebook.com/CASAAgenciamentoLiterarioeProjetosCulturais?fref=ts






O CONTO DA SEMANA

Lição a Pedro, de Douglas Menezes*

Img:reprodução

Não adianta adiar a vida, Pedro. Nem fazer poupança pra comprar remédio na velhice, pois nela você vai estar a meio pau de qualquer jeito, isto se nela chegar. Viverá remoendo o que deixou de realizar, tempo esquecido de você. Lembrará na angústia da soledade a canção já distante: “Pela última vida, poucos amigos hão de te procurar”. O momento do juízo final, onde a soma irá ter sempre como resultado a diminuição do que foi e do que deveria ter sido. Daí aparecer a dor maior: a de ir embora sem ter coberto a existência com o que valeria a pena. O beijo não dado, a ousadia ausente, o abraço suspenso no ar, quase ato consumado. A amizade negada por pura birra, orgulho sem prazo de validade.

Não adiante, Pedro, olhar os filhos crescerem a distância, apenas porque uns trocados a mais engordaram o dinheiro guardado. Você não sabe de nada. Não jogou futebol com o filho, nem foi seu confidente na primeira crise adolescente. Não discutiu as aventuras do filme que bombou, nem a final do campeonato, pois você estava longe. Sabe de nada, Pedro. Você não viu a menina ficando moça, as horas no espelho, querendo ouvir seu elogio: pai deve ser o primeiro homem a notar. Não viu, Pedro, sua filha virar mulher: não poderia diminuir um pouco o salário, existência miserável.

Você leu tanto, Pedro, ouviu muita música, e não aprendeu. Lembrar Paulinho da Viola é preciso: “Tenho pena daqueles / Que se arrastam até o chão / Enganando a si mesmo por dinheiro ou posição”. Pois é Pedro, entrou num ouvido e saiu pelo outro. Uma vida só amealhando coisas, fazendo cálculos que não resultaram na felicidade desejada. Terrenos e mais terrenos, um mouro no trabalho, abdicando da brisa ao vento, ou da paisagem que enche os olhos além.

Você não aprendeu, Pedro, a lição do artista, cujo final sintetiza o tempo que passa, a par de cal derradeira, o desperdício de amesquinhar o lado bom e exagerado da vida, consagrado nos momentos improvisados. Sim, Pedro, inútil o arrependimento agora. Sozinho nesta casa, tão grande quanto vazia, a relembrar, insistentemente, a canção popular, a dizer num arremate singelo: “Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão”.

Você foi mau aluno, Pedro, deixou de aprender a lição maior, aquela que aprova com louvor e distinção, na escola da existência: a de viver a vida, vivendo.

11 de setembro de 2014


*Douglas Menezes é escritor, professor de língua portuguesa, pós-graduado em Literatura Brasileira e em Leitura, Compreensão e Produção Textual pela UFPE, membro da Academia Cabense de Letras  



PANORAMA LITERÁRIO

Os desastres da guerra

Novo livro de Ferreira Gullar sai ainda este ano

Ferreira Gullar/Foto: reprodução

A coluna ‘Panorama Literário’ adianta que vai se chamar Os desastres da guerra o novo livro de Ferreira Gullar, que será lançado ainda este ano. Com poemas e colagens que o autor faz com envelopes das correspondências que recebe, o livro tem título inspirado na série homônima de gravuras de Goya — pintor que Gullar adora. “Meu livro fala sobre bichos, é uma brincadeira, não tem a dramaticidade da guerra”, diz o poeta. A coluna adianta ainda que a eleição de Ferreira Gullar, único candidato à vaga de Ivan Junqueira na ABL, será dia 9 de outubro.



Meu querido canibal, de Antonio Torres

O autor constrói relato biográfico sobre o índio brasileiro


Os primeiros habitantes do Brasil acabam de ganhar uma obra que faz jus a sua coragem e seus valores. Meu Querido Canibal (Record, 192 págs., R$ 20), de Antônio Torres, relato sobre as primeiras décadas de 1500, introduz os brasileiros no universo mágico do líder indígena Cunhambebe – provavelmente, nosso maior guerreiro de todos os tempos. Temido e adorado, Cunhambebe foi o mais valente dos índios que lutaram contra a “escravidão ou morte” imposta pelos portugueses na época do Descobrimento. Um livro perfeito para professores de literatura, artes e história realizarem um trabalho conjunto, excelente para ser dramatizado.



Coletânea de Poetas Cabenses


A Bagaço e a Academia Cabense de Letras – ACL promoveram o lançamento da "Coletânea de Poetas Cabenses", numa noite de festa da literatura pernambucana, na última quinta (11/09), nos jardins da APL. Vários poetas cabenses com projeção no estado e nacional participam da Coletânea, entre eles: Mário Hélio, Ivan Marinho, Natanael Lima Jr, Douglas Menezes, Frederico Menezes, Eugênio Carvalho, e os já consagrados: Celina de Holanda, Zeca Plech, Theo Silva, Gabriel Dourado, entre outros nomes. A Coletânea é dedicada à memória do poeta e presidente de honra da ACL, Antonino Oliveira Júnior e organização da acadêmica Tereza Soares.



Concurso público nacional para professores na França terá livros de autores brasileiros

O premiado Eles eram muitos cavalos,
de Luiz Ruffato


O Ministério da Educação da França elegeu três títulos brasileiros para integrar a lista de leitura obrigatória em concurso público nacional para professores de português. O premiado livro Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato, está na relação. Ao lado de Ruffato, estão outros dois grandes nomes da literatura brasileira: Machado de Assis, com Memórias Póstumas de Brás Cubas, e Rubem Fonseca, com Romance Negro e Outras Histórias.



ABL lança VOLP em aplicativo para tablets e celulares*

O acesso ao app é gratuito


A Academia Brasileira de Letras (ABL) acaba de lançar o aplicativo do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) para tablets e celulares. O usuário, que pode baixar o app gratuitamente na App Store ou no Google Play, poderá fazer consultas aos 381 mil verbetes descritos no VOLP. “A tendência do mundo é a composição entre o que é impresso e o que é digitalizado e disponibilizado através dos serviços da Internet. A popularização dos iPads, celulares, e de todos os novos veículos de comunicação é inevitável,  e a Academia, com o aplicativo, poderá prestar serviço a um número cada vez maior de usuários, especialmente os estudantes”, afirma  o presidente da ABL, Acadêmico Geraldo Holanda Cavalcanti. 

*Fonte: PublishNews






domingo, 7 de setembro de 2014

A VULGARIZAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Publicado em obvious por Alexandre Coslei*

No mundo atual, onde a nova ordem é o consumo, os editores se comportam como gerentes de contas e forçam a literatura a deixar de ser arte para se transformar numa grande feira. Os livros não são vendidos a preço de banana, mas passam a ser expostos como produtos vulgares, com capas atraentes aos olhos, mas de conteúdo duvidoso. Nem autores clássicos, como Machado de Assis, escapam à sanha do lucro e recebem "traduções" suspeitas na intenção de se tornarem populares. Ou seja, o mercado editorial subestima seus leitores e nivela a cultura por baixo.

Machado de Assis/Foto:Reprodução


Recentemente discutiu-se tanto a popularização dos textos de Machado de Assis que quase alcançamos um tom clichê. A ideia de reimprimir a obra de Machado objetivando a imposição de um vocabulário simplório, que esteja ao alcance do público menos letrado, é somente um reflexo de uma literatura contemporânea açoitada pelas mãos de editoras que escolheram transformar a arte em cifras lucrativas. Recentemente, a escritora Nélida Piñon afirmou que hoje publicam o que vende, e não mais a literatura que fica. Está corretíssima. E qual a literatura que demonstra capacidade de mercadoria no Brasil? São os livros sobre vampiros brasileiros, ficções medievais encarnadas por anjos e demônios, violência sádica e caricata e romances sobre nada que correm centenas de páginas descrevendo litorais e personagens sem sal.

O que surpreende é a complacência cúmplice de muitos críticos com a subliteratura e uma raiva revanchista contra quem imagina poder atualizar um clássico literário. O Word, a Internet e o analfabetismo funcional do Brasil abriram espaço para pretensos escritores que produzem em ritmo industrial, mas pouco se importam com estética, pois estão voltados para os quinze minutos de fama e buscam o eldorado que os tornem best-sellers. Às vezes, contam com competentes empresários que abrem as portas da mídia e transformam o que é oco em celebridade, pois no mercado atual é a celebridade que vende. Tal realidade nos remete ao arquétipo explicitado no filme "Muito além do jardim ", onde até um suspiro do acéfalo personagem Chance (Peter Sellers) era interpretado como genial.

Por que hostilizar a tradução populista de Machado e ignorar os nichos literários criados compostos de livros caricatos, lançados para conquistar jovens e limitados leitores? Essa é uma discussão que poderia ganhar amplitude inteligente e está se resumindo a um debate provinciano.

Toda literatura é válida, mas as que devem ganhar visibilidade são aquelas que os editores compreendem como comerciais. É assim que se configura o presente mercado editorial brasileiro. O autor a ser valorizado é o que se comporta como um bom gerente de contas e cumpre boas metas de venda com o seu produto. É esse o autor que as editoras inserem na mídia, para eles negociam a condescendência de uma parte da crítica e a partir deles criam a farsa do merchandising.

Numa nação de leitores toscos, Machado de Assis precisa ser reescrito para vender e os autores de sucesso desfilam a face mais pueril de uma literatura vulgar em programas de entrevistas e nos cadernos culturais dos nossos periódicos. Talvez, tenha sido por isso que o nosso Machado elaborou aquela sentença magnífica de Brás Cubas, um ato profético:

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.

Assim, nossos clássicos vão ficando sem herdeiros e, pelo visto, se transformando em hieróglifos a serem decifrados.

 
*Alexandre Coslei é jornalista carioca, agregando formação em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista da obvious




POEMAS DA SEMANA

Poemas de Ivan Marinho, Raimundo de Moraes, Miró, Cícero Melo e Antonio de Campos


ELO*
Ivan Marinho

As lembranças,
não dos sonhos,
mas da sensação de sonhar
alentam o estado de pedra
exposta ao sol mais causticante
e traz às narinas o suspiro
e o descanso das pálpebras
sobre a face iluminada
por um riso sonolento.
Estado de graça
embalado por chorinhos,
cheiro de terra molhada
e pingos sobre as telhas.
Como cão farejador
rastreio o elo perdido
entre o desengano e a vontade de viver.
Sina malograda
esse tempo de morrer.

*Transcrito do livro Anti-horário, 2000



O DESEJO*
Raimundo de Moraes

Quantas vezes o Tigre
fez-me domado
com patas sobre o peito e garganta
– boca aberta babando em meu rosto?
Não sei. Não sei.
Lembro amores em variados bíceps
corpos em arco a disparar serpentes.
O Tigre acossa-me. Vejo!
Sou seu espelho.
“Narciso” – escreve com garras
em meu ventre.
E começa a lamber
o que me resta.

*Transcrito de Lire en ligne Poemas Homoeróticos Escolhidos



AQUI JAZZ*
Miró

Abro a porta de mim
dou de cara
com um cheiro de álcool insuportável
toco fogo e saio andando
cinzas de Luna e Espinhara
deixam meus cabelos brancos
e o fígado pedindo calma

Ando mais um pouco
e encontro no sofá antigo
os 82 anos de Dona Joaquina
sento meus 46 anos
e vou folheando um álbum cheio de retratos
(descubro que eu não era assim)
e assim
toco fogo no álbum
fecho a porta
e saio de soslaio
pra não ser pego de surpresa
pelos cacos de cerveja

*Transcrito de Miró até agora, 2013



ECLIPSE
Cícero Melo

Ultrapassado o ponto de retorno,
outro rosto se purga no soturno
redesenhar do morto.

 Amargo o anoitecer para o expurgo.
A face turva e posta a farsa espelha
o dessangrar da faca.

O lobo oculta o lar enquanto sombra.
Há sempre mais um ponto no repouso
onde se tomba.



QUANDO MORRE UM POETA, O MUNDO MORRE UM POUCO, TAMBÉM
Antonio de Campos

        à memória de Nivaldo Lemos

Como poeta,
na vida foste um sobrevivente,
também
à morte sobreviverás

Ainda estás comigo pelos bares,
tomando cervejas
e contanto tuas histórias
que ao espírito, como luva, me desciam

Finda a noite,
feito um menino grande,
voltava pra casa com inveja
de tua coragem

Muito mais coragem
tens agora,
muito mais agora,
invejo-te eu

agosto 28, 2014



PANORAMA LITERÁRIO

Festa Literária Internacional do Ipojuca


Vai começar a Festa Literária Internacional do Ipojuca – FLIPO 2014. O evento será realizado de 11 a 13 de setembro na badalada praia de Porto de Galinhas, localizada no município do Ipojuca. A FLIPO reconfigura Território da Palavra e desloca Palco Principal. Com a nova configuração do Território da Palavra, o Congresso Literário da FLIPO será realizado no centro de convenções do restaurante Muru Muru, que, também, abrigará a área VIP, a galeria Art/FLIPO e a Plataforma de lançamentos. Juntamente com a Tribuna da Arte, o Palco Mágico 'Espaço do faz de conta' funcionará na Praça das Piscinas naturais e a 'Alameda dos Livros' estará à disposição do público no Calçadão da Rua Esperança. Confira aqui a programação completa: https://www.facebook.com/download/826521784047148/FLIPO%202014%20PROGRAMA%C3%87%C3%83O.pdf



Ivan Marinho lança Sortilégio Possível


A Academia Pernambucana de Letras – APL e as Edições Bagaço convidam para um encontro especial entre escritores e leitores no lançamento do livro

Sortilégio Possível
de Ivan Marinho

Serviço:

Dia: 11 de setembro de 2014 (quinta-feira)
Hora: a partir das 19h
Local: Jardins da Academia Pernambucana de Letras – Av. Rui Barbosa, 1596 – Graças – Recife – PE

*Na ocasião será homenageada a escritora e acadêmica Luzilá Gonçalves



Coletânea de Poetas Cabenses


A Academia Pernambucana de Letras – APL, a Academia Cabense de Letras – ACL e as Edições Bagaço convidam para um encontro especial entre escritores e leitores no lançamento da Coletânea de Poetas Cabenses.

Serviço:

Dia: 11 de setembro de 2014 (quinta-feira)
Hora: a partir das 19h
Local: Jardins da Academia Pernambucana de Letras – Av. Rui Barbosa, 1596 – Graças – Recife – PE



Os pernambucanos Samarone Lima e Marcelino Freire vencem Prêmio Literário da Biblioteca Nacional

Prêmio em dinheiro, que ano passado era de R$ 12.500, será de R$ 30 mil para cada categoria

Samarone Lima e Marcelino Freire vencem Prêmio Literário da
Biblioteca Nacional/Foto:Divulgação

“Nossos ossos” (Record), romance de Marcelino Freire, ganha o Prêmio Machado de Assis e “O aquário desenterrado” (Confraria do Vento), de Samarone Lima, o Alphonsus de Guimaraens, de melhor livro de poesia do ano, estão entre os vencedores do Prêmio Literário da Biblioteca Nacional de 2014. Este ano, o prêmio em dinheiro de cada laureado mais que dobrou de valor. Ele passou de R$ 12.500 para R$ 30 mil para cada categoria.



domingo, 31 de agosto de 2014

A CRÍTICA PROSTITUÍDA – A LITERATURA COMO UM MERCADO PAGÃO

Publicado em obvious por Alexandre Coslei*

Nos novos tempos da globalização, livros são produzidos em ritmo industrial. O marketing substituiu os bons critérios críticos, resenhistas alugam seus serviços para promover autores de qualidade duvidosa. A imagem se sobrepõe ao conteúdo. Difundem-se, como ervas daninhas, cursos que prometem fazer de você um best-seller e coachings que formam escritores pasteurizados. A morte da crítica especializada criou o território do caos na literatura, uma Sodoma e Gomorra onde prevalece o poder do dinheiro. Definitivamente, prostituíram as nossas Letras.

Img: Reprodução


 “O crítico literário é um homem que sabe ler e que ensina os outros a ler.”
 -Charles Augustin Saint-Beuve-

Um crítico apurado, talvez, não considerasse de bom tom iniciar o artigo com uma citação que beira o clichê. No entanto, em nosso caos cultural, mergulhados na profusão de títulos que são lançados diariamente às livrarias, nem assustaria vermos alguns livros com o carimbo “made in china”. Sim, a Internet e o Word produzem escritores em escala industrial e quase sempre sem controle de qualidade. Junto com o fenômeno da multiplicação dos livros, surgiram os messias e as oficinas literárias que prometem formar os novos best-sellers do século. A literatura se tornou um mercado pagão.

Ao olharmos para trás, lembrando de um período não tão remoto, encontramos nomes como Carpeaux, Augusto Meyer, Álvaro Lins, Antônio Cândido, Silviano Santiago. Personagens que atravessaram o século XX avaliando obras e proporcionando, através dos jornais, as críticas de rodapé, eram elas que despertavam o crivo dos leitores. A maioria desses críticos começaram a escrever numa época em que não havia especialização em Letras e Literaturas, elaboravam análises facilmente compreendidas pelo brasileiro médio, os conduzindo ao encontro dos melhores autores e elegendo os clássicos que até hoje enaltecem as bibliotecas. O que houve com a crítica literária? José Castelo, jornalista da Gazeta do Povo, afirma que ela não mais existe.

Atribuem o ocaso da crítica à implantação da Teoria da Literatura dentro das universidades. As análises, antes acessíveis, ganharam ares incompreensíveis, pernósticos, rodeadas de códigos ininteligíveis ao leitor comum. Enquanto os primeiros críticos brasileiros do século XX avaliavam e avalizavam um livro, os rebentos da Teoria Literária dissecavam cientificamente um texto. A ótica universitária trouxe o peso do enfado.

Como nada se perde e tudo se transforma, a necessidade do lucro fez nascer no mercado editorial duas deturpações pejorativas: O Publisher e o Resenhista.

O Publisher veio tomar o lugar do nobre ofício de Editor. Agora, os livros são publicados visando o seu potencial de vendas, a capacidade do autor agregar leitores, a busca de nichos comerciais imbuídos de caráter pecuniário.

O Resenhista é a versão empobrecida do saudoso crítico literário, é a crítica prostituída. Longe de ser um teórico, ele se coloca como leitor profissional. A resenha não se obriga ao compromisso com a linguagem, nem a conceitos ou tradição. É uma redação sobre um livro e se presta, geralmente, a promover o salto das vendas. Não é incomum percebermos a relação incestuosa entre resenhistas, autores e editoras. Se quiséssemos alçar a resenha ao patamar de crítica, nós a chamaríamos de crítica de patota. Qualquer garoto de 15 anos elabora uma resenha, não é preciso muito, além de ler o livro e desenvolver elogios ou apontar erros. Tudo irá depender da intenção, nunca de um compromisso estético.

Após a revolução da informática, nunca tivemos tanto a necessidade do crítico literário que nos traga novamente a avaliação que avaliza aquilo que se deve ler, que devolva ao livro o status de obra de arte e retire dele o rótulo de produto. Do jeito que estamos, o universo literário representa uma Gotham City onde o Batman é um herói falecido.

*Alexandre Coslei é jornalista carioca, agregando formação em Letras pela     Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista da obvious



Poemas da Semana

Poemas de Tereza Soares, Flávia Suassuna, Jade Dantas, Ducabellaflor, Cida Pedrosa e Márcia Maracajá
 

POESIA FÉRREA
Tereza Soares*










Bonitos brincos de feira
Tiritam e enfeitam a senhora
Sentada de costas p’ro mundo
Passando na estrada de ferro...

Meninos, camisas abertas
Carregam Jesus no pescoço
A prata falsa em seu peito
Reluz que nem o luar

O negro de olhar tão profundo
Ensaia o dia que vem
Está, sem saber, na labuta
Nas curvas da estrada de ferro

Passa assustado ambulante
Com medo do braço do guarda
Mas, o esforço só vale
Se for pela mulher amada

Criança se arrasta aleijada
Já acostumada com aquilo
Mãos pretas, do chão levantadas
Pedindo: “me dê um auxílio!”

E os filhos do sol estão lá
Valentes meninos de rua
Aprendem e brincam de herói
Nos trilhos da estrada de ferro

Essas cenas se repetem
Esbanjando poesia
Não fosse a miséria e a fome
Estampadas em rostos sofridos
E a pressa de quem espera logo
Chegar em algum destino

Sentiria eu mais longo
Esse caminho diário
Essa poesia latina
Dos trens, da estrada de ferro...

*Tereza Soares é poeta, jornalista e da Academia Cabense de Letras



OUTRA ONTOLOGIA
Flávia Suassuna

O que me dói
não é a falta
de ninguém.

Minha vida
sempre doeu
antes de ser
ferida
por essa solidão.

O que me dói
nem sei direito
o que é.

Talvez o que doa
em todos
exatamente:
é o que falta
naquele íntimo
recinto que fala
o que sou
sem articular
sequer
uma palavra.



DO QUE NÃO SABERÁS
Jade Dantas

tu nunca saberás
dos horizontes
da inteireza da espera
da saudade

não saberás das pontes
que baixei
para a tua voz de mel
e ardências. da entrega

do horizonte esfacelado
da tristeza disfarçada
da trajetória sem rumo
não saberás da poesia



CORES
Ducabellaflor

Que as cores incolores
Devastem minhas dores
Causadas pelos rios de estrumes
Dos costumes do amor, adubes

Invade o que em mim é correnteza
E lambe-me os quadros instáveis
De rostos a sorrirem sem certezas
Pela ausência de cores memoráveis
Que rebelam a nossa feroz natureza

Pintai minhas habitações, imploro
Como pintou Frida Kahlo, os quadros
No México do surrealismo, notório
Retratando seus mundos acrômicos, abstratos
Guiados pela algofilia doença, impróprio

Que tudo seja arte, escarlate
De nuances de cinza a preto
Que nada seja poesia ou parte
De uma melodia em tons; soneto



URBE
Cida Pedrosa

Hoje na minha boca
Não cabem girassóis
Cabe um poemapodre
Cheiro de mangue capibaribe
Um poemaponte
Galeria esgoto chuvas de abril
Um poemacidade
Fumaça ferrugem fuligem
Hoje na minha boca
Cabe apenas o poema
O poema hóspede da agonia



TORMENTA
Márcia Maracajá

No sonho estou
De quem me deseja
Mas  no sonho de quem me beija
Não posso entrar

Minha noite é solitária
Fria e vexatória
De juventude que se perde
Ilusória, para breve me deixar

E o amor não vem inteiro
Em pedaços se apresenta
De um jeito ele me tenta
De outro quer me libertar

Contudo os dois já me condenam
E assisto a tudo em tormenta
Eu, um nada, mui pequena
Distante de quem quero estar.



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    ano III