domingo, 31 de agosto de 2014

A CRÍTICA PROSTITUÍDA – A LITERATURA COMO UM MERCADO PAGÃO

Publicado em obvious por Alexandre Coslei*

Nos novos tempos da globalização, livros são produzidos em ritmo industrial. O marketing substituiu os bons critérios críticos, resenhistas alugam seus serviços para promover autores de qualidade duvidosa. A imagem se sobrepõe ao conteúdo. Difundem-se, como ervas daninhas, cursos que prometem fazer de você um best-seller e coachings que formam escritores pasteurizados. A morte da crítica especializada criou o território do caos na literatura, uma Sodoma e Gomorra onde prevalece o poder do dinheiro. Definitivamente, prostituíram as nossas Letras.

Img: Reprodução


 “O crítico literário é um homem que sabe ler e que ensina os outros a ler.”
 -Charles Augustin Saint-Beuve-

Um crítico apurado, talvez, não considerasse de bom tom iniciar o artigo com uma citação que beira o clichê. No entanto, em nosso caos cultural, mergulhados na profusão de títulos que são lançados diariamente às livrarias, nem assustaria vermos alguns livros com o carimbo “made in china”. Sim, a Internet e o Word produzem escritores em escala industrial e quase sempre sem controle de qualidade. Junto com o fenômeno da multiplicação dos livros, surgiram os messias e as oficinas literárias que prometem formar os novos best-sellers do século. A literatura se tornou um mercado pagão.

Ao olharmos para trás, lembrando de um período não tão remoto, encontramos nomes como Carpeaux, Augusto Meyer, Álvaro Lins, Antônio Cândido, Silviano Santiago. Personagens que atravessaram o século XX avaliando obras e proporcionando, através dos jornais, as críticas de rodapé, eram elas que despertavam o crivo dos leitores. A maioria desses críticos começaram a escrever numa época em que não havia especialização em Letras e Literaturas, elaboravam análises facilmente compreendidas pelo brasileiro médio, os conduzindo ao encontro dos melhores autores e elegendo os clássicos que até hoje enaltecem as bibliotecas. O que houve com a crítica literária? José Castelo, jornalista da Gazeta do Povo, afirma que ela não mais existe.

Atribuem o ocaso da crítica à implantação da Teoria da Literatura dentro das universidades. As análises, antes acessíveis, ganharam ares incompreensíveis, pernósticos, rodeadas de códigos ininteligíveis ao leitor comum. Enquanto os primeiros críticos brasileiros do século XX avaliavam e avalizavam um livro, os rebentos da Teoria Literária dissecavam cientificamente um texto. A ótica universitária trouxe o peso do enfado.

Como nada se perde e tudo se transforma, a necessidade do lucro fez nascer no mercado editorial duas deturpações pejorativas: O Publisher e o Resenhista.

O Publisher veio tomar o lugar do nobre ofício de Editor. Agora, os livros são publicados visando o seu potencial de vendas, a capacidade do autor agregar leitores, a busca de nichos comerciais imbuídos de caráter pecuniário.

O Resenhista é a versão empobrecida do saudoso crítico literário, é a crítica prostituída. Longe de ser um teórico, ele se coloca como leitor profissional. A resenha não se obriga ao compromisso com a linguagem, nem a conceitos ou tradição. É uma redação sobre um livro e se presta, geralmente, a promover o salto das vendas. Não é incomum percebermos a relação incestuosa entre resenhistas, autores e editoras. Se quiséssemos alçar a resenha ao patamar de crítica, nós a chamaríamos de crítica de patota. Qualquer garoto de 15 anos elabora uma resenha, não é preciso muito, além de ler o livro e desenvolver elogios ou apontar erros. Tudo irá depender da intenção, nunca de um compromisso estético.

Após a revolução da informática, nunca tivemos tanto a necessidade do crítico literário que nos traga novamente a avaliação que avaliza aquilo que se deve ler, que devolva ao livro o status de obra de arte e retire dele o rótulo de produto. Do jeito que estamos, o universo literário representa uma Gotham City onde o Batman é um herói falecido.

*Alexandre Coslei é jornalista carioca, agregando formação em Letras pela     Universidade Federal do Rio de Janeiro e colunista da obvious



Poemas da Semana

Poemas de Tereza Soares, Flávia Suassuna, Jade Dantas, Ducabellaflor, Cida Pedrosa e Márcia Maracajá
 

POESIA FÉRREA
Tereza Soares*










Bonitos brincos de feira
Tiritam e enfeitam a senhora
Sentada de costas p’ro mundo
Passando na estrada de ferro...

Meninos, camisas abertas
Carregam Jesus no pescoço
A prata falsa em seu peito
Reluz que nem o luar

O negro de olhar tão profundo
Ensaia o dia que vem
Está, sem saber, na labuta
Nas curvas da estrada de ferro

Passa assustado ambulante
Com medo do braço do guarda
Mas, o esforço só vale
Se for pela mulher amada

Criança se arrasta aleijada
Já acostumada com aquilo
Mãos pretas, do chão levantadas
Pedindo: “me dê um auxílio!”

E os filhos do sol estão lá
Valentes meninos de rua
Aprendem e brincam de herói
Nos trilhos da estrada de ferro

Essas cenas se repetem
Esbanjando poesia
Não fosse a miséria e a fome
Estampadas em rostos sofridos
E a pressa de quem espera logo
Chegar em algum destino

Sentiria eu mais longo
Esse caminho diário
Essa poesia latina
Dos trens, da estrada de ferro...

*Tereza Soares é poeta, jornalista e da Academia Cabense de Letras



NOVA ONTOLOGIA
Flávia Suassuna

O que me dói
não é a falta
de ninguém.

Minha vida
sempre doeu
antes de ser
ferida
por essa solidão.

O que me dói
nem sei direito
o que é.

Talvez o que doa
em todos
exatamente:
é o que falta
naquele íntimo
recinto que fala
o que sou
sem articular
sequer
uma palavra.



DO QUE NÃO SABERÁS
Jade Dantas

tu nunca saberás
dos horizontes
da inteireza da espera
da saudade

não saberás das pontes
que baixei
para a tua voz de mel
e ardências. da entrega

do horizonte esfacelado
da tristeza disfarçada
da trajetória sem rumo
não saberás da poesia



CORES
Ducabellaflor

Que as cores incolores
Devastem minhas dores
Causadas pelos rios de estrumes
Dos costumes do amor, adubes

Invade o que em mim é correnteza
E lambe-me os quadros instáveis
De rostos a sorrirem sem certezas
Pela ausência de cores memoráveis
Que rebelam a nossa feroz natureza

Pintai minhas habitações, imploro
Como pintou Frida Kahlo, os quadros
No México do surrealismo, notório
Retratando seus mundos acrômicos, abstratos
Guiados pela algofilia doença, impróprio

Que tudo seja arte, escarlate
De nuances de cinza a preto
Que nada seja poesia ou parte
De uma melodia em tons; soneto



URBE
Cida Pedrosa

Hoje na minha boca
Não cabem girassóis
Cabe um poemapodre
Cheiro de mangue capibaribe
Um poemaponte
Galeria esgoto chuvas de abril
Um poemacidade
Fumaça ferrugem fuligem
Hoje na minha boca
Cabe apenas o poema
O poema hóspede da agonia



TORMENTA
Márcia Maracajá

No sonho estou
De quem me deseja
Mas  no sonho de quem me beija
Não posso entrar

Minha noite é solitária
Fria e vexatória
De juventude que se perde
Ilusória, para breve me deixar

E o amor não vem inteiro
Em pedaços se apresenta
De um jeito ele me tenta
De outro quer me libertar

Contudo os dois já me condenam
E assisto a tudo em tormenta
Eu, um nada, mui pequena
Distante de quem quero estar.



Panorama Literário

10ª Feira do Livro de Mossoró


Uma das atrações já divulgadas para a feira é o escritor e músico Tico Santa Cruz, da banda Detonautas Roque Clube, fundador do blog Clube da insônia e do grupo Voluntários da Pátria, de performance cultural. No mundo da literatura, lançou em 2012 o livro ”Clube da insônia” e em 2013 o livro de poesias e textos eróticos “Tesão”. Outros convidados são Bráulio Tavares, dono dos livros O Poder da Natureza e Histórias para lembrar dormindo, Xico Sá, autor de livros como Catecismo de Devoções e Modos de macho & Modinhas de fêmea, Chico Pedrosa, autor de cordéis e livros como Raízes da Terra e Retalhos da Minha Vida e Artur Soares, que venceu três categorias do prêmio Prêmio Hangar de Música em 2013.


Tereza Soares lança Espectro
(Poesia e Prosa Poética)


Celebração à Palavra Escrita

A Academia Pernambucana de Letras – APL e as Edições Bagaço Convidam para um encontro especial entre escritores e leitores no lançamento do livro Espectro de Tereza Soares.

Dia: 11 de setembro de 2014 (quinta-feira)
Hora: a partir das 19h
Local: Jardins da Academia Pernambucana de Letras – Av. Rui Barbosa, 1596 – Graças – Recife – PE

*Na ocasião será homenageada a escritora e acadêmica Luzilá Gonçalves


Flávia Suassuna lança Tranças segundo fio


Celebração à Palavra Escrita

A Academia Pernambucana de Letras – APL e as Edições Bagaço Convidam para um encontro especial entre escritores e leitores no lançamento do livro Trança segundo fio de Flávia Suassuna.

Dia: 11 de setembro de 2014 (quinta-feira)
Hora: a partir das 19h
Local: Jardins da Academia Pernambucana de Letras – Av. Rui Barbosa, 1596 – Graças – Recife – PE

*Na ocasião será homenageada a escritora e acadêmica Luzilá Gonçalves


IHJ realiza VIII Workshop de História e Geografia
25 e 26 de setembro de 2014





domingo, 24 de agosto de 2014

Joaquim Cardozo


O DCP traz nesta edição mais um grande poeta pernambucano, esquecido pelos “iluminados” produtores culturais que desbotam a cena literária do estado. 

Joaquim Maria Moreira Cardozo, o pernambucano que calculou os edifícios de Oscar Niemeyer. Cardozo era um intelectual da Renascença no Recife da primeira metade do século XX. Poeta (parceiro modernista de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto), contista, chargista, professor universitário, editor e filósofo, entrou para a história do país como o engenheiro civil que transformou possibilidades em certezas. Para Niemeyer, com quem trabalhara na Pampulha, era o brasileiro mais culto que existia.

Começa a escrever a partir de 1924, entretanto seu primeiro livro “Poemas” só foi editado em 1947, por iniciativa do poeta João Cabral de Melo Neto. Ocupou a Cadeira nº 39 da Academia Pernambucana de Letras. Ao todo, foram publicados onze livros de sua autoria, dos quais se destaca o de estreia “Poemas”, que teve como prefaciador o poeta Carlos Drummond de Andrade. 

Numa primeira fase, Cardozo parece aderir ao Modernismo nacionalista, cantando nos poemas aspectos típicos da capital pernambucana. Numa segunda fase (Signo Estrelado), é Carlos Drummond de Andrade (Passeios na Ilha) a aproximá-lo do lirismo valéryano, racionalista, abstrato e de sábia arquitetura verbal e métrica. Em qualquer das fases está a afirmação de um artista do verso, que impressiona sobretudo pelas metáforas, surpreendentes associações verbais (chão de cinza e fadigas; saudade pura/de abril, de sonho, de azul; aurora verde; rastro de luz macia), economia da expressão, sintaxe e ritmo cheios de sutileza e subjetividade.

Para o crítico literário César Leal, “Joaquim Cardozo é o maior poeta brasileiro do século XX. Não creio que seja apenas o mais completo poeta da língua, pois, ao publicar o livro Trivium, em 1970, ele atinge a transcendência, deixando de ser um representante da poesia da língua portuguesa, para situar-se num plano universal: o plano da língua poética pura, uma língua geradora de símbolos e imagens e que não tem um interesse meramente comunicativo.”

Joaquim Cardozo faleceu em Olinda, no dia 04 de novembro de 1978. Deixou diversos livros inacabados, que foram publicados posteriormente.

Os editores

  
Dois poemas de Joaquim Cardozo

Soneto somente

Nasci na várzea do Capibaribe
De terra escura, de macio turvo,
De luz dourada no horizonte curvo
E onde, a água doce, o massapé proíbe.

Sua presença para mim se exibe
No seu ar sereno que inda hoje absorvo,
E nas noites com negridão de corvo,
Antes que ao porto do céu arribe.

A lua assim só tenho essa planície...
Pois tudo quanto fiz foi superfície
De inúteis coisas vãs, humanamente.

De glórias e de alturas e de universos
Não tenho o que dizer nestes meus versos:
- Nessa várzea nasci, nasci somente.


Menina

Os teus olhos de água,
Olhos frios e longos,
Esta noite penetraram.
Esta noite me envolveram.

Bem querida madrugada...

Olhos de sombra, olhos de tarde
Trazem miragens de meninas...
Bundas que parecem rosas.

Sob o caminho de muitas luas
O teu corpo floresceu.



Poemas da semana

Poemas de Frederico Spencer, Natanael Lima Jr, José Terra, Juareiz Correya e Antonio de Campos


POEMA DAS MIL E UMA NOITES*
Frederico Spencer

Gaza agoniza sufocada:
pele e artérias explodem,
alvos dos tiros de guerra
homens, avançam sobre fantasmas
no escuro da noite
uma criança chora
no despertar do dia não verá
o sol nascer, em Gaza:
a fumaça, o cheiro dos mortos
vivos, não confiarão no amanhã
tudo se repetirá, indefinidamente
no gatilho, seu perdão
na face de Deus, a paisagem
destes dias.

* Do inédito Código de Barras


VADIO
Natanael Lima Jr

Um poema cruzou no meu caminho,
na madrugada fria dos desalentados,
desrespeitou o vazio,
violou o silêncio, vadio
e lambeu –me a cara.

Gozou da minha agonia,
fez labirintos da solidão,
descortinou a manhã
e se despediu
sem deixar rastros.


NOTÍCIAS DA POESIA
José Terra

Sabem o que foi que a adolescente pediu ao poeta ?
- Faz paz no meu ouvido,
Beija meus seios na aurora e escreve tua canção nas minhas nádegas

Sabem o que foi que a lésbica pediu ao poeta ?
- Dar tua inspiração para minha amada
E elogia o êxtase das nossas entranhas a Deus

Sabem o que foi que a adulta disse ao poeta ?
- A rosa do meu sexo é tua, meu Homem

Sabem o que foi que a coroa pediu ao poeta ?
- Entrega-me teu corpo à meia-luz
Com a elegância de um Casablanca

E sabem o que foi que a idosa pediu ao poeta ?
- Com céus e infernos me despindo
Enlouquece a minha transcendência
Escrevendo e publicando teus poemas


DO DESAMOR BERRANTE*
Juareiz Correya

Deitado em teu corpo sou eu quem estremeço
de tremores crispados à flor dos meus dentes
sem um soluço gemido misturado
à chama da fala que se apaga sem espancar teu
                                               {rosto.
sou eu quem mergulho em mim e me abraço com
                                      {as mãos vazias
desorientado e só neste deserto de quatro paredes
em que tua voz distante não te anuncia
em qualquer rotação.
a cama não é teu ninho, a cama é teu holocausto
e te estiras inerme quando eu brilho meu sexo
ao teu alcance e silencias quando me afundo
                                      {em teus braços
como quem me vê conduzindo as trevas da noite
                                      {irretornável.
a tortura não te escalda a carne
e sou eu quem sinto na pele nos ossos os rombos
de sua frenética paixão e o clangor de suas cadeiras
fere e dói fundo e amor-talha minha ternura
desprezada nos lençóis com o avesso
desta oferta máscula que te faço.

*Poema extraído do livro Americanto amar América e outros poemas do século 20


TODO DIA PENSO EM TI
Antonio de Campos

Feito amante
de amor doente
todo dia penso em ti

Olhando o céu azul
em Istambul

Agitado, nada calmo
em Estocolmo

Bem disposto
junto ao Douro, no Porto

Ou ruim nas favelas do Brooklyn,
penso em ti

Pela estrela da matina
e no pôr-do-sol
que no céu dobra a esquina
penso em ti

Todo dia penso em ti
com quem nunca me encontrei
e quando, um dia, contigo me encontrar
serás de mim esquecida!



O conto da semana

Socorro (conto) de Marcelino Freire*

   Foto: Divulgação

Eu morreria hoje.
Se fosse pela minha vontade.
Hoje.
Mas você não me ouve.
Vive me dizendo.
Deixa tudo para amanhã.
E eu deixo.
Atraso.
Procuro então o que fazer.
Para esquecer você.
Navego na internet.
Levo o macarrão ao forno.
A sardinha.
Ligo a TV.
Telefono para você e dá ocupado.
Nada.
Estou desesperada.
Deve ser de propósito.
Você não atende.
Vou ao banheiro.
Choro.
Ligo o chuveiro.
Eu não estou bem.
Vou ficando pior.
O médico receitou uns chás.
Eu não tomo.
Deixo recados no seu celular.
Amor.
A minha vontade era sumir.
Ir à janela.
Fazer barulho.
Sonhei em cortar um dos braços.
Atirar à avenida um dos pulsos.
Depois as outras partes.
É isto.
A ideia é original.
Aguentarei?
Você demora demais.
Contra a vontade diz que virá.
Rápido.
Eu preciso de você.
Mas você quer deixar para amanhã.
Tudo você deixa para amanhã.
Como se tivéssemos tempo.
Tem de ser hoje.
Insisto.
E peço que você traga um sorvete de creme.
Se você não vier arrancarei os cabelos.
Ligarei para o bombeiro.
Atirarei a minha mão ao trânsito.
Você nunca me viu assim.
Você gosta de mim.
Repete.
Pede minha calma.
E promete que vem.
E vem.
Você chega e já estou de banho tomado.
Nem pareço a mesma pessoa fúnebre.
Esquece.
Por favor.
Esse meu dramalhão.
Fiz.
Ó.
Nosso macarrão.
O molho de tomate que tanto você gosta.
Ora.
Relaxa.
Vamos ser felizes.
Trouxe o sorvete?
Você faz uma fala doce.
Mansa.
Nossa amizade será para sempre.
Você me diz.
Eternamente.
Difícil de engolir essa desculpa.
Só me passam males pela cabeça.
Vermes.
Vejo luzes tão apagadas.
Devem ser os chás.
Mas eu juro que não tomei nada.
Vou ficando tonta.
Sabe como se chama isto?
Abandono.
Você diz que vai dormir comigo.
Mas não hoje.
Amanhã.
Tudo para você fica para amanhã.
Para outro dia.
Essa sua mania me irrita.
Eu quero me matar hoje.
Grito.
Primeiro quebro os pratos.
Destruo a TV.
Jogo facas em você.
A gente se joga na cama.
Não sei se a gente luta.
Ou se ama.
Pela última vez.
De hoje não passa.
Mas não adianta.
Vejo você indo embora.
Primeiro um braço.
Depois o outro.
Um olho.
Outro olho.
Não me deixa.
Eu choro.
Eu imploro.
Amor.
Hoje não.
Que tal amanhã?
Se você for de vez eu morro.
Pela janela eu grito.
Com as forças do meu corpo todo.
Mas você não me ouve.
Socorro.


Marcelino Freire é escritor. Autor, entre outros, do livro de contos ‘Angu de sangue’ (Ateliê Editorial) e de ‘Contos negreiros’ (Editora Record – Prêmio Jabuti 2006). Em 2004, idealizou e organizou a antologia ‘Os cem menores contos brasileiros do século’ (Ateliê Editorial). É criador e curador da ‘Balada Literária’, evento que acontece anualmente, desde 2006, no bairro paulistano da Vila Madalena.



Panorama Literário

Prêmio Solano Trindade de Literatura Afro-Brasileira
  

Vem aí o “IV Prêmio Solano Trindade de Literatura Afro-Brasileira” do Jaboatão dos Guararapes. O objetivo do Prêmio é divulgar a poesia afro-brasileira, através de performances, revelar poesias inéditas, incentivar novos talentos, aprimorar o gosto pela arte literária, além de enaltecer a obra do poeta pernambucano Solano Trindade em nossa região e sua influência na literatura brasileira. Realização do Núcleo de Literatura da Secretaria Executiva de Cultura e Patrimônio Histórico. Aguardem em breve a divulgação do ‘Edital’.



Escritor pernambucano Marcelino Freire é finalista do Prêmio São Paulo de Literatura*

Primeiro romance do autor natural de Sertânia concorre a premiação de R$ 100 mil

Foto: Editora Record/Divulgação

O escritor pernambucano Marcelino Freire está entre os 20 finalistas da 7ª edição do Prêmio São Paulo de Literatura, divulgados nesta terça-feira (19). Ele concorre na categoria Melhor Livro de Romance do Ano - Autor Estreante com mais de 40 anos, com Nossos ossos. A premiação é de R$ 100 mil.
Promovido pelo Governo de São Paulo, o prêmio busca incentivar a produção literária de qualidade e valorizar novos autores. As editoras com mais obras entre os finalistas são Companhia das Letras com sete finalistas e Cosac Naify, com cinco cada. Ao todo, 169 livros foram inscritos, sendo que 153 obras de todo o país entraram na competição. Desses, são 67 de autores "veteranos" e 86 de autores “estreantes”. Todos são romances publicados em 2013.

Fonte: DP



Prêmios Literários da Academia Pernambucana de Letras

Estão abertas as inscrições para o Concurso Literário - 2014, as inscrições permanecerão abertas até o próximo dia 30 de outubro, na Academia Pernambucana de Letras (APL). Valor das inscrições: profissionais – R$ 50,00 (cinquenta reais); estudante – R$ 30,00 (trinta reias).

Prêmio ANTÔNIO DE BRITO ALVES – Ensaio - (Publicado nos anos de 2012, 2013 e 2014 - Patrocinado pela Sra.  Lia de Brito Alves);

Prêmio EDMIR DOMINGUES – Poesia - (Publicado nos anos de 2012, 2013 e 2014 - Patrocinado pelos filhos do Escritor Edmir Domingues);

Prêmio ELITA FERREIRA – Literatura Infantil - (Publicado nos anos de 2012, 2013 e 2014 - Patrocinado pela Editora Bagaço);   

Prêmio VÂNIA SOUTO CARVALHO – Ficção - (Publicado nos anos de 2012, 2013 e 2014 - Patrocinado pela família (in memorian), Sra. Ester Souto Carvalho);

Prêmio DULCE CHACON – Escritora Nordestina – (Publicado nos anos de 2012, 2013 e 2014 - Patrocinado pelo Acadêmico Vamireh Chacon);

Prêmio LEONOR CAROLINA CORRÊA DE OLIVEIRA – Municípios Pernambucanos Publicado nos anos de 2012, 2013 e 2014 - Patrocinado pelo Acadêmico Antônio Corrêa de Oliveira);

Prêmio WALDEMAR LOPES – Três Sonetos – (Inéditos) / Patrocinado pelo Acadêmico Amaury de Medeiros;

Prêmio AMARO SOARES QUINTAS - História do Estado de Pernambuco (Publicado nos anos de 2012, 2013 e 2014 - Patrocinado pela Acadêmica Fátima Quintas).



V Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil

32 mil reias em prêmios 


A Companhia Editora de Pernambuco – Cepe abre inscrições para o V Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil, no período de 18 de agosto a 30 de setembro de 2014, premiando com um total de R$ 32.000,00 (trinta e dois mil reais) as obras selecionadas pela comissão julgadora. O regulamento está disponível no portal www.cepe.com.br



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