domingo, 24 de março de 2019


NATANAEL LIMA JR TRAZ MÚLTIPLAS CONEXÕES LITERÁRIAS EM NOVO LIVRO






“(...) Estas, na trilha das pedras-palavras incandescentes: Whitman, Neruda, Pessoa, Drummond, Cabral, Lourdes Hortas, Audálio Alves, Celina, Leminski, entre outras presenças. (...) Eis o labor poético de Natanael Lima Jr., kafkiano, tendo em si a madureza do navegante que, sabedor dos mistérios marinhos, mergulha com o leitor, ambos naufragados de cores, sabores; (in)satisfeito com o porvir, crítico das fragilidades humanas, irmão dos silenciados, mas ciente do ofício a ele destinado, (...)”
Neilton Lima

“(...) a cada esquina me deparei com algumas tendências herdadas do pós-modernismo – busca pela aridez e secura cabralinas, sedução pelo concretismo, ecos de poesia social. (...)”
Maria de Lourdes Hortas


Natanael Lima Jr lança agora Ensaio sobre a canção árida, sexto livro de poemas publicados. Natanael também estreia o seu próprio selo editorial,  Imagética edições - Assessoria e Projeto Editorial. 

A obra é estruturada em cinco canções e uma canção geral. Tendo como prefaciadora a poeta luso-brasileira Maria de Lourdes Hortas e comentário do professor e crítico literário Neilton Lima.

Como o próprio título do livro sugere, ele é uma breve abordagem crítica, reflexiva e social, numa clara tentativa de trazer o poema duro, árido, sem portanto perder a ternura e a beleza. Numa outra abordagem o autor busca múltiplos diálogos e conexões literárias com a escrita de diversos poetas, entre eles: Pessoa, Neruda, Whitman, Drummond, Bandeira, Cabral, Quintana, Leminski, Cecília, Celina, entre outros.

O livro será lançado no próximo dia 30 de março, às 17 horas, na The Garden Open Mall, em Piedade. Na ocasião acontecerá um bate-papo com o autor, a poeta Maria de Lourdes Hortas e o professor Neilton Lima, além de um momento musical com o flautista Djalma Claudino, do Conservatório Pernambucano de Música e o cavaquinista Amilton Vilela. 


Serviço

Livro: Ensaio sobre a canção árida
Gênero: Poesia
Número de páginas: 94
Selo editorial: Imagética edições (2019)
Preço: R$ 25,00
Quando: 30 de março de 2019
Hora: 17 horas
Onde: The Garden Open Mall
Av. Bernardo Vieira de Melo, 209, Piedade, Jaboatão dos Guararapes/PE.





domingo, 24 de fevereiro de 2019


AS XANANAS NA GRAVIDADE DE ALTAÍBA


24 de fevereiro de 2019 por Maria de Lourdes Hortas*





O jovem poeta piauiense Diego Mendes Sousa (1989-), estreou no mundo literário brasileiro em plena adolescência: tinha apenas 16 anos de idade quando publicou “Divagações” (edição do autor, 2006).
Desde então vem escrevendo freneticamente, já agora com uma dezena de livros escritos, incluindo este “Gravidade das Xananas” (Editora Penalux, 2019), e mais um na gaveta, “Tinteiros da Casa e do Coração Desertos”, que publicará em breve.
No longo poema “Alma Litorânea”, Diego Mendes Sousa se define como um poeta atmosférico e intensamente marítimo. Manuel Bandeira teve a sua Pasárgada. O poeta da Parnaíba tem Altaíba, lugar secreto, universo lírico onde pode ser, conforme confessa no poema citado, muitos, vário e múltiplos - multiplicidade que se comprova em “Gravidade das Xananas”.

Num dos poemas deste livro, ele nos diz:

Detenho dores
infinitas e seculares
que atravessam
o meu interior
(...) Minha alma é a vertigem
arrastada pelas luzes do tempo (...)

Entrando em contato com forças arquetípicas e mitológicas, oniricamente, entre o sono e a insônia, Diego Mendes Sousa, na sua gravidade de poeta atemporal, generosamente colhe xananas que oferece aos poetas da sua admiração, habitantes do mesmo universo lírico onde se distende, em sintonia e afinidade.

Nas várias épocas da cultura universal, muitos tentaram conceituar a poesia, procurando encontrar os seus limites dentro da escrita literária. Os gregos, por exemplo, já a discutiam, e o grande filósofo Aristóteles não deixou de se preocupar com o assunto, concluindo que “não é ofício do poeta narrar o que realmente acontece; e sim representar o que poderia acontecer”.

Seguindo o conceito aristotélico, Diego Mendes Sousa, mediunicamente, penetra no avesso das aparências, para se aperceber dos sentimentos atemporais que representam o acúmulo da vivência humana. Introspectivo, ao escrever é que se liberta, saindo dos parâmetros da linearidade e mergulhando no tempo sem relógios, lugar de invenções e fantasia.

Percorrendo as páginas deste livro, constataremos que o seu autor, não obstante a sua juventude, é dono de uma bagagem cultural invejável, por certo decorrente das suas leituras. No seu trabalho não só expõe as matrizes da sua poesia, como, por vezes, as aponta, em cada poeta que nomeia. Quanto à sua temática, são todos os sentimentos e estágios que constituem a essência do ser: a tristeza, a felicidade, a miséria, a fortuna, a velhice, a juventude, a vida, a morte, a melancolia, a dor, o amor - enfim, matizes controversos, frágeis como as flores que se pisam nas areias da vida.

A linguagem nascente de Diego Mendes Sousa flui como um rio, que nos transporta a uma viagem sideral. Com ele experimentamos a aventura de estar no mundo e a multiplicidade de nos fazermos inteiros. 





Contato com Diego Mendes Sousa: 
diego_mendes_sousa@hotmail.com 

(86) 99451-5454 
















*Maria de Lourdes Hortas é poeta, escritora, ensaísta luso-brasileira.









O AZUL POR TRÁS DA NOITE


24 de fevereiro de 2019 por Neilton Lima*





Carlos Pena Filho/Imag. Reprodução



Num dos poemas deste livro, ele nos diz:
Onde anda meu poeta / O dos sapatos azuis /
Que aqueceu a minha alma / No pátio de Santa
Cruz?

No tempo de Carlos Pena, Janice Japiassu


Feliz daquele que tem por missão escrever a respeito da Arte, ainda mais se o tema escolhido é a poesia de um poeta cativante como Carlos Pena Filho (1929-1960). É com ele que abrimos a Coluna aqui presente: BARDOS DO CAPIBARIBE, a ser publicada neste espaço virtual, e cujo objetivo é divulgar, através das palavras deste leitor, antes de tudo, crítico por ofício, amante da Literatura pernambucana, produzida aqui ou que tematiza a riqueza, muitas vezes ainda ignorada, de nossos escritores, homens e mulheres ávidas de ideias, sonhos, imagens e sons, no intuito de, junto a eles, invadirmos a íris e o coração dos leitores. De Pena Filho selecionamos o basilar poema “Guia Prático da Cidade do Recife”, percebendo neste o olhar do poeta sobre a cidade, seguindo as seguintes perspectivas: o valor simbólico da cidade, o valor negativo, a fonte da poesia (o imaginário), a descrição da cidade, entre outros temas que permeiam nosso olhar convidativo ao leitor, (en)cantado neste caminhar poético.

No “Soneto das definições”, Pena Filho assim nos alumbra: “Não falarei das coisas, mas de inventos / e de pacientes buscas no esquisito./ Em breve, chegarei à cor do grito / à música das cores e dos ventos”. Deste modo, percebemos na Obra do poeta, além da força lírica aliada à preocupação social, uma consciência do fazer poético que abarca o metapoema, pleno de sensualismo, erotismo e ironia, ora na forma do já anunciado soneto, ora nos longos poemas livres e modernos, anunciadores do drama vivido pelo nordestino ou nas cores de sua cidade imagem-imaginária, destacando a cor azul, no infinito de seus versos. Ele, o “poeta da beleza”, dionisíaco, no dizer de Ângelo Monteiro, poeta e filósofo alagoano, que também fez de Pernambuco solo de vida. Pena Filho, fundador do Grupo de 50, segundo Audálio Alves (próximo homenageado nesta Coluna), aliado às vozes de Olímpio Bonald, Francisco Bandeira de Melo e Paulo Bandeira Cruz, entre outros.

O olhar para a cidade ou cantar sobre ela é corrente entre diversos escritores, desde a Bíblia, passando pelos cantos medievais, a Modernidade de Baudelaire, até os contemporâneos como Ítalo Calvino, desaguando nas vozes nordestinas de Joaquim Cardozo, Ascenso Ferreira, Mauro Mota, Manuel Bandeira, João Cabral, Lêdo Ivo, Augusto dos Anjos ou nestes simples versos meus, que aqui compartilho: Recife / A negra alma dos teus filhos / Na lama negra dos teus rios: / Veias caminhos esguios / Na sombra desses andarilhos // É osso extenso exposto / Em cada ponte do teu rosto.

Pena Filho, o “Poeta do Azul”, ao intitular o poema, publicado em 1959 no Livro Geral, como “Guia Prático da Cidade do Recife”, faz homenagem a Gilberto Freyre e o “Guia Prático, Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, obra lançada em 1934, e neste diálogo intertextual, Carlos escreve um longo poema, dividido em treze partes, com versos livres, assim organizado: O início (intróito do nome da cidade e daqueles que a ergueram); O navegador holandês (em que o passado mito-histórico encontra-se com o presente); Manoel, João e Joaquim (louvação aos poetas Bandeira, grafado ironicamente com “o”, Cabral e Cardozo, que imortalizaram em versos a cidade, madrasta para eles); A praia (a pluralidade aquática da cidade cortada por rios e banhada pelo mar); Subúrbios (onde as tecelãs de Mauro Mota trabalham a vida); A lua (que assiste, de cima, a fome devorar a cidade, fome maior que Ascenso e sua famosa gula); Igrejas (passeio histórico e turístico pelas igrejas seculares, cujos versos as perpetuam e as denunciam); O bairro do Recife (passada a face cristã, vê-se a pagã, cidade dos divinos prazeres carnais); São José (bairro coração que o tempo esqueceu, e a memória guarda); Chope (um dos versos mais declamados do poeta, símbolo e essência do ser que nele habitava); Oradores (ironia ácida do poeta para os pseudo-intelectuias); Secos & Molhados (a verve crítica aos usurpadores da cidade) e O fim (lírico grito de dor para a cidade madrasta). 

Chamado por Luiz Carlos Monteiro de “poema-inventário”, a obra aqui analisada, através do olhar do eu lírico, ora embebido de encantamento, ora crítico, vem resgatar um espaço físico e humano do poeta e sua cidade. Do contexto histórico ele resgata o fato e deste, cria o imaginário poético, em passagens dos versos iniciais a cidade tomada no passado, no presente atemporal é apresentada “Hoje, serena, flutua, / metade roubada ao mar, / metade roubada à imaginação, / pois é do sonho dos homens / que uma cidade se inventa”. O que já nos demonstra o tom e a linguagem que permeará o poema, misto de descrição narrativa, histórica, porém ampliada pelos signos semânticos da poesia e da ironia peculiar ao poeta. Em “Manoel vai ficar plantado, / para sempre e mais um dia, / sereno, bustificado, pois quem da terra se ausenta / deve assim ser castigado”, intertextualmente percebemos o amargor por ver a figura de Manuel Bandeira, para quem a terra foi ingrata, tornar-se busto e bestificado, esquecido, em um forte neologismo irônico e revoltado do poeta. Ao tratar de Cabral, a lembrança do rio ainda vivo, das águas que “(...) em seu trajeto tiveram a farta satisfação / de dar de beber a secos / homens, cavalos e bois”, rio este confluindo-se, mais uma vez, com a própria peregrinação de Cabral. Por fim, deságua em Cardozo e os “cajueiros em flor”, mais um filho maltratado, mas que, ternamente, como os bons filhos são, amou até a morte a cidade. A paisagem, nesse percurso lírico de Pena filho, é sugerida pinceladas sutis, mesclada por citações explícitas (rua da Aurora, cais do Areal, ponte Duarte Coelho, rua do Imperador, as igrejas de São Francisco, Madre de Deus e de São Pedro), elementos peculiares à natureza do Recife (a lama podre, as baronesas, os caranguejos, embarcações, boi morto) e o povo, formador desse quadro único (as virgens, o amarelinho, o marginal, escuro, anfíbio). Após essa etapa, atravessamos a ponte e vamos ao outro lado da cidade, o bairro do Recife “Ali que é o Recife / mais propriamente chamado, / com seu pecado diurno / e o seu noturno pecado, / mas tudo muito tranquilo, / sereno e equilibrado. (...) Esse é o bairro do Recife / que tem um cais debruçado / nas verdes águas do Atlântico / e ainda tem o cais do Apolo, apodrecido e romântico (...). As referências são muitas, e trazem um Recife múltiplo, entre o progresso capital e político: os bancos, a Associação Comercial, a Câmara Municipal, os ingleses do British Club, somados à figura simbólica de Alzira “a viga mestra da prostituição”, em uma simbiose e perfeição caótica, própria da cidade decadente, boêmia, cujos versos anunciam a Guararapes “Nas mesas do Bar Savoy, / o refrão tem sido assim:/ são trinta copos de chope, / são trinta homens sentados, / trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustrados”. Finalizando o longo poema, aqui selecionados alguns versos e passagens, o poeta sintetiza a ideias e, metaforicamente, traz a imagem perfeita e, infelizmente, ainda atual, da sua cidade, que um dia teve um papel na História do Brasil: “Recife, cruel cidade, / águia sangrenta, leão / Ingrata para os da terra, boa para os que não são. / Amiga dos que a maltratam, / inimiga dos que não / este é teu retrato feito / com tintas do teu verão / e desmaiadas lembranças / do tempo em que eras / noiva da revolução.”

Recife, que agora se apresenta deste modo: dia nublado de um inverno que nunca chega, por estar sempre na seiva de um sol inacabado. Berço do poeta aqui homenageado, hoje simbolicamente presente, ironicamente, no busto entre a Faculdade de Direito e o Parque Treze de Maio, local dos amigos boêmios, dos estudantes e transeuntes, personas nos versos de Pena Filho, que aqui neste texto laudatório eterniza-se em cada face da cidade.

















*Neilton Lima é poeta e crítico literário. Mestre em Teoria da Literatura (UFPE); Coordenador e Professor do Curso de Letras (FOCCA), Revisor da Revista Scientia Una; Professor da UNISAOMIGUEL. Diretor de Eventos (UBE); Membro da Câmara Brasileira do Desenvolvimento Cultural.





VIII SARAU VIRTUAL



ORGANIZAÇÃO E EDIÇÃO
Natanael Lima Jr. 



Com a edição do “VIII SARAU VIRTUAL” o site Domingo com Poesia inicia suas  atividades de 2019. Este ano completaremos 8 carnavais de resistência e luta, buscando divulgar e produzir um bom conteúdo que ajude a formação de opinião  e o prazer pela leitura. Como dissemos anteriormente, as perspectivas são das melhores para o início desse novo ano: parcerias com outras plataformas, novos colaboradores, novos conteúdos e muito mais sobre o mercado editorial e a indústria do livro, eventos literários, dicas de leitura, livros digitais e muito mais.
Reunimos nesta edição do “Sarau Virtual” mais um grupo de poetas que se destacam no cenário literário do estado e nacional, são eles: Diego Mendes Sousa, Francisco Mesquita, Patrick Barbosa, Sidney Ramos e Teresa Helena.

Uma boa leitura.  


(Homenagem aos poetas Casimiro de Abreu, Lourival Batista, João Cabral de Melo Neto, Oswald de Andrade, Euclides da Cunha, Marcus Accioly, Pedro Lyra, Raul de Leoni, Déborah Brennand, Mário Melo, Adelmar Tavares, Lêdo Ivo e Paulo Mendes Campos)




DIEGO MENDES SOUSA*





   “A poesia é um misterioso passar pela plenitude das vivências humanas e das planificações sobrenaturais. Vejo-me caminhando no escuro, porque a criação poética é inesperada. Ora dar-se generosa, ora teima em ser ingrata. A epifania da poesia instiga a espera. Todo poeta se abisma em um círculo. Seus temas escapam. Sua visão de mundo cresce. Suas experiências se contradizem ou se desdizem. No entanto, a essência mantém-se ali, no centro dos seus motivos e dos seus sentimentos.
      A poesia é um ato de coragem e de justiça consigo mesmo. É a porta de saída para as misérias e as tristezas do ser. Ela também festeja as alegrias, mas essas, vêm disfarçadas de amplidão no tempo. É a abertura da claridade, quando afastada a pertinência da solidão.”


ENSINAMENTOS SOBRE A DOR


Outros incêndios estão postos no Amor
A paixão, por exemplo,
a febre enlouquecida de saudade,
é o breve futuro inaugurado
dos olhos ainda acesos –
Altair,
há fumaças há incensos
nos teus perfumes de fêmea,
no fogo e na dor

E outros incêndios estão nítidos na paixão
O relâmpago, por exemplo,
nunca deixa de ser o clarão,
a imagem, a fotografia, o espanto -
e o coração,
esse constante renovar de lampejos –
Altair,
há luzes há raios
nos teus reflexos de fêmea,
na pele
e na flor, o fruto misterioso
da perplexidade, a dor

Outros incêndios estão furiosos no relâmpago
O mar, por exemplo,
é uma força de enigmas,
abarcadura na areia, leveza de ondas,
ademais,
não deixa o cais das esperas
de ser o eterno mar:
águas, rios, chuvas -
o verde marinho, o azul infindo,
muralhas transbordadas de cor,
o oceano da visão perdida –
Altair,
há alegrias há pássaros
no teu colo ligeiro de fêmea
enquanto, na minha alma,
residem as tormentas,
a explosão, a tristeza,
talvez, sobretudo, repentinamente,
a fuga –
a morte atravessada de vida!
a nobreza da dor
E outros incêndios estão glorificados na dor,
elegia que adia os ensinamentos
de Salomão, de Cristo e de Rilke
roupagem de sonhos, vejo Deus!
e Altair – aquela estrela na noite,
a friagem da lua, a madrugada de neblinas,
as folhas agredidas nos corredores da casa,
a gravidade das xananas,
o barulho do vento nos poemas,
a solidão dos cães vadios, os morcegos de sangue,
as corujas de altos voos, os grilos
(o meu grito)
as mortalhas sobre os dias,
tudo isso eu sou
e caminho agora absoluto,
nos meus próprios incêndios,
sim –
Afago miserável da dor!



*Diego Mendes Sousa (Parnaíba/PI, 15 de julho de 1989) é escritor, jornalista, advogado, indigenista, ambientalista e ativista cultural. Membro do PEN Clube do Brasil e detentor do Prêmio Castro Alves da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ), 2013, pelo conjunto da obra. Publicou 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (Edições Galo Branco, 2010), dentre outros títulos. Seus poemas foram traduzidos para o inglês, o espanhol, o francês e o grego. Sua mais recente obra literária chama-se Gravidade das Xananas (2019), distribuído pela Editora Penalux.




FRANCISCO MESQUITA*





"Poesia é re(a)presentação! Escrever poemas é concretizar possibilidades de leituras do mundo, é permitir que o outro - lendo - acesse um universo de informações e de sensações antes desconhecidas ou inacessíveis! Um poema é uma janela para outros mundos, é a realização da vida, da história! Escrever é reinventar-se sempiternamente! Eu escrevo porque preciso inscrever-me no mundo! Representá-lo e transcendê-lo."



TEUS BRAÇOS


Eu gosto quando tu
me tomas em teus braços.
Vibro quando me apertas.
Eu me sinto só tua. E sei
que és só meu.
Adoro quando – entre gemidos –
dizes palavras sem-vergonhas.
Não me envergonho. Não
me envergonhas.
Gosto de sentir tuas mãos
em meu corpo.
Tremo quando te deténs.
Em cada parte. Cada parte.
Sou tua – exclamo. Sussurro.
Em gozo.
Quero-te sempre. Para sempre.
Enredo-me em tua pele,
em teus pelos.
Enlouqueço com tua fúria,
Com tua pressa... tua força.
Sinto-te dentro de mim.
Todo. Tenso. Rijo. Regozijo.
E tu, comigo.
Preenches-me de ti. Quente.
Forte. Líquido.
Repouso... em teus braços.



*Francisco Mesquita é Professor, poeta, revisor e crítico literário. Licenciado em Língua Portuguesa, Bacharel em Crítica Literária e Mestre em Teoria da Literatura (UFPE). Autor do livro “Poesia Prima” (poemas) e coautor dos livros “Retratos de Cecília Meireles” e “Mosaico Cultural” (ensaios). Professor de Português, Linguística e Literaturas de Língua Portuguesa na Faculdade de Olinda – FOCCA e na UniSãoMiguel. Coordenador pedagógico na Escola Estadual Marechal Eurico Gaspar Dutra. Membro e Diretor de Formação e Capacitação da União Brasileira de Escritores – UBE. Organizador, palestrante e Mestre de Cerimônias de eventos literários e acadêmicos.


  

PATRICK BARBOSA*





   
“A poesia me abriu os olhos e comecei a enxergar pela janela da minha alma as lindas paisagens e os ricos panoramas que Deus esboça diante de nós. Nas páginas da vida escrevo os mistérios da poesia, os poemas que escrevo revelam o amor, a beleza e a morte, assemelhando-se a um lírio branco que desabrocha aos raios da aurora, trazendo assim, vida aos campos e calor a vida.”


OLHAR DA ALMA


Precisamos abrir
Os olhos e enxergar
as lindas paisagem
e os ricos panoramas
que Deus esboça
diante de nós.

Todos os dias
Em cada manhã
Em cada pôr do sol
Deus desenha para nós
Um majestoso quadro
De beleza inefável.
Não há nenhum por
Do sol igual ao outro
Nenhuma gota do
Orvalho é igual a outra
Deus é rico em sua
Forma de se manifestar.
A terra está cheia
Da sua bondade
E da sua sabedoria
Precisamos aprender
A ver o encanto
das flores, com suas
Pétalas aveludadas
E seus matizes
Policromáticos.

Precisamos sentir
O aroma dos campos
Com sua relva farfalhante
Aspergido pelo
Orvalho do céu.




*Patrick Barbosa, natural de Recife – Pernambuco, casado com Helena Almeida.  Escritor, poeta, missionário, teólogo. Presidente da Associação Ressurreição alimentando vidas. Filho biológico de Laudiceia Barbosa da Silva, e tendo como mãe adotiva desde os oito anos de idade a Sra. Nancy Félix de Lima, com quem compartilhou uma infância feliz, e recebeu uma educação que se entende como valores semeados e que no tempo floresceram e se estenderam no percurso da sua caminhada como exemplo de vida cristã, literária e social.  Em suas recordações o poeta expressa a sua gratidão a Deus por ter lhe concedido uma família, a qual lhe enraizou no alicerce do amor, e reafirma agradecimentos por Cristo ter lhe emprestado o pincel da sabedoria para colorir em alguns versos parte da sua história no LIVRO POESIAS NAS SERRAS DE GRAVATÁ, JORNADA DA VIDA, TRANÇA, ANTOLOGIA CARREIRO COM 70 ESCRITORES, ANTOLOGIA POEMAR E AMAR.




SIDNEY RAMOS*






“Outro dia eu ouvi da poeta Adriana Perruci que Erickson Luna uma vez tinha dito a ela, não me lembro bem, parece que era... “A poesia é o eu que há em mim." Achei muito bonito essa definição. Para mim a poesia, que é filha da palavra, tem poder. Ela está em todas as artes e é uma atitude para as coisas da vida. A poesia salva! Estava conversando sobre isso com os poetas Eunápio Mário, Luiz Carlos Dias e Mauricéa Santana. A poesia cura, comove, sensibiliza... Eu acho que a poesia nos dias de hoje é um ato revolucionário.”



EMBAIXO DA PORTA

Soprava no canto do ouvido
o ar tranquilo e as belas paisagens
da minha infância.
O vento embaixo da porta,
eu via por uma fresta.
A palavra entrava junto
com a brisa do mar
naquela pequena fendinha.
Eu tinha todo tempo da vida,
meus sentimentos de peito
revolvido eram levados ao vento...
As mínimas coisas
eram-nos caríssimas
e as pequenas
nossas maiores alegrias.
Ali eu podia errar, respirar e sentir
um ar com perfume de encanto.
Naquele momento
era importante
abrir os olhos
e sair procurando
na minha meninice
algum olhar perdido
que encontrasse
a mão do destino.
Hoje no silêncio e nas lembranças
guardo meus gritos ininterruptos.
Escondo um pouco a dor,
sigilo e misturo as cores
enquanto escapo também
em busca do adiante.
Renasço do fogo.
Melhor ainda, nas cinzas.
Venço as tramas urdidas.
Sequer vingou as feridas.



*Sidney Ramos iniciou seus trabalhos artísticos compondo poesias, letras, pinturas, gravuras, etc. Recentemente lançou o livro “REDEMOINHOS” que traz em suas páginas, além das poesias, algumas pinturas e gravuras criadas pelo próprio escritor que também é artista plástico. Cantada, falada ou escrita, a poesia emociona quando depara seu olhar sobre as entradas escondidas da nossa essência. As palavras transformam o sentido do prazer, do encanto, do sofrimento... É a chave da porta que abre nossos sentimentos.




TERESA HELENA*






“Poesia é estar em ação, é o sentir da alma. Simplicidade e Tempestade. Poesia é liquidificador.”



TEATRALIZAR

A vida em atos e entreatos.
O tempo é um veloz...
No teatro que eu cresci,
Aprendendo a fugir da plateia para a coxia.
MUNDO SUBMERSO
Quem for Oliveira vai lembrar...
Livro que narra o passo a passo
O nosso ato em ação
Escrita, papel, chão e amor.
Comove os elos
Unindo
Escreve e tece novas histórias
Poesia, Teatro e Vida.
Oliveira da Lima
Azeitona.

Amor



MOINHOS DE VENTO

Moinhos de Vento...

Eu sentada

Nem sonho, nem acalento!
Alma minha inebriada.

E o dia ao longe passa...
Envolta ao devaneio
Vejo-te buscando a minha seiva
E o seu rosto amaciando o vento!

Eu mergulho na ventania.
Chegando perto do seu ser...
O seu olhar é o primeiro que toca.

Em um completo ir profundo!
Suas mãos me acalentam em verdade.
E a busca passa com o chamar do reencontro...



*Teresa Helena de Oliveira Moraes é Pós-Graduada em Literatura Brasileira (FAFIRE, 2010), Licenciada em Letras, com Habilitação em Línguas Portuguesa e Inglesa (FOCCA, 2008), é Professora de Línguas Portuguesa e Inglesa no Governo do Estado de Pernambuco. Atualmente no NEL Núcleo de Línguas EREM Dom Vital. Nascida em Recife, em 24 de junho de 1981, olindense de coração, amante das Artes e da Cultura. Tem poemas e textos teatrais inéditos.






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Editor-Fundador Natanael Lima Jr