domingo, 16 de fevereiro de 2014


A Crônica da Semana

O barulho dos inocentes*
Por Fred Caju


Img: Reprodução

Aprendi a não subestimar o silêncio de nenhum bom poeta. Foi um velho deitado que me disse: quem fala demais acaba ficando sem voz. E tem também aquela do disco d’O Rappa. “O silêncio q precede o esporro”. Estou me convencendo que é mais ou menos por aí que os tampas atuam.

Eu não sou adepto nem defensor da escrita ocasional. Pra mim, a vigília ignora feriados e domingos. Mas não há guerra que não se faça sem momentos de trégua. É sábio e necessário para rever os suprimentos e flexibilizar as estratégias de lutas. Os ingênuos ficam sem munição e morrem no campo de batalha. Aí tome-lhe rapinas no fígado, camarada.

Outra coisa que não me desce é o tal do bloqueio criativo. No meu dicionário o nome disso é preguiça mental e/ou acomodação estilística. Escrever não é só caneta + papel. Envolve leitura, vida ao vivo, autoconhecimento, neuras & nóias, posicionamentos políticos, sentimentos, etc., etc.

Não dá pra transbordar um copo que está meio vazio. E nem adianta tentar ser otimista e dizer que ele está meio cheio. Não cola. Simplesmente não cola.

Eu, que já estou falando demais, vou me calar. Não, não, não vai rolar nada fuderoso no próximo texto. É que o vento nas palhas do coqueiro estão cantando aqui. Só resta me vestir de silêncio pra retribuir mais à frente.






Um comentário:

  1. Neuras e nóias, eu também vou me calar. Muito bom Fred, muito bom...

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima