sexta-feira, 24 de novembro de 2000


CRUZ E SOUSA

(Florianópolis/SC, 24/11/1861 – Belo Horizonte/MG, 19/03/1898)

 
Poeta Simbolista. Filho de escravos, foi adotado pelo marechal-de-campo Guilherme Xavier de Souza, recebeu educação de elite, aprendeu francês,latim e grego. Dirigiu o Jornal Tribuna Popular em 1881, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial. Em 1885, lançou seu primeiro livro Tropas e Fantasias, em parceria com Virgílio Várzea. Cruz e Sousa foi o mais importante representante literário do Simbolismo Brasileiro. Faleceu aos 36 anos, vítima do agravamento no quadro de tuberculose.
Principais obras: Tropas e Fanfarras (1885); Missal (1893); Broquéis (1893).


Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?! 



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima