sábado, 4 de novembro de 2000


SILVEIRA NETO

(Morretes/PR, 04/11/1872 - Rio de Janeiro/RJ, 19/12/1942)


Poeta e artista plástico, pertenceu a escola Simbolista. Em 1893 integra o grupo “O Cenáculo”, fundou uma revista com o mesmo nome. Para Tasso da Silveira (1967, p.27/33), o poeta foi “uma espécie de exegeta das ruínas, da morte, do silêncio, como foi em toda a sua vida o homem dominado pela dor de viver”. E sintetiza: “afeição primavera! deu-nos Emiliano Perneta, com sua poesia coruscante de sol e ébria de sentimento pagão da vida. O desértico recolhimento do inverno foi que sobretudo se condessou no canto de Silveira Neto, embora também nele a primavera irrompa triunfante”. Com a morte do poeta curitibano Emiliano Perneta, em janeiro de 1921, Silveira Neto é aclamado o novo príncipe dos poetas paranaenses.
Principais Obras: Pela consciência (Opúsculo, 1898); Antonio Nobre (Elegia, 1900); Luar de hinverno (1900); Roda crepuscular (1923); Cruz e Souza
(Ensaio, 1924).


Canção das laranjeiras

Laranjas maduras, seios pendentes
pela ramada, apojados de luz,

Que é das orinhas-nevadas e débeis,
caçoulas de incenso que o aroma produz?

Se elas recendem o ar todo se infla
num esto de gozo, nas frondes do vai,

Como se andasse o Cântico dos cânticos
abrindo-se em beijos no laranjal.

São elas o sonho da árvore em festa
pensando no fruto, que é todo sabor;

Assim a grinalda que enfiaram, das noivas,
é a aurora do dia mais claro do amor.

Infância, candura da estréia longínqua,
luz tênue que flui das auras do céu.

Depois do primeiro amor, o remígio
do sonho mais puro a que a alma ascendeu.

De sonho, bebido em taças que lembram
aquela de lavas, que um dia o vulcão

moldara em Pompéia, num seio de virgem,
talvez em memória de algum coração.



0 comentários:

Postar um comentário

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima