segunda-feira, 30 de outubro de 2000


RAUL DE LEONI

(Petrópolis/RJ, 30/10/1895 – Itaipava/RJ, 21/11/1926)


Poeta e diplomata. É considerado um poeta neoparnasiano por uns e, simbolista por outros, considerado como um dos poetas mais notáveis do soneto brasileiro de todos os tempos. Recebeu críticas de alguns intelectuais brasileiros como, Medeiros de Albuquerque, Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Afonso Arinos de Melo Franco, Sérgio Milliet. Cada um dos seus versos tem ritmo e sonoridade primorosos, especialmente os dos sonetos em decassílabos, sempre mesclados de simbolismo e modernismo, com tessitura clássica e técnica parnasiana. Seu único livro editado em vida foi “Luz Mediterrânea” (1922).
  

Crepuscular

Poente no meu jardim... O olhar profundo
Alongo sobre as árvores vazias, 
Essas em cujo espírito infecundo
Soluçam silenciosas agonias.

Assim estéreis, mansas e sombrias, 
Sugerem à emoção em que as circundo
Todas as dolorosas utopias
De todos os filósofos do mundo.

Sugerem... Seus destinos são vizinhos:
Ambas, não dando frutos, abrem ninhos
Ao viandante exânime que as olhe.

Ninhos, onde vencida de fadiga, 
A alma ingênua dos pássaros se abriga
E a tristeza dos homens se recolhe...



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima