quarta-feira, 8 de novembro de 2000


TEÓFILO DIAS

(Caxias/MA, 08/11/1854 - São Paulo/SP, 29/03/1889)


Poeta, jornalista e advogado. Sobrinho do poeta Gonçalves Dias. Patrono da Cadeira nº 36 da Academia Brasileira de Letras. Colaborou para diversos jornais como: Província de São Paulo e A República e ainda na Revista Brasileira de José Veríssimo. Em 1878 participa da chamada “Batalha do Parnaso”, formada por escritores do Rio de Janeiro e São Paulo, que reagiam contra o Romantismo brasileiro, sob a influência de Artur de Oliveira. Ingressa na política, pelo Partido Liberal, elegendo-se Deputado Provincial em 1885.
Manuel Bandeira afirma: “A estética parnasiana cristalizou-se entre nós depois da publicação de “Fanfarras”, de Teófilo Dias, livro em que o movimento anti-romântico começa a se definir no espírito na forma dos parnasianos franceses, já esboçados em alguns sonetos de Carvalho Júnior...”
Principais Obras: Flores e amores (1874); Cantos tropicais (1878); Lira dos verdes amores (1878); Fanfarras (1882); A comédia dos deuses (1888).


A estátua*

Fosse-me dado, em mármor de Carrara,
Num arranco de gênio e de ardimento,
Às linhas do teu corpo o movimento
Suprimindo, fixar-te a forma rara,

Cheio de força, vida e sentimento,
Surgira-me o ideal da pedra clara,
E em fundo, eterno arroubo, se prostrara,
Ante a estátua imortal, meu pensamento.

Do albor de brandas formas eu vestira
Teus contornos gentis; eu te cobrira
Com marmóreo cendal os moles flancos,

E a sôfrega avidez dos meus desejos
Em mudo turbilhão de imóveis beijos
As curvas te enrolara em flocos brancos.

*Do livro Fanfarras (1882). Poema integrante da série Flores Funestas



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