quinta-feira, 10 de agosto de 2000


GONÇALVES DIAS

(Caxias/MA, 10/08/1823 – Guimarães/MA, 03/11/1864)


Poeta, teatrólogo, jornalista, advogado e etnógrafo. Pertenceu às escolas do Romantismo e Indianismo. Formou-se em direito pela Universidade de Coimbra. Participou do movimento literário “medievistas” da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das ideias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho. Contribuiu com diversos periódicos como: Jornal do Commercio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia, publicando crônicas, folhetins teatrais e crítica literária. Retornando da Europa de um tratamento médico em 1864 no navio Ville Boulogne, sofreu um naufrágio na costa brasileira no Maranhão, sendo ele sua única vítima. Por toda sua trajetória podemos afirmar que o poeta incorporou uma ideia de Brasil na literatura nacional.
Principais Obras: Primeiros cantos (1846); Leonor de Mendonça (1846); Segundos contos (1848); Meditação (1848); Últimos contos (1851); Cantos (1857) – incluindo todos os poemas e 16 inéditos; Os Tymbiras (1857).
  

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima