domingo, 14 de outubro de 2018


V SARAU VIRTUAL



(Homenagem aos poetas Catulo da Paixão Cearense, Mário de Andrade, Antonino Oliveira Júnior, Vinícius de Moraes, Mário Faustino, Luiz Carlos Monteiro, Edwiges de Sá Pereira, Humberto de Campos, Raul de Leoni e Carlos Drummond de Andrade)


Nesta V edição do “Sarau Virtual”, o DCP reuni cinco poetas contemporâneos que se destacam no cenário literário pernambucano: 
Auzeh Freitas, Cláudio Noah, Dantas Jade, José Luiz Mélo e Margarete Cavalcanti




AUZEH FREITAS*











“A poesia é importante, porque nos agiganta nas palavras e perdemos a dimensão do verbo. Nada é pequeno, tudo se faz imenso. É o alimento da minha alma. E se há mel em mim, abelha rainha poliniza versos.”


PESQUEIRA, UM POEMA DE AMOR

Dos caminhos que a carruagem da vida fez
na sala do meu coração ficou a poeira
que deixo se unir à neblina do tempo,
Para eternizar meu doce Pesqueira.

Uma estação e um cruzeiro
brilho de incontáveis estrelas,
braços abertos igual Cristo Redentor.
Faz de Pesqueira um poema de amor.

O palácio do Bispo e Dom Mariano,
a Rosa das minhas festas, o Cristo Rei
bailes nobres no 50. Simples nos Radicais.
Lembranças que não esquecerei

A Peixe, seus doces e aquela chaminé
que na minha memória ainda sopra
a fumaça da PAZ, do Trabalho e da Fé.

Sou poetisa, guerreira sem medo.
Dentro de mim, Santa Águeda
a força das pedras e do lajedo.


*Auzeh é pseudônimo de Maria Auzerina de Freitas, pernambucana de Pesqueira. Professora, poeta declamadora, atriz e guerrilheira cultural. Têm trabalhos divulgados na net, livros e Antologias no Brasil e em Portugal. Participação em comerciais e curtas-metragem. Membro da SOPOESPES, Soc.dos Poetas e Escritores de Pesqueira, SPVO - Soc. dos Poetas Vivos de Olinda, SPVA - Soc. dos Poetas Vivos e Afins do RN, Grupo Corujão da Poesia, Universo da Leitura do RJ. Embaixadora em PE.




CLÁUDIO NOAH*




“Considero que a poesia é uma constante digestão interior das impressões que nos rodeiam e se acumulam em algum lugar lá por dentro da gente. Trazê-las ao mundo tridimensional, esse em que vivemos e interagimos, através de palavras ou notas musicais é um excelente exercício de autodescobrimento e veneração à vida e às pessoas.”


A BOLA DA VEZ

Chego na bruma da noite
Sou quem estava por vir
Trago-te corte e açoite
Sulfa, veneno, elixir
Meu olho de vidro é quebrado
Salivo da cor do açafrão
O cadarço do meu sapato
Rabisca estrelas no chão

Sou boto, sou cobra de fogo
Fazendo teu ventre tremer
A bola da vez no teu jogo
E o drible que falta a você
Tenho na mão bem riscado
O eme dos maracatus
Na goela meu nó é dobrado
Meu sangue é de pó, vento e luz

Na ponta da lança a cabeça
Do teu mais antigo ancestral
Não me negues acaso amanheça
Meu rastro deixei no quintal
E pra terminar dou por dito
O que te permito ouvir
No teu abajur deixo escrito
Apaguei à luz ao sair


ROMÃ

Trago em mim do tempo na estrada
A brisa leve e solta da manhã
No beijo de partida ou de chegada
O doce azedume da romã
Por dentro em mim há muito e quase nada
Fincado em minha pele pelo afã
Nos olhos uma noite estrelada
E boca adentro um gosto de hortelã

Ventos, velas, direção
Gentes, vidas, coração
  
*Claudio Noah é pernambucano de Recife, nascido em agosto de 1961, músico, cantor e compositor além de amante das palavras, que segundo o mesmo, “parecem gostar mais de mim do que mereço”. É parceiro de trabalhos musicais com Zeh Rocha, André Macambira, Lucas Crasto, entre outros músicos e cantores pernambucanos, não tendo ainda lançado publicação exclusivamente de poesias, o que espera fazer brevemente.



DANTAS JADE



Diante da poesia sou apenas encantamento e avidez. Em alguns poemas, me sinto livre para voar com as palavras. Com outros, mergulho em ondas grandes demais para mim. Nestes, a poesia me absolve das minhas próprias loucuras e imperfeições, esfinges no construir e demolir, tentando encontrar a outra face, oculta no desafio das palavras, viciada que sou em intensidade.”


ITINERÁRIO

meu poema é um continente de emoções intactas
porque o tempo da leveza deixa rastros

meu poema guarda uma espécie de loucura
alimentando o ardor das chamas resguardadas

meu poema reflete o mistério das noites
adormecido além da eternidade sublimada

com a mesma luz que adoça o ritmo dos amores
e o itinerário ilimitado das miragens

e no silêncio do ardor apaziguado
inesgotável como toda insensatez

com as metáforas das palavras me ultrapasso
sou uma nave viajando em miragens



JOSÉ LUIZ MÉLO



“Pergunto-me, é possível poesia no sórdido, no escabroso? Qual o toque na alma para despertar o sentimento da poesia nestas circunstâncias? E a sua beleza, seria uma beleza com outras circunferências e reentrâncias? Pergunto-me, o ser (pessoa, gente) sórdido (como julgar quem o é sem mostrar-se severo ou complacente?), qual encanto acharia num poema de nuvens e de estrelas, de pássaros canoros e peixinhos azuis. E um outro ser, (assim, como nos vemos), de que maneira sentiria o fluido transeunte do poema em um (verso) sórdido e nauseabundo? Alguém já leu algum poema sórdido? Eu li, e desentranhei o sórdido do seu novelo para tocar no humano, um outro modo de ser verdadeiro.”


VENEZIANAS

25/04/2018

Tenho vontade de lançar-me aos ares
como um pássaro livre e enlouquecido;
abrir as asas planas, pendulares,
me ver voando no desconhecido.

Exceder! Imergir dentro dos mares
em caverna abissal; submergido
na cratera mais funda; em lupanares
onde nenhum pecado é proibido.

Depois me dessangrar; deixar meu sangue
fluir aos borbotões; num bangue-bangue
ser o índio que ataca a caravana

nas planícies sem fim; salvar a moça
que é refém do bandido; e na palhoça
dos seus braços fechar as persianas.



MARGARETE CAVALCANTI



“A poesia para mim, é uma adição de conhecimentos que me faz atribuir a maneira de conviver, criar e viajar nas minhas emoções e meus sentimentos. São palavras extraídas de uma lavra com um universo amplo. A poesia me protagoniza, enfatiza e ama, sempre em sã consciência. Materializa e idealiza-me. Faz-me conviver em um mundo de fantasias, expectativas e magia. A poesia me irradia.”


SINTA-SE VIVO

Às vezes é difícil perceber que se está vivo.
Passam-se segundos, minutos, dias, anos... O que aconteceu?
Por que você deixou de viver uma vida que muitos gostariam de ter?
Viver não é tão fácil. É preciso compreender a sua missão.
Não adianta ouvir sermões do tipo “levanta!”, “seja forte!” ou “faça alguma coisa!”.
Nada disso. É preciso motivos!
Quando você parar de medir forças contra si próprio e contra as pessoas que em nada te acrescentam,
talvez você esteja preparado.
Deixe fluir suas ideias, pensamentos e sonhos.
Não se permita criticar por pessoas vazias. Critique a si próprio, faça perguntas a você mesmo.
Aceite as respostas que vêm de dentro de você, assim, poderá enfim começar a viver.


*Maria Margarete de Oliveira Cavalcanti é natural de Limoeiro. Veio residir ainda criança no Recife, onde estudou, casou e teve quatro filhos. Atualmente dedica-se à literatura. O lançamento de sua primeira obra, o paradidático intitulado “O jabuti”, se deu no ano de 2018. Recebeu medalhas por incentivo à literatura, revelação da poesia no ano de 2017 e o troféu de revelação literária filantrópica. Foi homenageada no livro “Mulheres que mudaram a história de Pernambuco” edição 2017 e na revista “Perto de Casa”, como exemplo de mulher empreendedora. Participou do concurso de poesias do almanaque artístico e lusófono “Revoada das Artes” com o poema “Natureza”, estando entre as dez melhores. Tomou posse na Academia Internacional de Letras e Artes. Participou das seguintes antologias: antologia de Raimundo Carreiro, Antologias “Essência Poética” e “Sonhos de Todos Vol. II” da escritora Cema Lins, Antologia “Universo da Poetisa e poetas seguidores” da escritora Alessandra Brander e Antologia “Os 10 Mandamentos” do escritor e jornalista Cássio Cavalcante. Teve, ainda, participação especial na obra “Contos Rimados – Frases & Pensamentos”, do escritor Xavier de Barros.














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Editores: Natanael Lima Jr, Frederico Spencer e José Luiz Mélo