quinta-feira, 17 de maio de 2018


II SARAU VIRTUAL



PARTICIPAÇÕES

JOSÉ TERRA, LÁZARA PAPANDREA, IVAN MARINHO, FLÁVIA SUASSUNA E TACIANA VALENÇA



JOSÉ TERRA

“Escrever é saber ver Poesia em todo lugar e trabalhar em cima dos detalhes. Sou perfeccionista e Poesia é alimento para mim. Ser Poeta é um desafio em qualquer parte do mundo. É contribuir com participação e respeito na existência de outras pessoas.”



O PRINCÍPIO É A MULHER

Tudo que é lírico
Tem a sensibilidade em forma de mulher
É quando a pétala feminina
Anuncia a nossa humanidade
Em qualquer hora do dia
Na língua do fogo
Para além do Poema


A HUMILDADE DE JESUS

Quando lancei minha Poesia no ar
Com a mão direita do vinho e a mão esquerda da rosa
Todos (sem exceção!) pegaram meus poemas :
Loucos, Lúcidos, Poetas, artistas em geral...
Rainhas Camponesas, Princesas Urbanas,
Mães de todas as épocas...
Putas, Gays, Alcoólatras, Drogados, Todos os marginalizados...
Lobos, Porcos, Cachorros, Gatos...
Só restou um Poema!
Jesus veio à Terra e pegou o meu Poema
Para proclamá-lo no Novo Sermão da Montanha
E no Recital de Poesia do Céu



LÁZARA PAPANDREA (MG)*


“A poesia para mim é caminho e descaminho, ponto de chegada e partida, lugar de não estar, do qual recolho abismos e rosas.”


UM TEMPO DE:

Quisera um tempo sem chuvas
onde as luvas do dia caíssem feito sol
nas abóbadas do ar sem precisar
desse intento de nãos nas faces da tarde
Sem precisar esses disfarces sombrios
abraçando as montanhas
Quisera um tempo
onde as entranhas da terra gemessem
um estranho vento de luz
E um fogaréu de azuis se estendesse
pelo céu como um manto de virgem louca
costurado à boca das eras
Um tempo onde as megeras do sol
montassem os esplêndidos cabelos do vento
e afugentassem as sombras cavernosas da noite que chove
Um tempo onde as dores do mundo
estivessem de luto perpétuo e que o luto fosse luz e desapego
Um tempo.
Um tempo de.
Senão o que esperar do céu?


*Lázara Papandrea, natural de Pouso Alegre, MG. Publicou o livro de poemas " Tudo é Beija-Flor", Editora Penalux. Escreve regularmente no blog www.vestesdepalavras.blogspot.com 



IVAN MARINHO


“Vejo a poesia mais como voo, do que asa”.


GUERRA E PAZ

Forjar o ferro e fazer o fuzil
Que apontará na sua direção.
Obedecendo a lei tão cegamente
Que as flores cruzarão sua janela.

As velas continuarão acesas
E, abertos, olhos permanecerão
Vidrados na esquife que emoldura
Toda imobilidade do silêncio.

Ou rasgará com uma faca de fogo
E as velas com o vento apagarão,
O sangue fertilizará o solo
Que se dará ao corte do arado.

Entre o que grita e o que se cala

Vagando pela mão e a contramão,
Semeada a poesia sobre a terra,
Sem saber se o fruto é um dom da paz
Ou se ela, a paz, fruto da guerra.



FLÁVIA SUASSUNA


“Escrevo para entender e para explicar. Quando a clareza é boa, uso a prosa; quando as coisas estão confusas e apenas intuo compreensões, escrevo poemas, que são a tecnologia de ponta de uma língua. Ou seja: quando a gente não sabe, escrevendo poemas, a gente vai devagar descobrindo. A poesia é isto: uma ferramenta de elaboração das novas compreensões.”



DAMASCO


Também
já houve em mim
usança de silêncio:
fui tarântula vã
que tecia o nada
no extravio da seda.

Concebia fendas
tecia grotas
arrenegava o fio
que me urdiria o ser.

Tarântula ou ostra:
engendrava a pérola
que se perdia
de guardada.

Mas me cansei de morrer.

Preciso ser tarântula
para compor
o tecido que me faz;
careço lavrar, na seda,
o desenho
que me cria.

Minha voz agora
me faz
me descortina
me lança
me mata
de ventura.

Porque nasci tarântula
nasci para tecer:
segrego a seda
e com ela
teias são tecidas.

Não importa
o indizível:
tanto urdirei
contra ele
que se estiolará.

Minha palavra
ou minha teia:
seda e vazio
que concebo
que me concebem
para além
de meu destino
de inseto.



TACIANA VALENÇA

“A poesia está em mim por toda uma vida. Eu amo poesia, é um carinho para minha alma, uma terapia, um ato de expurgo do que entala, move, mexe e explode em linhas que, de alguma forma, me deixam mais leve e feliz.”



MAR MANSO

Salvaguardar a tranquilidade
no vazio do esquecimento.
Mar manso nas mãos,
dominadas pela ilusão.

Não se anseia no perene,
arco-íris além mar,
distante tão distante
sabe-se lá onde vai dá.

Cinzas jogadas sobre as águas,
delicadamente descansam,
quem sabe sobre estrelas
que às sereias encantam.

E que se ouça seu canto
no baile triste do desencanto,
ecoando aos ouvidos aturdidos,
verdadeiro motivo do mar manso.




4 comentários:

  1. quero parabenizar aos poetas que contribuíram com seus poemas para abrilhantar o nosso sarau. Meu muito obrigado.

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  2. Gostaria de Parabenizar os amigos Poetas Natanael , Frederico e José Luiz por terem me publicado no segundo sarau virtual do Domingo com Poesia!Fico feliz de estar ao lado do Poeta Ivan Marinho e das brilhantes Poetisas Taciana Valença, Flávia Suassuna e Lázara Papandrea

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  3. Excelente a qualidade dos poemas. A poesia mais próxima da gente!

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  4. Poemas de altura e beleza... Parabéns aos poetas participantes do Sarau! Feliz por estar entre gente de alta vocação, como os editores!

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Editores: Natanael Lima Jr, Frederico Spencer e José Luiz Mélo