domingo, 28 de fevereiro de 2016


PANORAMA LITERÁRIO

4º PRÊMIO PERNAMBUCO DE LITERATURA




São 40 mil em prêmios e a publicação dos livros pela Cepe Editora. Este ano as inscrições são exclusivamente online. Mais simples, impossível. Mas não deixem de ler o edital em www.cultura.pe.gov.br/literatura




GRÁMÁTICA DO CHOVER NO SERTÃO, NOVO LIVRO DO POETA EUGENIO JERÔNIMO


Escritor pega as veredas da tradição popular e valoriza artesanato poético






No livro Gramática do chover no sertão, o poeta Eugenio Jerônimo utiliza as formas consagradas pela lírica sertaneja, mas não abre mão de refinados recursos de linguagem.
 
Mourão, decassílabo, sextilha, sete-linhas, oitava-rima, galope, quadra, quadrão. Esses são os modelos poéticos com que o pernambucano Eugenio Jerônimo escreveu o seu Gramática do chover no sertão. Quanto à temática, o autor também se serve de assuntos centrais da lírica sertaneja, como a antítese seca, que simboliza o martírio do sertanejo, versus inverno, que representa a redenção do povo do interior nordestino. Na lista temática aborda também o passado como paraíso da felicidade perdida e a desestabilização produzida pelas rápidas mudanças tecnológicas e sociais. Sem esquecer de criticar a ganância desmedida da indústria de cultura de massa, que surge como ameaça à sedimentada e rica cultura local.

O poeta adverte que “fazer poesia popular não é enfileirar uma sequência de rimas em ‘ão’, apenas para satisfazer a exigências de métrica e rima”. Assim, o autor persegue o artesanato poético. “Existe a equivocada visão de que a arte popular é espontânea. Ora, isso é uma ignorância. Espontaneidade é do plano da realidade, não do plano da literatura, e menos ainda da poesia. Como toda expressão artística, a poética popular é invenção, trabalho artesanal”, completa Jerônimo.

Exemplos desse artesanato poético são os versos de Gramática do chover no Sertão: “Em tenor o trovão toca trombeta”, em que é evidente o efeito da aliteração do fonema /t/ para imitar a voz do trovão; ou “Vê-se o homem uma gaita assoprando/Numa espiga de milho do monturo”, metonímia na qual o movimento de comer milho é transposto para o de tocar uma gaita. Ainda outro exemplo, este do poema Quando o tempo era menino: “Hábeis mãos solteironas de uma tia/De fazenda poupavam certa sobra,/De boneca faziam prima obra./Um botão de ser olho se fingia”, quando mais uma vez Eugenio Jerônimo recorre à metonímia.

O livro está dividido em três seções: Poemas a granel, onde se agrupam textos de maior fôlego; Versos de sete polegadas, que se compõe de poemas curtos; e Paiol de pilhérias, que reúne os textos marcados pela natureza humorística e picaresca.

Natural de Iguaracy, Sertão do Pajeú, Eugenio Jerônimo lembra que viveu até a adolescência – o autor trocou o semiárido pelo litoral aos 16 anos – dentro da influência da cultura poética oral da região. “Nunca deixei de versejar em nossa tradição poética. Mas fazia isso apenas como exercício, para manter afiadas as palavras e a estética. Agora resolvi publicar um livro dentro dessa escola.”, revela.

Mestre em linguística pela UFPE e professor do ensino superior, o escritor lançou em 2009 o livro Aluga-se janela para suicidas(contos), em que aborda a violência urbana pelo viés do fantástico.

Edição Sustentável – O livro é editado pela Nordeste Cartonero. Tem projeto gráfico de Bárbara Dannielli e Adilson Jardim (criadores da editora) e capa assinada pelo último, que usa papelão reaproveitado de caixas de embalagens. Assim, cada exemplar – as capas são pintadas, finalizadas e costuradas a mão – é de fato uma peça única. O editor/artista chama a atenção para o fato de que a alternativa editorial não pode ser vista como solução barata e tosca, de acordo com o pensamento equivocado de alguns. “Vendemos livros, o trabalho intelectual de autores”, destaca Jardim.  


Serviço: 

Lançamento do livro Gramática do chover no sertão, com recital

Dia: 05 de março
Hora: meio-dia
Local: Mercado da Madalena – Canto Sertanejo, Box 15
Editora: Nordeste Cartonero
Valor: R$ 15,00



Um comentário:

  1. Muito felizes de poder participar deste espaço, Natanael Lima, e poder divulgar a cultura poética de nosso estado, de nosso país e do movimento cartonero, que vem crescendo em todo o planeta.
    Abraços de papelão.

    Bárbara Bárbara e Adilson Jardim.

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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima