domingo, 28 de fevereiro de 2016


CONTO DE FERNANDO FARIAS (CUECAS COLORIDAS)


Fernando Farias/Foto:divulgação




Comprei uma cueca amarela para a virada do ano novo. O gerente do banco me disse que o amarelo atrai dinheiro o ano todo. Minha esposa não gostou e me presenteou com cuecas azuis, azul do amor.

Minha filha diz que seria melhor usar uma branca, assim teria um ano de paz. A sogra fala do violeta, uma cor mística e alta influencia cósmica. Minha empregada diz que vermelha é a cor do sangue e de Marte, o deus da guerra.

Não sou supersticioso. Não acredito em cromoterapias, duendes, fadas e nem em Obama. Terminei ganhando de presente de amigo secreto um conjunto de 12 cuecas ecologicamente verdes, cor de Oxóssi, o meu santo de cabeça.

Faltando meia hora para meia noite, lá estava eu, enrolado numa toalha marrom, sentado no vaso sanitário e com dúvida se ficaria sem cuecas ou usaria todas as sete cores do arco íris, uma cima da outra, como forma de agradar a todos os santos, profetas e influências planetárias.

Faltando cinco minutos, meti a mão na gaveta e peguei uma das cuecas aleatoriamente. Nem olhei a cor. Nada de errado aconteceria comigo por causa de uma cor de cuecas.

Meia noite, vendo os fogos na televisão, ouvindo as musiquinhas chata do pisca-pisca chinês da árvore de natal, fui abrir a garrafa de Cidra que estourou e a tampa acertou a cabeça de minha esposa. 
     
Fiquei viúvo. Estou de luto. A superstição atrai mesmo o azar. Nunca mais uso cuecas pretas na virada do ano.



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima