domingo, 8 de novembro de 2015


A POESIA DE MAXIMIANO CAMPOS*


Maximiano pertenceu a
Geração 65 / Foto: divulgação





APELO AO QUIXOTE*

Não deixes que a tua
armadura enferruje.
Principalmente no peito
que perto do coração.

Segura a espada
larga o escudo,
pois medo não é proteção.
Permite que o Sol bata na poeira
e o vento leve o sujo
do aço que te cobre.

Na loucura, só na loucura,
estarás liberto. O teu mito
é Sol, liberdade e céu aberto.


*In Lavrador do tempo, 1998



O FILHO*

A Eduardo e Antônio Campos

Que seja assim:
alegre sem desconhecer
a tristeza, capaz
de uma ilusão.
Forte sem apedrejar
derrotas, rebelde
sem destruir a mansidão.
Servo apenas do ideal
e sonho,
e rei da sua vontade.
Amando as pessoas
sem deixar que nenhum medo
o faça desconhecer a liberdade.


*In Lavrador do tempo, 1998



RETRATO IMPERFEITO

De tanto lembrar me esqueço
e é de sonhos que construo
o que vivo e busco e mereço.
E assim recordo
do recordar a lembrança
num tempo em que criança
fui o que hoje sou cópia:
retrato velho e imperfeito
de quem quebrou todos os brinquedos.




*Maximiano Accioly Campos foi um poeta, ficcionista e cronista pernambucano, nasceu em Recife, em 19 de novembro de 1941, e faleceu em 07 de agosto de 1998. Pertenceu a Geração 65 de escritores pernambucanos.



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