domingo, 5 de julho de 2015


ENTREVISTA COM O ESCRITOR RAIMUNDO CARRERO



“A literatura contribui muito com o processo educativo, mas o aluno não pode ser obrigado a ler. A leitura deve ser parte da sedução do leitor, leitura como resultado do entusiasmo do professor e a leitura deve se tornar um hábito saudável.”


 
Raimundo Carrero/Foto: Divulgação


Já entrando nas comemorações do nosso quarto ano de resistência no campo da literatura pernambucana, o DCP traz nesta edição uma entrevista exclusiva com o escritor Raimundo Carrero.
Carrero é considerado hoje como um dos ícones da literatura nacional. Nasceu na cidade de Salgueiro (PE) e chegando ao Recife, estudou e se tornou músico profissional, tocando sax num conjunto musical conhecido pelo nome de Os Tártaros. Trabalhou em rádio, televisão e no Diario de Pernambuco, atuou de forma incisiva no movimento armorial criado por Ariano Suassuna. É membro da Academia Pernambucana de Letras. Tem vários prêmios nacionais, inclusive o prêmio Jabuti no ano 2000.

DCP - Você é um homem religioso, acredita no diálogo com Deus. O ato de escrever é resultado desse diálogo ou da relação do homem com seu momento histórico, de sua relação com o mundo?

RC - Meu diálogo com Deus é permanente. Minha obra é realizada sob a bênção de Deus e acredito profundamente nisso. É Ele que me orienta e que me conduz. Estou convencido disso.


DCP - Qual a importância da literatura para a educação, você acha que poderíamos formar melhor nossos jovens a partir dela?

RC - É claro que a literatura contribui muito com o processo educativo, mas o aluno não pode ser obrigado a ler. A leitura deve ser parte da sedução do leitor, leitura como resultado do entusiasmo do professor e a leitura deve se tornar um hábito saudável.


DCP - Para você o leitor tem que ser fisgado pelo autor, isto é técnica ou o ato instintivo do escritor atuando no momento da criação?

RC - O autor deve ter suas técnicas de sedução. Mesmo que seja intuitivo. Mesmo parecendo contraditório, a técnica pode ser intuitiva e trabalhada pelo escritor.


DCP - Quem lhe motivou mais para você se tornar um escritor, o rock ou jornalismo?

RC - Não o rock especificamente, mas a música, a grandiosa música, por isso meu texto é musical. O jornalismo ajudou-me a disciplinar a palavra, a frase, por exemplo.


DCP - Literatura é esforço permanente?

RC - Sim. É preciso escrever e experimentar permanentemente.


DCP - Suas oficinas formam escritores?

RC - Com certeza. E tanto é verdade que tenho alunos premiados nacionalmente. Dois dos maiores exemplos são: Marcelino Freire e Débora Ferraz.


DCP - Você tem afirmado que todo escritor ou aprendiz- deve ser, antes de mais nada, um leitor voraz. A leitura é a base de tudo?

RC - A leitura é a oficina permanente do escritor. É preciso ler, ler e ler; escrever, escrever e escrever.


DCP - Com 17 livros editados, sendo um escritor premiado nacionalmente, sem ter saído do Recife para enfrentar o mercado, qual avaliação que você faz para o alcance deste sucesso?   

RC - Eu não sei se minha obra é realmente um sucesso. É o resultado, sem dúvida, de um grande esforço com prêmios, ótimas críticas, traduções e boas vendas. Mas prefiro achar que é apenas um resultado do meu empenho. Tenho grandes esperanças de ainda escrever uma grande obra.


DCP - O seu romance ‘O senhor agora vai mudar de corpo’ foi o mais importante tecnicamente produzido?

RC - O Senhor agora vai mudar de corpo é um livro técnico porque evitei o meramente emocional. Escrevi o que ensino nas oficinas.


DCP - As novas tecnologias contribuem para a formação de público leitor?

RC – Escrever no computador é muito mais simples do que escrever na máquina de datilografia. Esta, me parece, ser a principal vantagem da tecnologia. As outras tecnologias são complementares.



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