domingo, 22 de março de 2015


OLEGÁRIO MARIANO – O POETA DA BOA CAUSA

O DCP celebra nesta edição a trajetória de mais um importante escritor brasileiro: Olegário Mariano.



Olegário Mariano foi poeta, político
e diplomata.
Foto: reprodução


Olegário Mariano nasceu em Recife, em 24/03/1889, faleceu na Cidade do Rio de Janeiro em 28/11/1958. Foi poeta, político e diplomata. Membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira nº 21. Filho de José Mariano Carneiro da Cunha e Olegária da Costa Gama, ambos, heróis pernambucanos da abolição da escravatura e da implantação da República.

Estreou na literatura aos 22 anos de idade com o livro “Angelus” em 1911. Sua poesia falava de neblinas, cismas e de sofrimentos, perfeitamente identificadas com os preceitos do Simbolismo, já em declínio. Foi conhecido como o “Poeta das Cigarras”, por causa de um dos seus temas prediletos. Foi Deputado e participou da Assembleia Constituinte em 1934 que elaborou a Carta Magna. Foi Ministro plenipotenciário nos Centenários de Portugal em 1940. Foi Embaixador do Brasil em Portugal. Foi delegado da Academia Brasileira de Letras na Conferência Interacadêmica de Lisboa para o Acordo Ortográfico de 1945. Após a morte de Olavo Bilac foi eleito pela crítica como o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”. Sua poesia era lírica com fundo romântico, pertinente à fase do sincretismo Parnasiano-Simbolista de transição para o Modernismo.

Principais Obras: Angelus (1911); Sonetos (1912); Evangelho da sombra e do silêncio (1913); Água corrente (1917); Últimas cigarras (1920); Castelos na areia (1920); Castelos na areia (1922); Cidade maravilhosa (1923); Bataclan (1927); Canto da minha terra (1931); Destino (1931); Enamorado da vida (1937); Poemas de amor e da saudade (1932); Cantigas de encurtar caminhos (1949); Toda uma vida de poesia (1957).
  
Os editores


Dois poemas de Olegário Mariano


Castelos na areia*

— Que iluminura é aquela, fugidia,
Que o poente à beira-mar beija e incendeia?
— É apenas a criação da fantasia: —
São castelos na areia.

Andam, tontas de sol, brincando as crianças
Como abelhas que voaram da colmeia.
Erguem torreões fictícios de esperanças...
São castelos na areia.

Ao canto de um jardim adormecido:
"Por que não crês no afeto que me enleia?
E as palavras que eu disse ao teu ouvido?"
— São castelos na areia.

E o tempo vai tecendo, da desgraça,
Na roca do destino, a eterna teia.
— "E os beijos que trocamos?" — Tudo passa,
São castelos na areia.

Coração! Por que bates com ansiedade?
Que dor é a grande dor que te golpeia?
Ouve as palavras da Fatalidade:
Ventura, Amor, Sonho, Felicidade,
São castelos na areia.

*Do livro Castelos na areia (1922)


Paganismo*

Sinto às vezes horror do modo diferente
Com que em louca emoção voluptuoso te espio,
Meu suave amor que tens a figura inocente
De um lírio muito branco, um lírio muito frio.

Ao meu olfato chega o perfume doentio
Do teu corpo mudado em corpo de serpente:
E através desse aspecto anêmico e sombrio
Meu desejo passeia alucinadamente.

Fauno, os olhos boiando em volúpias bizarras,
Quem me dera que tu viesses, na noite escura,
Minha fronte adornar de crótons e de parras,

E na calma do bosque onde o meu sonho medra,
Unisses para sempre, entre o amor e a loucura,
Os teus lábios de sangue aos meus lábios de pedra.


*Do livro Angelus (1911)



Um comentário:

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima