domingo, 15 de fevereiro de 2015


POEMAS DO DOMINGO

Poemas de Cecília Meireles, Menotti del Picchia, Carlos Pena Filho, Natanael Lima Jr e Frederico Spencer


Img: reprodução



Carnaval
Cecília Meireles

Com os teus dedos feitos de tempo silencioso,
Modela a minha máscara, modela-a...
E veste-me essas roupas encantadas
Com que tu mesmo te escondes, ó oculto!
Põe nos meus lábios essa voz
Que só constrói perguntas,
E, à aparência com que me encobrires,
Dá um nome rápido, que se possa logo esquecer...
Eu irei pelas tuas ruas,
Cantando e dançando...

E lá, onde ninguém se reconhece,
Ninguém saberá quem sou,
À luz do teu Carnaval...
Modela a minha mascara!
Veste-me essas roupas!
Mas deixa na minha voz a eternidade
Dos teus dedos de silencioso tempo...
Mas deixa nas minhas roupas a saudade da tua forma...
E põe na minha dança o teu ritmo,
Para me conduzir...



As Máscaras
Menotti del Picchia

O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...
e a Pierrô, minha alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu... 
outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar
e, em verdade, toda razão do amor
está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!



Soneto principalmente do carnaval
Carlos Pena Filho

Do fogo à cinza fui por três escadas
e chegando aos limites dos desertos,
entre furna e leões marquei incertos
encontros com mulheres mascaradas.

De pirata da Espanha disfarçado
adormeci panteras e medusas.
Mas, quando me lembrei das andaluzas,
pulei do azul, sentei-me no encarnado.

Respirei as ciganas inconstantes
e as profundas ausências do passado,
porém, retido fui pelos infantes

que me trouxeram vidros do estrangeiro
e me deixaram só, dependurado
nos cabelos azuis de fevereiro.



Poema para uma quarta-feira em cinzas*
Natanael Lima Jr.

nada além de uma noite vazia
sem gozo
sem brilho
sem fantasia
des
    c
    o
    l
    o
    r
    i
    d
    a

nossos corpos envolvidos
numa cinza paixão
de uma quarta-feira
sem vida

*Do livro “À espera do último girassol & outros poemas, 2011



Poemeto de carnaval
Frederico Spencer

Trocamos o Block pelo bloco
o Black pela fantasia
fomos às ruas
tomar as praças aos gritos
a ordem do dia
saudar o novo rei:
gordo anunciava
que só a alegria
tomará conta
de nossas vidas.



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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima