domingo, 23 de março de 2014


Poemas da Semana

Poemas de Alberto da Cunha Melo, Juareiz Correya, Antonio de Campos, Flávia Suassuna e Doralice Santana

César Leal*
Alberto da Cunha Melo

    Img: Reprodução

Pelo irmão Dante acompanhado,
em céus de escombros, céus antigos,
onde os enxames das estrelas
extraíam luz dos abismos,

o poeta das terras mortas,
aos novos anjos abriu portas

enferrujadas pela sombra,
tocando alto seu “tambor cósmico”
contra a luz rastejante, contra

aqueles tempos tão mesquinhos,
que cortavam rios e caminhos.

*Em Meditação sob os Lajedos, 2002



Aos poetas que não vivem o Recife
Juareiz Correya

    Foto: Reprodução

Recife, os que nascem aqui
vivem em ti
descobrem a mágica palavra
da luminosa poesia
dentro de ti
e não escrevem sequer um verso
uma rima pobre ou rica
ou um verso branco índio negro invento libertário
em tua homenagem
identificado com a lírica cidade
-mãe da poesia brasileira
e amante de todo poeta -
que tu és, Recife:
é um poeta que em qualquer cidade viveria
mas não é um poeta do Recife.

(Boa Vista, Recife / março 2014)



Ao Big Bang
Antonio de Campos

      à descoberta de vestígios do Big Bang

    Img: Reprodução

Deus disse: Faça-se a Explosão!

Há somente fogo
e a Matéria, sem retorno,
voando  espaço afora

Deus disse: Faça-se o Estampido!

Nunca houve Jardim qualquer
nem Adão, nem Eva
nem Serpente pregando na Árvore
nem nada do que alegam ter vindo em seguida

O pecado original
foi tudo ter ido pelos ares, ter explodido

Do Céu não se tem notícia
mas o Inferno
começou há 14 bilhões de anos!

março 18, 2014



Outras esperas – 1*
Flávia Suassuna

    Img: Reprodução

Outra pergunta
Perdi o sonho
e vivi o deserto.

Em que posso
acreditar
depois disso?

Medo
Temo desacertar
o desejo
depois de tanto
guardá-lo.

Última solidão
Estou cansada
de minha própria
solidão.

Nossas palavras
não se reconhecem
como os olhos
no espelho?

E agora?
Penso que
abandonaria
todas as cautelas...

E sinto medo
se te vejo...
 
Enfrentamento
O medo
é um preconceito
do tempo.

Desfazê-lo
é o imperativo
da vida.




Frida Kahlo
Doralice Santana

    Foto: Reprodução

Tanto tempo, tudo certo
A mente aberta e a morte, certa.
Para que pés se já sei voar
Para que corpo. A alma me basta já.
E todas as dores e os senões,
Tua indiferença e minhas sensações
Chilli, sal, doce de coco.
O pranto e a fé num santo de ferro
Nesta vida limitada me enterro
Uma dose de tequila
e uma viola miriachi por companhia.
Sobre um xale como meus sonhos
Flores coloridas, perdidas em seu bordado repousam
Estrelas boiando num céu noturno
“Y vivo la vida”
Teu amor uma mentira
Meu corpo despedaçado
Uma cama que anda por mim
Pinceladas de terror
“Unos tantos piquetitos”.





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