domingo, 11 de agosto de 2019


ENSAIO SOBRE A CANÇÃO ÁRIDA



Por Diego Mendes Sousa*



Foto: Diego Mendes Sousa


O livro de poemas "Ensaio sobre a canção árida" (Imagética Edições, 2019) de Natanael Lima Jr., traz em seu lombo de beleza metáforas magníficas e torneadas.

De aridez, senti bem pouco, salvo as palavras deserto, réptil, fontes insípidas, abutres, corvos, pedras, solidão...

Natanael Lima Jr. é poeta feito. Até receita de um bom poema ele sabe dar. Nesse deslumbramento da própria linguagem, Natanael arremata "o tempo com suas cálidas raízes", como assinala em outro glório verso.

Das suas canções, apreendo o testemunho de um autêntico aprendiz de incertezas, porque a vida já lhe deu a graça de "espreitar o tempo por entre frágeis janelas".



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RECEITA DE POEMA

Para preparar um poema
misture sentimentos e emoções
com as gemas do silêncio
e o sal das palavras.

Junte mistura de incredulidade e dissidência
à massa de espanto.
Acrescente azeite e fermento da terra
e mexa até obter uma massa indizível.

Leve ao forno preaquecido de incertezas,
a 250 graus de apostasia e impiedade.
Retire-o, ainda morno.
Sirva-o de preferência gelado.

(Poema de Natanael Lima Jr.)







*Diego Mendes Sousa nasceu na Parnaíba, no litoral do Piauí. Com a sua obra “Metafísica do Encanto” (2008), foi galardoado com o Prêmio Olegário Mariano da UBE-RJ. Como Escritor, é membro efetivo da Associação Nacional de Escritores (ANE). Como Advogado e Jurisconsulto, pertence à Academia Brasileira de Direito. Como Jornalista, fundou o jornal “O Bembém”, com Benjamim Santos e Tarciso Prado. Atualmente, é Funcionário Público Federal.  





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