75 ANOS DE JACI BEZERRA, ESCRITOR DE ALAGOAS E DE PERNAMBUCO



Por Juarez Correya



Publicado em jornal-jc.blogspot.com agosto 19, 2019



Jaci Bezerra no Recife (2007)
- Foto : Fred Jordão / Imago




PAISAGENS DE BOLSO



RECIFE: GEOGRAFIA PESSOAL


Guarda a cidade num dos arquipélagos da alma 
como quem guarda na estante os seus poetas prediletos :
Bandeira, Cardozo, João, Carlos Drummond de Andrade.
E sabe, ao amorosamente folheá-la,
que pode ir dormir como homem e acordar como acácia.
Nada capaz de assustar a poesia.
Apenas, depois que a conheceu, aceitou ficar assim
povoado de beirais e torres de igrejas
para sustentar andorinhas no ar. 
E branco, todo branco, com a alma em cal viva
lavra esse metro de lembrança e luz
com um solitário rio no meio: cantando. 


NOÇÃO DE PERNAMBUCANIDADE


Quando é verão no Recife e as acácias
 se preparam para voar, tudo é abril nos corações:
os que amam sentem desmanchando-se na  boca
um gosto de azul e água, cajueiros e sol
enquanto o rio soluça ferido de luz
carregado de paisagens mansas e pacificadas. 
Milagre do amor, que vai até onde o amor é lembrança:
o Recife, ulcerado, passeia dentro de nós 
pesado de vivos e mortos também ulcerados.   


(Poemas transcritos da antologia 
POESIA VIVA DO RECIFE
- Companhia Editora de Pernambuco-CEPE,
Recife, 1996)    



JACI BEZERRA - Nascido em Murici (AL), no dia 19 de agosto de 1944, o poeta, ficcionista, dramaturgo, sociólogo e editor reside no Recife desde o ano de 1959. Faz parte da Geração 65 de escritores pernambucanos, desde as suas nascentes - o Grupo de Jaboatão.  Graduou-se em Ciências Sociais pela UFPE. Publicou os seus primeiros poemas no Diario de Pernambuco, em 1966, por intermédio do poeta e crítico César Leal. Foi um dos líderes do grupo que criou as Edições Pirata, em agosto de 1979. Tem poemas incluídos em mais de 10 antologias brasileiras e é responsável pela organização de 5 antologias pernambucanas.  Livros publicados: Poesia - Romances (1968), Lavradouro
(1973), A Onda Construída (1973), Inventário do Fundo do Poço (1979), Signo de Estrelas (1981), Livro de Olinda (1982), Livro das Incandescências (1985), Comarca da Memória (1994), Linha d'Água (2007).  Contos: Os Pastos da Minha Lembrança (1981).  Novela: Emílio Madeira, o Galo (1982). Teatro:
Auto da Renovação (1985), O Galo (1986).

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