domingo, 29 de abril de 2018


O ÉDIPO E SUAS CORRENTES

Por Frederico Spencer




Img. Capa: Divulgação





 “- Em não nasci assim, querido. O tempo irá transformá-lo na pessoa que você deve ser. E, apesar da vontade que tive de desistir, seu pai não permitiu. Ele me ajudou a “enfrentar” a plateia e a dominar meus medos. – Bambina acariciava os cabelos ruivos de Benjamim, enquanto o encorajava.”
Édipo Santos



“Em Busca do Circo das Sombras”, é o título do primeiro livro publicado por Édipo Santos, um engenheiro mecânico, que nas poucas horas vagas constrói histórias, explorando o realismo fantástico como ferramenta para dar vasão aos personagens que povoam sua imaginação desde sua infância na cidade de Custódia, interior de Pernambuco.

O livro narra a história de Benjamim, jovem que vive em um circo e que sempre sonhou conhecer a sua mãe que faleceu logo após seu nascimento. Em sua jornada termina descobrindo fatos que abalam completamente a vida de todos que trabalham no circo. Assim surge a saga do “Em Busca do Circo das Sombras”, como afirma o escritor: “O circo é e sempre será um mundo de fantasias e emoções...onde os sonhos vão além de qualquer limite”. Vamos conhecer um pouco mais de Édipo Santos:

DCP - Você é engenheiro mecânico, trabalha na indústria e ainda cursa um mestrado na área de tecnologia da energia, como a literatura entra no teu processo de produção?

ES - Apesar de sempre ter perfil de exatas desde muito cedo, eu sempre fui muito criativo. Sempre imaginei coisas que as outras pessoas não imaginavam. Até tentei passar essa criatividade para o papel quando eu era mais novo, porém eu não saía das páginas iniciais. Foi então que no meio dessa rotina corrida entre o trabalho e o mestrado que eu decidi ir até o fim, organizando meus pensamentos criativos em algo mais concreto. Foi assim que consegui escrever o meu livro.

DCP - Quando a literatura começou a fazer parte de sua vida?

ES - Quando eu era criança, em torno dos 8 anos de idade, eu lia várias histórias em quadrinho. Sempre que podia, eu estava lendo alguma história da Turma da Mônica ou do Pato Donald. Entretanto, quando eu cheguei na adolescência, eu fiquei com muita preguiça de ler. Eu quase não lia nada nesse período. Era como se as histórias que chegavam até mim não me dessem vontade de continuar. Mas quando eu fui ficando mais velho, por volta dos vinte anos, a vontade de ler me retornou. E foi então que eu percebi que o problema de falta de interesse em ler era devido aos gêneros literários que eu estava lendo. Não que o problema fosse o livro em si, mas sim o tipo de livro que eu lia. Depois que eu comecei a filtrar os gêneros que eu me interesso, passei a escolher mais adequadamente minhas leituras. Hoje em dia, eu sempre estou lendo algum livro.

DCP - Dê sua opinião sobre a importância da literatura hoje!

ES - Hoje eu classifico a literatura como uma das artes mais importantes que existem, pois ela é capaz de nos levar para onde queremos. Desde um aprofundamento na realidade em que vivemos, até uma fuga dos nossos problemas cotidianos, onde todos os nossos sonhos são possíveis.

DCP - Sendo um menino criado no interior do Pernambuco, qual a importância do circo em sua vida?

ES - Todo mundo que viveu a infância no interior sabe da alegria que o circo traz quando chega na cidade. É como se os artistas do circo fizessem aquelas coisas incríveis que a gente via nos filmes ou coisas do gênero. Era como se eles tivessem superpoderes, e isso me impressionava muito.

DCP - Onde está o circo das sombras? A busca ainda persiste até hoje?

ES - Apesar de o Circo das Sombras ser algo concreto no livro, ele também representa metaforicamente nossas buscas por objetivos julgados impossíveis. E mais metafórica ainda é a jornada em busca dele, pois a evolução pessoal somente é possível através do caminho que percorremos para alcançar nossos objetivos.

DCP - O personagem Arlequim emana variações de cores de acordo com seu estado emocional, você acha que isto só acontece em literatura ou é uma constante em nossas vidas?

ES - A variação das cores do Arlequim com seu estado emocional pode ser comparada com a relação entre a nossa energia espiritual e os nossos sentimentos. Acredito que todas as pessoas emanam energia que atinge os outros ao seu redor, seja ela positiva ou negativa. A diferença é que às vezes nós conseguimos esconder essa energia, caso que não acontece com o Arlequim, pois ela se manifesta externamente.

DCP - Seu livro se serve do realismo fantástico para tratar sobre relacionamento humano, você acha que este é o único caminho?

ES - Na verdade existem diversas formas de tratar sobre o relacionamento humano. Eu apenas escolhi a que mais me atraía, e a que me proporcionava mais prazer em construir.

DCP - O personagem Benjamim dedica grande parte de sua vida em busca da mãe. Segundo Freud, a relação mãe/filho permeia as nossas vidas, você acredita nesta teoria ou a desmistifica?

ES - Acho que a relação mãe/filho vai além das questões terrenas, pois nós somos um pedaço que já pertenceu a ela. O que me faz acreditar que é uma das formas mais fortes de amor.

DCP - Por que você acredita no realismo fantástico como meio de expressão literária?

ES - Pois é através dela que todos os sonhos podem se tornar realidade. Na literatura fantástica, você é capaz de criar o universo à sua maneira, utilizando seu ponto de vista e sua imaginação na construção das coisas. E foi nessa linha literária que eu pude criar um dos meus universos. Falo “um dos meus universos” pois o universo do circo é apenas um dos que estão na minha cabeça. Várias outras fantasias ainda estão aqui dentro, esperando só a hora de se tornarem realidade no papel.

DCP - Quais seus projetos na área de literatura?

ES - Atualmente, ainda tentando encontrar tempo entre meu trabalho e meu mestrado, tenho me dedicado a divulgar meu primeiro livro e, principalmente, a escrever meu segundo livro, que será uma continuação do primeiro.













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