domingo, 12 de julho de 2015


ENTREVISTA COM A ESCRITORA FÁTIMA QUINTAS*



“A literatura me encanta pela sua capacidade de transfigurar a realidade e de exortar sentimentos que devem aflorar através da palavra”.


Fátima Quintas/Foto: Divulgação



A escritora e presidenta da Academia Pernambucana de Letras Fátima Quintas concede entrevista exclusiva ao DCP e fala sobre a produção literária no estado, literatura, sua gestão na APL e o seu mais recente livro.


DCP- Que balanço você faria sobre a produção literária no estado?

FQ - Pernambuco é um estado que se distingue pelas suas Revoluções Libertárias, pela efervescência de escritores e pela tradição de excelentes poetas. Não há como olvidar a sua importância intelectual no quadro nacional. O movimento literário se faz intenso, com novos nomes sempre a surgir e uma solidez de ideias invejável. Há, sem dúvida, uma sede de criatividade que cresce a cada instante.


DCP - O que lhe encanta na literatura?

FQ - A literatura me encanta pela sua capacidade de transfigurar a realidade e de exortar sentimentos que devem aflorar através da palavra. Palavra grito, reveladora de interioridades e exterioridades, a depender do foco que se almeja abordar. O ato de ressignificar é subjetivo, daí a renovação que a Letra permite no processo de transformação. Escrever é descerrar a cortina de um palco fechado.


DCP - A literatura é um fazer solitário?

FQ - Sim, absolutamente solitário. E reclama silêncio, sigilos, entrelinhas... A escrita ficcional deve sugerir, nunca explicitar de todo os sentimentos em jogo. O não dito pode representar a força do texto.


DCP - Fátima Quintas: antropóloga ou escritora?

FQ - Sou aprendiz da vida. Uma observadora da minha alma e dos suspiros alheios. Não tenho rótulos. Eles pesam e me confundem.


DCP - Na sua gestão a APL abriu literalmente as portas para atrair o público para o centro das conversas sobre literatura. Que balanço você faria da sua gestão?

FQ - A APL é de Pernambuco e dos pernambucanos. A instituição tem um compromisso com a sociedade, o diálogo deve ser permanente, há um pacto que selo na minha gestão, o de fortalecer o pensamento interno, de modo a transbordá-lo num ir e vir contínuo.


DCP - Como foi colocar Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre face a face?

FQ - Um trabalho de pesquisa profundo e um prazer enorme de juntá-los simbolicamente.


DCP - O Domingo com Poesia tem promovido uma ampla discussão sobre a produção literária do estado e nacional. Como você observa esta iniciativa?


FQ - Parabenizo a iniciativa. É sempre louvável o estímulo à produção literária. Todo intercâmbio merece aplausos. Somente através de parcerias avançamos nos nossos objetivos. E, tenho certeza, que o Domingo com Poesia avançará sempre na direção de uma ciranda em ritmo crescente.

*Entrevista publicada em 06/04/2015



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