domingo, 14 de junho de 2015


POETA DO DOMINGO


A Poesia de Antonio de Campos*



Antonio de Campos/Foto: Divulgação





GINGUIN*


Você todinha assim,
é ginguin pra mim

Quando você ginga
toda ginguin,
não sei o que
dá em mim

Se um dia você
não quiser mais
ser ginguin de mim,

antes me diga,
quero ir com você,
como se fosse
seu patoá, uma figa,

pois não sei ficar aqui –
num mundo
em que só você
era ginguin pra mim


*perfeita, em yoruba

maio 09, 2014



RIDÍCULAS CARTAS DE AMOR


Todas as cartas de amor são ridículas
mas só as achamos ridículas depois que as remetemos
Hoje, ninguém mais escreve cartas, muito menos de amor
Manda-se um e-mail, quando muito. E pronto

Todos os e-mails de amor são ridículos
mas só os achamos ridículos depois que os enviamos

Todas as cartas de amor são ridículas
mas as de Fernando Pessoa são as mais ridículas
escritas em português –

até no ridículo ele foi gênio!


dezembro 17, 2014



MEUS DIAS EM TORVELINHO


Torvelinho de meus dias
já de mim ausentes
e tão distantes
como a luz das estrelas

e os apitos dos loucos ferryboats
que passam na noite
de minha insônia

Réstia dolente
das setas da pedra da lua,
pesada âncora sem raízes

nem cabelos em sua calva
polida pelo desgaste do tempo
desde o Big-Bang




*Antonio de Campos poeta e tradutor. Nasceu no município de Pedra, PE, em 1946. Têm poemas traduzidos e publicados na imprensa pernambucana e outros premiados, em 1982, pelo III Concurso de Poesia do Mackenzie, SP, e I Prêmio Anual de Poesia Carlos Pena Filho, PE. Traduziu e prefaciou as Canções da Inocência e da Experiência (1987), do poeta inglês William Blake. Em 1992, organizou a antologia Natal pernambucano (Bagaço). 



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