domingo, 19 de abril de 2015


POEMAS DO DOMINGO

Três poemas de Tereza Soares*


Tereza Soares é da Academia
Cabense de Letras
  

Enquanto o silêncio...

Enquanto o silêncio,
Eu quero o grito
Que diz ao mundo do amor que mim resiste
Enquanto o paralelo, eu, horizonte
Onde tudo é caminho e a chegada chama

O tempo é engano de quem se estabelece

Vencendo o eterno, voando em sonho
Enquanto sombra, eu, sóbria mente
Sorrindo alegrias de verdade e cores

Graças, não ao que me entorpece
Mas a divindade que em mim responde
E enquanto o sono
Acordo em águas calmas
No rio de travessia lenta
Que me leva ao amor maior.


Im(perfeição)

O Universo é im(perfeito)
Nisso repousa a divindade
Quem nunca se dividiu para tornar-se inteiro?

A dualidade é ponto de partida
Mas se no meio não houver saída,
estaremos no redemoinho que nos joga e devolve circular

No furação, o olho, sem nada, tem tudo,
pois acolhe a verdade dos olhos fechados

Só a música tem ondas que fazem flutuar corpo e alma e uma metafísica quase chegando lá...

Lá onde o vento também canta e o pássaro acompanha até as oitavas

Seja lá como for, quero ir...

Ir e vir sonoramente dançando em degraus as escadas do tempo
Quem parafraseou algum dia, disse, sem querer dizer ao certo, mas tentou...


Se queres saber

Se queres saber o que sinto
Desprende-te de qualquer olhar mundano
Chega perto com humildade
Pra encontrar o ângulo certo de me ver

Se queres saber o que sinto
Observa o estremecimento que tua voz me provoca
Atenta para o desejo meu da tua boa
Acalma-te para o prazer do nosso encontro

Se queres saber o que sinto
Dispõe-te a me escutar com todos os sentidos
Aprende a saborear a fruta inteira
Vomita logo essas palavras desesperadas

Se queres saber o que sinto
Encontra-te comigo em pensamento
Atravessa-me com teus olhos ciganos
Ouve a minha música de sereia.



Tereza Soares é poeta, jornalista e da Academia Cabense de Letras. Esboçou suas primeiras tendências poéticas aos nove anos de idade. Ganhou prêmios em concursos de poesias no Colégio Salesiano, no Recife. Sua poesia galgou espaços na música com composições inscritas em festivais dos anos 80. Publicou poemas em folhetos do Cabo de Santo Agostinho e do Recife. A trajetória como recitadora levou-a a participar de atos públicos em defesa da mulher, da cultura afro, de causas educacionais e a favor da paz. É integrante do movimento literário do município do Cabo de Santo Agostinho desde 1977, participou ativamente do encontro “Celina de Holanda de Poetas Recitadores” realizado por quatro anos no Teatro Barreto Júnior do Cabo de Santo Agostinho. Participou de recitais poéticos do Recife e região metropolitana, em atos públicos e em programas de cultura. Participou no Movimento dos Poetas Independentes de Pernambuco e publicações nos Fanzines Só(l) de Versos, Boca do Lixo, Balaio de Gato, Poesia & Cia, Esquina. Publicou poemas em Jornais sindicais – Jornal do Sinpro - e em coletâneas como ‘O Poeteiro’ e ‘Poesias e Crônicas de Uma Terra de 500 Anos’.



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