domingo, 23 de novembro de 2014


A POESIA REGIONAL DE MAURO MOTA

Mauro Mota era chamado pelo
sociólogo Gilberto Freyre de
“poeta poetíssimo”

O Domingo com Poesia faz mais uma homenagem a um importante poeta pernambucano, desta feita a Mauro Mota. Poeta, jornalista, professor, contista e memorialista, falecido em 22 de novembro de 1984, aos 73 anos de idade. Membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Pernambucana de Letras, vencedor de vários prêmios como: Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, foi premiado pela Academia Pernambucana de Letras por suas Elegias (1952), além dos Prêmios Jabuti e Pen Clube do Brasil (1975) ambos com o livro Itinerário.

Mauro Mota nasceu na cidade de Nazaré da Mata, em 16 de agosto de 1911. Passou a residir em Recife onde estudou e formou-se em direito. Como jornalista foi secretário e redator-chefe do Diário da Manhã. Trabalhou no Diário de Pernambuco, chegando ao cargo de diretor, em 1956. Dedicou-se ao suplemento literário, abrindo caminho para as novas gerações.

Foi também superintendente do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, entre 1956 e 1970. Foi também diretor do Departamento de Documentação e Cultura da Cidade do Recife e do Arquivo Público Estadual de Pernambuco, de 1972 a 1984.

Como poeta, destaca-se por suas Elegias, publicadas em 1952. Nessa obra figura também o "Boletim sentimental da guerra do Recife", um dos seus poemas mais conhecidos. Sua poesia é de fundo simbólico, versando sobre temas nordestinos, retratando dramas do cotidiano em linguagem natural e espontânea.

Os editores



Três poemas de Mauro Mota


O Guarda-Chuva

Meses e meses recolhida e murcha,
sai de casa, liberta-se da estufa,
a flor guardada (o guarda-chuva). Agora,
cresce na mão pluvial, cresce. Na rua,
sustento o caule de uma grande rosa
negra, que se abre sobre mim na chuva.


Mudança

Não ficaram na mudança nem o pé de sabugueiro e o cheiro dos cajás,
os passos da mãe no corredor, a noite,
o medo do papa-figo, as sombras na parede.
A casa inverte a missão domiciliar, sai da rua.
A casa agora mora no antigo habitante.


A Chuva Cai Sobre o Recife

A chuva cai sobre o Recife devagar,
banha o Recife, apaga a lua, lava a noite, molha o rio,
e a madrugada neste bar.
A chuva cai sobre o Recife devagar.
A chuva cai sobre o telhado das casinhas de subúrbio,
canta berceuses a doce chuva. É a voz das mães
que estão no canto de onde a chuva agora veio.
A chuva cai, desce das torres das igrejas do Recife,
corre nas ruas, e nestas ruas, ainda há pouco tão vazias,
agora passam, de capote, transeuntes
do tempo longe, esses fantasmas de mãos frias.




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