domingo, 6 de abril de 2014


O Conto da Semana

Descoberta (conto) de Ducabellaflor

Ducabellaflor/Foto: Divulgação
  
Golpeando o cordão umbilical que lhe mantinha nas curvas da estrada, andava trôpega de sentidos concretos. Não havia parto de nada, mas sentia-se nascer. O desabrochar dos instintos seus ocorriam simultaneamente ao respirar descompassado do envoltório que lhe acompanhava. Sua alma sentia uma carícia e parecia estar algures, fora da carne morta. Isso tudo lhe cheirava poesia, e poema nenhum descreveria tal estado de ânimo. Um singularismo tão profético que já não sabia mais se ansiava todo aquele estado, ou vivenciava-o verossimilmente. O quente da azia, ocasionada pela ansiedade, subia-lhe até os lábios e sentia emanar deste processo o fragrante intrínseco alheio. Encontrava-se mais alta que as palavras e nada conseguira descrever tal sentimento. Atinou; só tinha-lhe, verdadeiramente, na ausência do outro. Só se percebia quando estava sem a companhia do outro. Só era sentida, quando o próximo lhe tocara. Só era canção, quando o desconhecido cantava-a. Só era poetisa, quando sentia os versos destilados do corpo do estranho. E como num impulso reflexivo retrógrado do que antes sentia, percebeu a bela jovem que estava a sofrer a doença crônica do amor falido; a saudade.





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  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima