domingo, 23 de março de 2014


Um Domingo Leal

Img: Reprodução




O Domingo com Poesia seguindo sua tradição homenageia nesta edição, por razão da data de seu nascimento, 20/03/1924, o poeta César Leal, nascido no município de Saboeiro (CE), viveu na cidade do Recife, até o seu falecimento (05/06/2013). Considerado como um dos maiores do século passado foi também jornalista e professor. Enquanto jornalista consagrou-se como crítico literário no Diario de Pernambuco, onde dirigiu um suplemento literário por mais de 40 anos.

Editou a Revista Estudos Universitários, da UFPE, durante os anos de 1966 a 2005, divulgando o trabalho de diversos poetas da chamada Geração 65. Foi professor emérito de literatura e criador do programa de Pós-Graduação de letras e linguística da Universidade Federal de Pernambuco.

Publicou mais de 30 títulos entre poesia, conto e crítica literária. Foi o primeiro poeta de língua portuguesa a gravar seus poemas para o acervo fonográfico da Biblioteca de Harvard (EUA), participando de encontros com importantes nomes da vanguarda literária e acadêmica dos Estados Unidos.

Em vida recebeu várias comendas, destacando-se a concessão do título de Cidadão Pernambucano, outorgado pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, na década de 90, e o título de Cavaliere da Ordem do Mérito da República Italiana, outorgado nos anos 80  pelo Presidente Sandro Pertini, por sua dedicação especial à obra de Dante Alighieri.

Foi membro titular do Conselho Federal de Cultura do MinC, do Conselho de Liberdade de Expressão e Criação do Ministério da Justiça e do Conselho Diretor da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Pelo conjunto da obra foi agraciado em 2006 com o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. No ano seguinte foi eleito para a Cadeira nº 23 da Academia Pernambucana de Letras, ocupada anteriormente pelo professor Evaldo Bezerra Coutinho.

Os Editores

Dois poemas de César Leal

Análise da sombra

Analisa-se da sombra
seu caráter permanente:
pela manhã retraindo
a imagem, à tarde crescente.
E aquele instante em que a sombra
adelgaça o corpo fino
como se no chão entrasse
quando o sol se encontra a pino.
Quem a esse instante mira 
em oposição ao lado
onde o sol era luz antes
logo vê o passo vago
da sombra que agora cresce
o corpo de onde se filtra
até fundir-se no limbo
que em torno dela gravita.
Forma esse limbo a coroa
que as sombras traz federadas:
soma de todas as sombras
num só nó à noite atadas.



Sutilíssimo eterno

Sutilíssimo eterno que habita 
minhas saletas interiores 
onde trago o tempo guardado 
noturno e resignado 

sutilíssimo eterno interior 
que como um tálamo é 
em minha alma limpa e sofrida 
como água dormida em pedra 

que eterna seiva alimenta 
este tempo em mim retido 
plumagem livre de flor 
forma exata imperecível 

sinto-te assim como um trunfo 
branda coroa do eterno 
além das nuvens, das águas 
ouço o teu metal desperto 

se existes no ser completo 
na cinza móvel das sombras 
por que retiras de mim 
tudo o que em mim não é pântano?



2 comentários:

  1. Justa homenagem. Belas poesias. Boa semana para todos.

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  2. Mais que justa homenagem ao poeta de Minha Águia

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  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima