domingo, 9 de março de 2014


Poemas da Semana

Poemas de Fernanda Guimarães, Jade Dantas, Ducabellaflor, Taciana Valença, Márcia Maracajá e Tereza Soares

Um brinde de versos para todas as mulheres que celebram o amor e a vida todos os dias!

Chamam-me Mulher
Fernanda Guimarães

    Img: Reprodução

Chamam-me mulher!
Essa que atrevida, pluraliza-me,
Quando me penso solidão.
Essa que me acolhe e instiga,
Saltando dos abismos e espelhos
Declarando-me aos meus silêncios.

Chamam-me mulher!
Essa que tantas almas tem,
Mas que incontida pelo sentir
Revira-me e sabe-me em afetos.
Essa que é dona de mim
Sem certidões ou posses.

Chamam-me mulher!
Essa que impulsiva me seduz
Com os sons femininos da poesia
E acesa, oferece-me ao verso.
Essa que atravessa desertos
E faz-se oásis para o universo.

Chamam-me mulher!
Essa que chega antes do tempo,
Remexendo o relógio dos conceitos.
Essa que deixa dores ao vento
E seca lágrimas no colo do sol
Ofertando-me as mãos do recomeçar.

Chamam-me mulher
Essa que permite o mundo
Em seus braços repousar
E em cada sussurro do alvorecer
Fecunda-se sempre de vida
No útero do amor eterno.



Não se esquece
Jade Dantas

    Img: Reprodução

seu corpo de mar
já habitou um dia minha pele

e do mar não se esquece

mesmo que passem mil anos
não se esquece

dos murmúrios e do corpo de ondas

trazendo no seu encanto
sabores de luar

que me levam (ainda!) a naufragar



Amantes
Ducabellaflor

    Img: Reprodução

Sutis ventanias de poeira
Embaralham o crepúsculo
Dos dias meus, e sorrateiras
Preenchem o vazio do amor absoluto
Onde silenciam os gestos das estrelas

Não de repente, escuto alaridos
Como das serpentes, enroscando nos meus ouvidos
Debruçando-as sobre meu veneno, e em gritos
Atingem-me o peito como um devaneado tiro

Pensamentos divagam e naufragam
Nas veias tiranas d que antes era casa,
Agora, um abrigo de almas agitadas
Que habitam a prisão da liberdade parda

Alhures, mora o porvir cintilante
Que levou meus sentimentos adiante
E numa terra grávida, não muito distante
Fez dos meus, os teus braços, amantes



Mulher
Taciana Valença

    Img: Reprodução

Há momentos em que tudo que precisamos é um simples afago. Um tempinho que a vida tira para nos sorrir. Diante de tantas atribuições que tentamos dar conta com nossos tentáculos (jamais suficientes), tantas e tantas vezes chegamos no limite da exaustão. Sexo frágil? Nossa, que fragilidade será essa que tanto carregamos com a cabeça erguida, como uma fortaleza inatingível mesmo quando distraídas? A fragilidade fica mesmo é na aparência. Em cima do salto ou fora dele não fugimos da luta e enfrentamos os dias como bravas leoas que ao mesmo tempo sabem ser gatas e querem ser mimadas. Hoje o dia nos reverencia, lembrando nossa força e coragem, disfarçada de fragilidade. Mas nosso lado frágil e sempre protetor também precisa de um afago, de proteção, de carinho e dessa lembrança de que somos tanto, mas não seríamos ninguém se nossa força não tivesse um propósito: A VIDA.



Auto-descrição*
Márcia Maracajá

    Img: Reprodução

gosto de ser só pra mim,
compromissos longos e marcados sem hora
gosto dos meus dias de sujeira, de chulé, de sovaqueira,
cabelo assanhado, pia suja

gosto de banho demorado
de não ter namorado
de namoricos escondidos
e paixões que me lambuzam

das que atropelam meus caminhos
e me provocam a madrugar
gosto de dormir a noite inteira
da cama quente
sandália rasteira
gosto de carinho pra variar

e há uma coisa que mais do que gosto
é ter privacidade
e com minha liberdade
não precisar dar roteiro
pra onde vou, com quem estou o dia inteiro
de não prestar satisfação

porque ave-gato é bicho do mato incomodado
com quem quer fazer dele domesticado
gosto de seguir meu coração.




Acaso o perfume...*
Tereza Soares

    Img: Reprodução

Acalento o sonho élfico
De viver por entre as flores...
Acaso o perfume das dálias
Penetram nos interiores do mosteiro
Que é meu coração sombrio

Supriremos ainda lacunas aterradas
Foram tantas tentativas vãs
De preencher o poço de água límpida
Com valores que nem completamos em nós!

A marcha dos incansáveis
Agora nos engana em outros caminhos
Desvios que nem percebemos
Para satisfação da canção que embala o sono

Ah! sem o olho interno nada poderemos ver...
Quero ser a paz de um coqueiro ao vento
Mas existe uma batalha que é dentro
E não há perfume que possa sublimar.

Carnaval de 2014




3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Ser divino da luz
    Dádiva de Deus
    Que outro ser produz
    Escolhida entre todos
    Pra gerar Jesus
    Mulher reluz, reluz, reluz...
    Parabéns! DCP por homenagear este ser maravilhoso.

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  3. Acho que não comentei de forma absoluta, por isso o faço novamente: A mulher na sua caminhada é descrita de forma brilhante pela Poeta e Escritora Taciana Valença. Parabéns!

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima