domingo, 4 de agosto de 2013


Pisando o Terceiro Ano

por Frederico Spencer*














(Img: Reprodução)

  

Nestes dois anos de postagens, o portal Domingo com Poesia alcançou vitórias que marcaram o seu destino: a primeira delas foi o Prêmio Top Blog Brasil, o qual sedimentou sua participação no ranking nacional; a consolidação de sua equipe de colaboradores e, por último, a decisão de trabalhar textos e poemas que fossem representativos da literatura, que é feita hoje no nordeste e no país.

Acreditamos que o vigor de seu conteúdo se fez por um trabalho de pesquisa intenso, onde buscou-se trazer os vários diálogos que se fazem presentes na literatura hoje, permeando a transversalidade entre educação e cultura, utilizando os movimentos poéticos já enraizados no cenário literário e, a poesia produzida na periferia das cidades, como também, intensificando a difusão da poesia pernambucana sem, no entanto, esquecer os ícones da poesia nacional.

Seu terceiro ano começa com um grande desafio que é o de darmos prosseguimento à pesquisa referente aos links: Carta de Poetas e a Geração 65, conteúdo sobre vida e obra de poetas pernambucanos e brasileiros e a geração 65, importante movimento literário nascido em Jaboatão dos Guararapes, conteúdo este que servirá como ferramenta didática para os professores e material de pesquisa para os estudantes, como forma de manter a memória de importantes nomes da história da literatura do estado e do País.
 
O filósofo Schopenhauer apregoava na sua teoria, que a vontade do homem é o motor propulsor da vida: “A vontade se faz presente na força vital que atua em toda a natureza, forças que são denominadas na forma de gravidade, magnetismo, eletricidade e estímulo, se manifestam nos fenômenos e que em si são uma só força, que é a vontade de viver, a diferença se dá no grau de objetivação”.

Desta proposição forma-se uma dualidade; a vontade que move a vida é a mesma que cria o sofrimento gerado pelo seu próprio movimento, posto que, a superação de um desejo é o nascedouro de outro desejo, portanto que a vida seria um eterno ir e voltar ao tédio, ao vazio. A superação deste vazio, como condição de solução deste ir e vir, está na contemplação da estética, da beleza, das artes. Só desta forma o homem sublimaria seu estar num mundo caótico para um estado de catarse, de ascese, transferindo-o para uma condição humanista de viver.

Dentro desta condição de ver o mundo, acreditamos na força da poesia como meio de equilibrar nossas forças mentais, nossos medos e angústias, buscando em sua estética o prazer da contemplação para atravessarmos os domingos, vazios para uns e esperançosos para outros, neste vai e vem da vida. Esta condição nos empurra no sentido de contribuir de forma positiva para um cenário de eternas contradições, onde muitas vezes somos obrigados ao retraimento de nossos desejos.

Levando em conta a teoria de Schopenhauer, pisar no terceiro ano do portal, leva-nos a uma responsabilidade que cresce a partir deste primeiro passo, deste primeiro domingo, os desafios aumentam e se fiam com o alcance das metas propostas. Aproveitamos também para nos aliar a Schiller com seu ordenamento de mundo através da estética, da poesia e da arte, que segundo Ferreira Gullar, só existe porque a vida não basta.


*Frederico Spencer é poeta, sociólogo, psicopedagogo e editor de texto do Portal Domingo com Poesia








Poemas de José Saramago, Miguel Torga, Pablo Neruda, Manoel de Barros, José Luiz Melo e Bruna Beber




Poema à boca fechada
José Saramago*

(Img: arte “oleg babkin”)


















Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras cosumidas se acumulam,
Se represam, cisternas de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

*José Saramago foi um escritor, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português. Nasceu em 16 de novembro de 1922 e faleceu em 18 de junho de 2010.



Brinquedo
Miguel Torga

(Imag: Reprodução)













Foi um sonho que eu tive:
Era uma grande estrela de papel,
Um cordel,
E um menino de bibe.

O menino tinha lançado a estrela
Com ar de quem semeia uma ilusão;
E a estrela ia subindo, azul e amarela,
Presa pelo cordel à sua mão.

Mas tão alto subiu
Que deixou de ser estrela de papel
E o menino, ao vê-la assim, sorriu
E cortou-lhe o cordel.

*Miguel Torga foi um poeta, contista e memorialista português. Nasceu em São Martinho de Anta, a 12 de agosto de 1907 e faleceu em Coimbra, a 17 de janeiro 1995.




Confesso que vivi
Pablo Neruda*

(Imag: Reprodução)












Talvez não tenha vivido em mim mesmo, talvez tenha
vivido a vida dos outros.
Do que deixei escrito nestas páginas se desprenderão
sempre como nos arvoredos de outono e como no
tempo das vinhas
as folhas amarelas que vão morrer e as uvas que
Reviverão no vinho sagrado.
Minha vida é uma vida feita de todas as vidas: as vidas
do poeta.


*Pablo Neruda foi um poeta chileno, bem como um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX. Nasceu em 12 de julho 1904 e faleceu em 23 de setembro 1973.





Deus disse
Manoel de Barros*

(Img: arte “Kyo murakami”)
















Deus disse: Vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras.

*Manoel Wenceslau Leite de Barros é um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao Modernismo brasileiro. Nasceu em Cuiabá em 19 de dezembro de 1916.





E dorme congelado numa poça*
José Luiz Melo

(Img: Reprodução)













No silêncio somente havia a ausência
de tudo que explicasse qualquer coisa
e nada nem ninguém sequer não ousa
romper deste silêncio a inocência.

Aguada e vesga, e a clarividência
do pensamento vento que não pousa,
mas que não fala e pensa e silencia
e dorme congelado numa poça.

De medo, desmanchada na sarjeta,
no bolso da camisa, no chapéu,
no dinheiro que deu como gorjeta,

na fruta que comeu, no fel, no mel,
no medo de tornar-se obsoleta
a crença já senil porque viveu.

*do livro “Proibições e impedimentos”. Edições Pirata, 1981. Pertenceu ao Grupo de Jaboatão, do qual participavam os poetas Alberto da Cunha Melo, Jaci Bezerra e Domingos Alexandre.





Iodo (galctinha buleversada)
Bruna Beber*

(Img: Reprodução)













se algemo os pés à lua
confundo pisos com tetos
raízes com galhos
vermes com astros

e não vejo mais
 a minha sombra

cabelos giram hélices
centrifugam pássaros e aviões
as mãos malabarizam
o vento no espaço

não vejo mais
a minha sombra
cuspo na terra o sangue
que desceu à cabeça
até que caia do céu
minha última gota.

*Poeta fluminense. Em 2008 ficou em segundo lugar no Prêmio “Quem acontece”, na categoria “Revelação Literária”. Poema extraído do Portal Antonio Miranda.






2 comentários:

  1. ...traigo
    ecos
    de
    la
    tarde
    callada
    en
    la
    mano
    y
    una
    vela
    de
    mi
    corazón
    para
    invitarte
    y
    darte
    este
    alma
    que
    viene
    para
    compartir
    contigo
    tu
    bello
    blog
    con
    un
    ramillete
    de
    oro
    y
    claveles
    dentro...


    desde mis
    HORAS ROTAS
    Y AULA DE PAZ


    COMPARTIENDO ILUSION
    NATAEL

    CON saludos de la luna al
    reflejarse en el mar de la
    poesía...




    ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE ZOMBIS, EXCALIBUR, DJANGO, MASTER AND COMMANDER, LEYENDAS DE PASIÓN, BAILANDO CON LOBOS, THE ARTIST, TITANIC…

    José
    Ramón...


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  2. Amigo José Ramón,
    Agradecemos muito sua visita. Volte sempre!

    Natanael Lima Jr
    Editor

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima