sábado, 13 de abril de 2013


A importância dos conhecimentos prévios no processo de leitura


por Natanael Lima Jr*












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A leitura está presente em nossas vidas desde o momento em que começamos a compreender o mundo à nossa volta. O desejo permanente de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos rodeiam, de perceber o mundo sob diversas visões.

A prática da leitura não corresponde apenas a uma simples decodificação de símbolos, mas, significa de fato interpretar e compreender o que se lê. A leitura precisa permitir que o leitor apreenda o sentido de texto, não podendo transformar-se em mera decifração de signos linguísticos sem a compreensão semântica dos mesmos.

Nesse processamento do texto, tornam-se imprescindíveis também alguns conhecimentos prévios do leitor: os linguísticos, correspondentes ao vocabulário, as regras da língua e o seu uso; os textuais sobre o conjunto de noções e conceitos do texto e textualidade; e os de mundo, ao acervo de conhecimento pessoal do leitor. Assim, podemos afirmar que esses diversos tipos de conhecimentos estão em plena  interação. Logo, percebemos que a leitura é um processo interativo.

Para o professor Leonardo Boff, cada um lê com os olhos que tem e interpreta onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para compreender o que alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isto faz da leitura sempre uma releitura.

Portanto, a partir dessas reflexões acima expostas, poderemos compreender e refletir sobre o relacionamento leitor/texto. Assim, além das questões já referidas, é vital que o leitor esteja comprometido com sua leitura para que possa levar para esta prática toda sua vivência pessoal, suas emoções e expectativas. 


*Natanael Lima Jr é poeta, pedagogo e editor do Domingo com Poesia








POEMAS DE FREDERICO SPENCER, MARCO POLO, JUAREIZ CORREYA, JOSÉ TERRA E FERREIRA GULLAR





Sobre abril e signos
Frederico Spencer

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Sobre abril
áries
um terço touro
na constelação
marte
no carrossel
do meu caderno
signos
do tempo
prisioneiros.
Sobre o tempo
chumbo,
o alumínio
e concreto:
baionetas
dançavam
os que não.

(In Abril Sitiado, 2011, p. 34)





Blue
Marco Polo

      A Cida Pedrosa


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Com Eric Clapton, um branco,
aprendi um pouco de blue;
o toque mínimo da guitarra,
a busca de perfeição.
Aprendi que música não tem pressa
e o tempo
é uma coisa a ser tecida.

Com Robert Johnson, um preto,
aprendi um pouco de blue;
que música é outra maneira de dizer silêncio.
Aprendi que só valem a pena as palavras
Que mudem a cor do dia.


(In A superfície do silêncio, 2002, p. 27)




Poema vago olhando a cidade
Juareiz Correya
  
 
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Minha cidade
ficará gravada
num poema lívido e vago.

Não será preciso citar becos e ruas
inevitáveis em sua anatomia.
Nem correr com a memória
as lembranças e os minutos de agora.

Minha cidade
não será vista
num poema sentimental.

Conservarei oculto até o seu nome
neste poema
de amor silente
às suas coisas, a ela mesma.


(In Americanto Amar América e outros poemas do século 20, 2010, p. 15)




Canção do amor maior
José Terra

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Uma luz
Feita de vento e vinho
Eis minha manhã

Um povo
Feito de verde e verso
Eis minha tarde

Uma mulher
Feita de valsa e violeta
Eis minha noite

Minha poesia e tua poesia



Tanga
Ferreira Gullar

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Havia o que se via
e o que não se via:
                           a manhã luminosa
encobria a treva
abissal e velha dos espaços.
                                          O mar batia
em frente à Farme de Amoedo e ali
                                                     na areia
a gente mal o ouvia se o ouvia.
E era então que ela de súbito surgia
                              rindo entre os cabelos
                              a raquete na mão
e se movia
                  ah, como se movia!
E essa translação nos descobria
suas fases solares:
                        o ombro
                        o dorso
                        a bunda
lunar?
estelar?
                 a bunda
                 que (sob uma pétala
                 de azul)
celeste me sorria.






 
Diga aí!



“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei.” (Vinícius de Moraes – Poeta)

Diga lá!



"A Poesia é a arte que coordena as ideias e as palavras de modo a expressar o pensar e o sentir de forma bela. Fala ao coração. É o belo em forma de Linguagem. Mas a divisão da sociedade em classes, a violência gerada pela exploração da minoria opressora, violam também a arte em todas as suas formas. Em vez de terna, a poesia se torna dura, embora não deixe de ser bela. É que o poeta tem "apenas duas mãos e o sentimento do mundo." (Carlos Drummond de Andrade – Poeta)








Um comentário:

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima