domingo, 23 de dezembro de 2012


A Escritora e a Força

 
 
por Cássio Cavalcante*

 




 Fotos Arquivo Fátima Quintas
 
 
O sexo nada frágil se revela uma fortaleza e faz história na Academia Pernambucana de Letras. A Gestão feminina de Fátima Quintas reafirma a APL, como um dos principais pólos de expressão literária do nosso estado. Tendo o legado de Gilberto Freyre muita influência em seus escritos. Começou como antropóloga, é antropóloga de formação. Sempre que escrevia um relatório seu chefe dizia: “Isto não é ciências, isto é literatura”. E ela ficava a pensar qual era a diferença entre ciências e literatura.
 
Em meio a tantas transformações ocorridas no universo feminino, tantas conquistas nas últimas décadas, acha que o preconceito é uma coisa difícil de ser erradicado. Que o mundo está melhorando com essas grandes conquistas das mulheres. Argumenta que nos últimos cinquenta anos foram de vitórias vertiginosas para o feminino. Considerando Clarice Lispector uma das maiores escritoras do mundo. Explica que a literatura de Clarice consegue uma coisa muito difícil, que é mexer nos nervos do leitor.
 
Assim é a presidente da casa de Carneiro Vilela, serena e tranquila mas com o vigor de quem quer fazer. Ampliando as possibilidades de acesso à academia, causando com isso uma maior integração entre o público leitor e o escritor. As possibilidades dessa aproximação são infinitas e faz disso uma de suas principais metas. Eleita por aclamação no dia 12 de dezembro de 2011, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo: “Quero representar todas as mulheres do Recife e do Estado nessa função. É uma grande honra, fico muito feliz. De certa forma, isso coroa os esforços do meu trabalho”. Declarou.
 
Sua palavra de ordem é abertura. Promovendo o diálogo entre os escritores e a sociedade: “Quero dar ao prédio uma vida literária que se equipare à sua beleza”. Declarou a escritora a um jornal quando foi eleita. Um ano se passou sob a batuta da autora do livro: A Ilustre Casa dos Fantasmas, tivemos aula espetáculo de Ariano Suassuna com recorde de público. Eventos ressaltando nomes como Raimundo Carrero, Gilvan Lemos, Edney Silvestre, Olimpio Bonald Neto, Álvaro Lins, Graciliano Ramos entre outros. Neste ano, aconteceu pela primeira vez a Casa da APL na Fliporto. Cravou seu nome no tempo, nos presenteando com a primeira edição, o número um do suplemento literário da APL: A palavra. Um belíssimo exemplar com textos assinados por nomes como Lucila Nogueira, Ivanildo Sampaio, Margarida Cantarelli, Lourival Holanda. Todo isso em meio a ilustrações com um charme pernambucano, do querido e competente Wilton de Souza. Acontece uma efervescência literária digna de aplausos.
 
Erasmo Carlos disse e cantou: “Dizem que a mulher/ É o sexo frágil/ Mas que mentira absurda!/ Eu que faço parte/ da rotina de uma delas/ Sei que a força/ Está com elas...” Eu, só posso concordar com ele.
 
Praia de Boa Viagem, Recife, 22 de dezembro de 2012.
 
*Cássio Cavalcante, cearense, administrador, radicado em Pernambuco há mais de 20 anos. Teve seu inicio na literatura como contista, com a publicação do conto Meu Primeiro Milhão na revista Caruaru Hoje, em outubro de 2005. Secretário Geral da União Brasileira de Escritores em Pernambuco. Primeiro Secretário da Academia Recifense de Letras, ocupando a cadeira de nº 01. Pertence a Academia de Artes, Letras e Ciências de Olinda, ocupando a cadeira de nº 21.  Segundo Secretário da Academia Olindense de Letras, ocupando a cadeira de nº 20. Biografo da cantora Nara Leão, prosador, assina à coluna Bate-papo Literal no jornal da zona sul do Recife Gazeta Nossa. Colaborador do Jornal Folha do E. Santo – Cachoeiro do Itapemirim (ES). Personalidade da Neolatinidade concedida pelo Conselho Consultivo do Movimento Festival Internacional de Culturas, Línguas e Literaturas – Festlatino. É verbete do dicionário Cravo Albim da Música Popular Brasileira. Membro da SABEPE – Sociedade dos Amigos da Biblioteca Pública do estado de Pernambuco.
 
Nota do Editor: O escritor Cássio Cavalcante inicia a partir de agora a integrar a equipe de colaboradores desse blog.
 
 
 
 
POEMAS DE NATAL
 
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, MÁRIO QUINTANA E ALBERTO DA CUNHA MELO
 
 
 
 
 
 
Poema do Dia...
Carlos Drummond de Andrade
 
 
A cada dia que vivo, mais me convenço
de que o desperdício da vida está
no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoística
que nada arrisca
e que,
esquivando-nos do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
Dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
 
 
 
A Rua dos Cataventos: XII
Mário Quintana
 
 
Tudo tão vago... Sei que havia um rio...
Um choro aflito... Alguém cantou, no entanto...
E ao monótono embalo do acalanto
O choro pouco a pouco se extinguiu...
 
O Menino dormira... Mas o canto
Natural como as águas prosseguiu...
E ia purificando como um rio
Meu coração que enegrecera tanto...
 
E era a voz que eu ouvi em pequenino...
E era Maria, junto à correnteza,
Levando as roupas de Jesus menino...
 
Eras tu... que ao me ver neste abandono,
Daí do céu cantavas com certeza
Para embalar inda uma vez meu sono!...
 
 
 
Natal
Alberto da Cunha Melo
 
 
Longe do Olimpo, um deus nascia
roxo, a gritar, como os humanos.
Um deus sem flâmulas nascia,
para os perdidos e os insanos;
 
nada tinha do deus heleno
o deus menino sobre o feno,
 
era um deusinho de brinquedo
no quintal do Império Romano,
era o deus do povo com medo.
 
Um deus sem sorte, palestino,
e sem teto, desde menino.



 



2 comentários:

  1. Gosto muito do que meu pai escrever, ler os seus textos é como conviver com ele.

    Cássio Junior

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  2. Boa tarde,
    Muito bom poema, e como o natal é uma quadra festiva em que estamos mais abertos a poesia que nos comova visitem o meu blog e deixem o vosso comentário.

    http://oquequeriaquesoubesses.blogspot.pt/

    Obrigado e Bom Natal

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima