domingo, 14 de outubro de 2012


Um Brinde à Poesia!






 


Os bons ventos de outubro trouxeram muitas alegrias. Alcançamos a marca de mais de 20 mil acessos, em pouco mais de 12 meses de postagem do blog Domingo com Poesia, um espaço criado exclusivamente para a literatura e a poesia. Partilhamos esta conquista com os nossos colaboradores, parceiros, seguidores e leitores espalhados pelo estado de Pernambuco, em diversas cidades brasileiras e agora em alguns países da América do Sul e da Europa.
 
Outra importante marca foi a indicação do nosso blog como finalista da maior eleição de Blogs do Brasil (Top Blog 2012), na categoria literatura. A escolha dos três finalistas de cada categoria (Top3) será realizada através de Júri Popular (votos dos internautas) e avaliação por Júri Acadêmico, formado por profissionais atuantes nos segmentos relacionados às categorias e grupos. O período de votação, bem como a avaliação pelo Júri Acadêmico, começou no dia 10/10/2012 e encerra em 10/11/2012, às 14h, horário de Brasília. Vote e participe!
 
Esperamos que novos ventos cheguem e tragam muitas oportunidades, realizações e alegrias. E que a poesia continue iluminando e perfumando nossa caminhada.
 
 
Natanael Lima Jr
Editor
 
 
 
 
 
 
DE BREGA A “CULT”
 
Douglas Menezes*
 
 
 
 
 
 
Recentemente a Rede Globo incluiu na trilha sonora da novela Gabriela a música do cantor Fernando Mendes “Você não me Ensinou a te Esquecer”, canção que já fora trilha musical do filme Lisbela e o Prisioneiro, baseado na obra do grande escritor Osman Lins. Música classificada como brega romântico há trinta anos, desprezada pela intelectualidade brasileira que curte MPB de qualidade, foi sucesso à época na voz do seu autor Fernando Mendes. É interessante notar como o conceito do brasileiro médio muda de acordo não só com o passar do tempo, mas pela presença de quem “apadrinhou” o novo elemento cultural.
 
Pois bem, O “monstro Sagrado”, com inteira justiça, da música brasileira Caetano Veloso resolveu dar uma roupagem nova à música. Deu um tom mais dramático à canção, incluindo uma instrumentação de nível inquestionável. O resultado foi novo sucesso da música, com algo que impressiona: sua inclusão no repertório da MPB de bares e emissoras de rádio, junto a Djavan, Chico, Gal, Betânia, o  próprio Caetano, entre  outros, incluindo aí, o público jovem, com menos de trinta anos. Quer dizer, o que não possuía valor antes, passou a ser “nata” da música romântica brasileira de qualidade.  Mostrando que os mitos realmente são intocáveis, gerando verdades nunca questionáveis, pois já se disse demais versos como estes: “ Não vejo mais você faz tanto tempo/ Que saudade que sinto ; De olhar nos seus olhos sentir seu abraço/ É verdade eu não minto...”. No entanto, “Você não me Ensinou a te Esquecer”, retornou ao pódio do sucesso, inclusive por parte do público mais exigente, a ponto de a TV colocá-la na trilha de bom gosto da nova versão do romance de Jorge Amado, junto a obras consagradas de Djavan, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Moraes Moreira e Dorival Caymmi.

Aliás, Caetano Veloso é pródigo, ao longo de carreira, em despreconceitizar aquilo que é visto quase como tabu em nossa sociedade conservadora. Na música, fez isto, também, com Coração Materno, de Vicente Celestino e Sonhos, de Peninha, mostrando que, às vezes,  é tênue a fronteira entre o culto, de sentido elitizante, e o popular, naquilo que o povo assimila como sua cultura.
 
*Douglas Menezes é escritor, professor de Língua Portuguesa, pós-graduado em Literatura Brasileira e em Leitura, Compreensão e Produção Textual pela UFPE, membro da Academia Cabense de Letras.
 
 
 
 
 
 
A MORAL É A FRAQUEZA DO CÉREBRO
 
Paulo Azevedo Chaves*
 
 
 
 
 
 
 
 
O poeta Arthur Rimbaud, “um místico
em estado selvagem”, segundo o escritor
Paul Claudel
 
 
 
 
  “Satisfações, eu vos procuro. Sois belas como as auroras de verão”.
 
Les Nourritures Terrestres, André Gide
 
 
 
 
A sexualidade nasce com o homem, nele está entranhada desde o berço. É uma força vital que, quando reprimida, pode gerar sérios danos à saúde mental, ao comportamento social  das pessoas. A moral, ao contrário, é algo imposto aos indivíduos pela família, educadores, pela religião e meio social em que vivem. Por isso, ela varia muito de país a país. E entre os povos latinos, mais sujeitos à influência repressora e castradora do cristianismo, ela serve para conter o livre desenvolvimento sexual dos indivíduos, cerceando-os em sua liberdade de escolha e manifestação. A frase famosa do genial Rimbaud ilustra perfeitamente isso: “A moral é a fraqueza do cérebro” – escreve ele em Uma Temporada no Inferno, sua obra mais famosa.
 
E se você não pode ser você mesmo, que importância tem ser qualquer outra coisa?” –pergunta Tennessee Williams, consagrado dramaturgo norte-americano em suas Memórias.Acrescentando noutro trecho:”Um homem deve viver por toda duração de sua vida com seu pequeno conjunto de medos e raivas, suspeitas e vaidades,e seus apetites espirituais e carnais”. Neste início de século, o ensinamento do catolicismo de que o sexo deve ser meramente reprodutivo e se manifestar unicamente no âmbito do casamento heterossexual parece piada e demonstra claramente  falência e caducidade  da Igreja em relação aos avanços morais, valores e necessidades do mundo contemporâneo. No livro Erotic Art of the Masters (A Arte Erótica dos Mestres), o autor Bradley Smith escreve no Prefácio: “Sexo -- por prazer ou dor, não reprodução – era fonte, o modelo de um modo ou outro, de grande número de pinturas geradas pelo artista e fruídas pelo espectador”. No mesmo livro, Henry Miller assinala na Introdução que “O artista sabe melhor que o padre onde reside o verdadeiro mal. Ele é um devoto adorador e expositor das glórias da criação.Ele não prega: ele nos convida a contemplar o que está escrito em nossos corações”.
 
“Beleza é verdade, verdade beleza” – escreveu John Keats, um dos mais importantes poetas românticos ingleses do século XIX.Em nossas vidas nada mais verdadeiro e, portanto, mais belo que a sexualidade de cada um, com suas fantasias e expressões próprias, com seus medos e obsessões singulares, complementaria eu o verso do autor de Endymion e das Odes. E também nada mais avassalador e imperioso do que o instinto sexual, pois, como nos versos de Fernando Alegria, “Nada podem verdugos nem espadas/contra um povo de fogosos amantes”.
AINDA BEM!
 
·         Texto introdutório no livro autobiográfico À Sombra da Casa Azul, a ser lançado digitalmente no site ISSUU em outubro próximo.
 
*Paulo Azevedo Chaves é advogado, jornalista e poeta, assinou no Diário de Pernambuco, nos anos 70/80, a coluna cultural Poliedro, e de meados dos anos 80 até 1993, a coluna Artes e Artistas, especializada em artes plásticas. Livros publicados: Versos Escolhidos,Ed. Pirata,1982, traduções);Trinta Poemas e Dez Desenhos de Amor Viril (Pool Editorial Ltda,1984, traduções); Nu Cotidiano (Grupo X,1988, poesias); Os Ritos da  Perversão (Ed. Comunicarte, poesias, 1991); Nus (Ed. Comunicarte, 1991, poesias). Em 2003, participou de uma coletânea de artigos publicados na seção Opinião do Jornal do Commercio, com o título de Escritas Atemporais (Ed. Bagaço). Em 2011, lançou um livro de prosa, poesias e traduções de poemas com o título de Réquiem para Rodrigo N (Ed.do Autor). Poemas Homoeróticos Escolhidos (em parceria com Raimundo de Moraes) e Os Ritos da Perversão e Outros Poemas foram lançados, em 2012, em edição digital, no site ISSUU.Todos os livros de Paulo Azevedo Chaves tiveram seus projetos gráficos assinados pelo designer pernambucano Roberto Portella.
 
POEMAS DE CÍCERO MELO
  
Agorafobia
 
- Eu tenho agorafobia. 
- O que é isto? 
- Medo da Ágora.
- Quem é Ágora? 
- Uma mulher da rua. 
 
 
Poeminha difícil 
 
Morrer 
Morrer é o verbo mais difícil de ser conjugado
 
Este poema o li num recente artigo do Dr. João Humberto Martorelli, denominado de “Testamento Vital”, publicado na página de opinião do JC.
 
Não pude deixar de transcrevê-lo, pois responde com indagações às perguntas que nos fazemos todos os dias. 
 
Reproduzo palavras do autor do artigo: “Afinal, ensina o Cancioneiro de Fernando Pessoa:
 
Quando despertos, deste sono, a vida,
Soubermos o que somos e o que foi
Essa queda até o Corpo, essa descida
Até à noite que nos a alma obstrui,
Conheceremos pois toda a escondida
Verdade do que é que há ou flui?
Não: nem na Alma livre é conhecida....
Nem Deus, que nos criou, em Si a inclui,”

*Transcrevo email de José Luiz Melo

Apostas*
Frederico Spencer
 
 
Soldados escavam a paz
sobre uma mesa de botões multicores,
                                                  apostados:
em jogos de noite a dentro. Há um ás
na manga do patrão das guerras. Há um rei
inerte deposto. Em xeque
a mágoa dos peões
sob a luz de néon, damas
blefam os parlamentos nas roletas russas
sem bispos, cavalos, nem ás, nem peões
só, um valete mudo assexuado
na manga. Mágoa
do patrão das guerras.
 
*do Livro “Quadrantes Urbanos”
 
 
 
 
Premonição*
Natanael Lima Jr
 
A cidade aflita deixa existir:
o caos, o medo, o pânico
em mim.
 
O medo prometeu
embora (ainda) acorrentado
transgredir o fim.
 
*do Livro “À espera do último girassol & outros poemas”

 



Um comentário:

  1. Prezado Natan!!!

    É no silêncio do eu que encontramos a resposta do outro.
    Foi no Domingo com Poesia que encontrei-me com o Último Girassol.

    Abraços.

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  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima