domingo, 1 de outubro de 2000


JOÃO ACCIOLI

(Piracanjuba/GO, 01/10/1912 - 01/05/1990)


Poeta, bacharel em direito, músico, romancista e político. Foi secretário de educação e cultura da Prefeitura de São Paulo. Foi também presidente da União Brasileira de Escritores e membro da Academia Goiana de Letras. Tem poesias traduzidas para o espanhol, francês, alemão e inglês. Sobre seus poemas Mário de Andrade afirma que “contém mesmo poesia e surpreendem pela sua originalidade, quase ingênua às vezes. Mais já possui linguagem, ritmo e recursos próprios para caminhar sozinho”. Foi considerado como um dos mais importantes poetas modernistas de Goiás, ao lado de José Décio Filho.
Principais Obras: Olho d’água (1937); A canção de amanhã (1948); Barro preto (1941 - romance).


Olho d’água


A ponta do diamante perfurou
o ventre da pedreira incrustada na serra.

E um olho d’água brotou
das paredes fundas da terra.

Salta um filete. O veio esguicha e cresce. Escorre
deslizando morro abaixo.

A pouco e pouco as águas se avolumam
e a toada macia das mesmas sobre o leito
parece uma ária pianíssima de Schumann.

O olho d’água transformou-se em riacho.

Mas de repente, o riacho e os ribeirões vizinhos
pararam de correr.
Folhas caídas perdem-se nas grotas
num desatino doido de morrer...

Ante a inclemência do verão
todas as águas se intimidam:
o olho d’água perdeu-se terra adentro
infiltrando-se no chão!


Os olhos d’água também se suicidam...



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