terça-feira, 4 de julho de 2000


EMÍLIO DE MENEZES

(Curitiba/PR, 04/07/1866 – Rio de Janeiro/RJ, 06/06/1918)


Poeta e jornalista. Imortal da Academia Brasileira de Letras, considerado o mestre dos sonetos satíricos. Para o crítico Glauco Mattoso, o poeta paranaense é o principal satírico brasileiro após Gregório de Mattos. Assinava suas obras utilizando diversos pseudônimos como: Neófito, Gabriel de Anúncio, Cyrano e Cia, entre outros. Na sua obra reunida, contabiliza-se aproximadamente 232 composições poéticas.

Principais obras: Marcha fúnebre (1892); Poemas da morte (1901)
  

Germinal

Passou. A vida é assim: é o temporal que chega,
Ruge, esbraveja e passa, ecoando, serra a serra,
No furioso raivar da indômita refrega
Que as montanhas abala e os troncos desenterra.

Mas o pranto, afinal, que essa cólera encerra
Tomba: é a chuva que cai e que a planície rega;
E a cada gota, ali, cada gérmen se apega
Fecundando, a minar, toda a alagada terra.

Também o coração do convulsivo aperto
Da dor e das paixões, das angústias supremas,
Sente-se livre, após, a um grande choro aberto.

Alma! já que não é mister que ansiosa gemas,
Alma! fecunda enfim nas lágrimas que verto,
Possas tu germinar e florescer em Poemas! 



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima