quinta-feira, 29 de junho de 2000


LEO LYNCE

(Pouso Alto, atual Piracanjuba/GO, 29/06/1884 – Goiania/GO, 07/07/1954)


Leo Lynce, pseudônimo de Cyllenêo Marques de Araújo Valle. Poeta, advogado, jornalista e político. Considerado um dos precursores do Modernismo das letras goianas. Aos dezesseis anos publicou o jornal O Fanal, em manuscrito. Em 1905 adotou o pseudônimo de Leo Lynce, o qual o tornou conhecido nacionalmente. Em 1908, entrou na vida política, elegendo-se deputado estadual. Em seu livro de estreia, mostrou um ecletismo característico da literatura anterior à Semana de Arte Moderna de 22, misto de Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo com tendências ao Modernismo. Ao final do ano de 1928, publica o seu único livro de poemas, “Ontem”, cuja crítica o consagrou e foi o primeiro livro de poesia no estilo moderno a ser publicado no estado de Goiás. Consagrou-se como o “Príncipe dos Poetas” goianos. Foi fundador da Academia Goiana de Letras, ocupando a Cadeira nº 11. Em 1999, com o livro “Ontem” foi aclamado por júri organizado pelo jornal O Popular, como o melhor poeta de Goiás.
Principais Obras: Ontem (1928); Romagem sentimental


Falando ao coração


Não creias nela, coração, não creias nela.
Esquece a meiga voz, o doce encanto
Dessa mulher que esconde, assim tão bela,
A falsidade num doirado manto.

Não creias nessa gota que lhe estrela
A face, desconfia desse pranto.
Toma cuidado e foge da procela
A que te arrasta da sereia o canto.

Essa mulher te foi perjura e ingrata,
Esquece-a, coração, sê mais altivo
Ante a beleza que te avilta e mata;

Assim falei ao coração covarde;
Mas ele, o pobre, o mísero cativo,
Sentidamente respondeu-me: - É tarde.





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