sexta-feira, 14 de abril de 2000


ALUÍSIO DE AZEVEDO

(São Luís/MA, 14/04/1857 – Buenos Aires (Argentina), 21/01/1913)
  

Romancista, caricaturista, jornalista, contista, poeta, cronista e diplomata. Foi crítico impiedoso da sociedade brasileira e suas instituições. Abandonou as tendências românticas em que se formara, para tornar-se o criador do Naturalismo no Brasil, influenciado por Eça de Queiroz e Émile Zola. Seus temas prediletos, focada na realidade cotidiana, foram o anticlericarismo, a luta contra o preconceito racial, o adultério, os vícios e a vida do povo humilde. Quando jovem fazia caricaturas e poesias como colaborador para jornais e revistas no Rio de Janeiro. Seu primeiro romance publicado foi “Uma lágrima de mulher”, em 1880. 
Principais obras: O mulato (1881); Casa de pensão (1884); O cortiço (1890).


Pobre amor

Calcula, minha amiga, que tortura!
Amo-te muito e muito, e, todavia,
preferira morrer a ver-te um dia
merecer o labéu de esposa impura!

Que te não enterneça esta loucura,
que te não mova nunca esta agonia,
que eu muito sofra porque és casta e pura,
que, se o não fôras, quanto eu sofreria!

Ah! Quanto eu sofreria se alegrasses
com teus beijos de amor, meus lábios tristes,
com teus beijos de amor, as minhas faces!

Persiste na moral em que persistes.
Ah! Quanto eu sofreria se pecasses,

mas quanto sofro mais porque resistes!



0 comentários:

Postar um comentário

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima