sexta-feira, 10 de março de 2000


PEDRO KILKERRY

(Santo Antônio de Jesus/BA, 10/03/1885 – Salvador/BA, 25/03/1917)


Poeta, jornalista e advogado. Pertenceu a escola simbolista. Em 1906, integrou-se ao grupo literário baiano “Nova Cruzada” e começou a publicar os seus poemas na revista homônima. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Bahia em 1913. Colaborou com poemas e artigos em diversos periódicos de Salvador. Começa a escrever em verso livre em seus últimos anos. Não publicou nenhum livro em vida, mas colaborou com diversos periódicos e revistas no Estado da Bahia. Em 1952 alguns poemas seus foram incluídos na Revista “Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro”, por Andrade Muricy. Seus poemas foram recolhidos em 1968 por Augusto de Campos que o tem como um dos precursores da poesia moderna.


O muro

Movendo os pés doirados, lentamente,
Horas brancas lá vão, de amor e rosas
As impalpáveis formas, no ar, cheirosas...
Sombras, sombras que são da alma doente!

E eu, magro, espio... e um muro, magro, em frente
Abrindo á tarde as órbitas musgosas
— Vazias? Menos do que misteriosas —
Pestaneja, estremece. . . O muro sente!

E que cheiro que sai dos nervos dele,
Embora o caio roído, cor de brasa,
E lhe doa talvez aquela pele!


Mas um prazer ao sofrimento casa. . .
Pois o ramo em que o vento á dor lhe impele
É onde a volúpia está de urna asa e outra asa. . .



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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima