sábado, 11 de março de 2000


GONÇALVES CRESPO

(Rio de Janeiro/RJ, 11/03/1846 – Lisboa, 11/06/1883)

Jurista e poeta. De tendência parnasiana. Foi membro das tertúlias intelectuais portuguesas da última fase do século XX. Filho de mãe escrava, aos dez anos fixou residência em Lisboa e estudou direito na Universidade de Coimbra. Dedicou-se essencialmente à poesia e ao jornalismo. Influenciado pela escola parnasiana, nas suas obras poéticas abandonou a estética romântica, afirmando-se como poeta de grande qualidade em sua época. A sua poesia enquadra-se na linha realista, por retratar aspectos marcantes da vida cotidiana. Foi o introdutor do Parnasianismo em Portugal. O seu reconhecimento foi alcançado em 1887, quando foram publicadas suas “Obras Completas”, com prefácio de Teixeira Queirós e Maria Amália Vaz de Carvalho, sua esposa. Faleceu em 1883, vítima da tuberculose com apenas 37 anos de idade.
Principais Obras: Miniaturas (1870); Nocturnos (1882).
  

Mater dolorosa

Quando se fez ao largo a nave escura,
na praia essa mulher ficou chorando,
no doloroso aspecto figurando
a lacrimosa estátua da amargura.

Dos céus a curva era tranquila e pura;
das gementes alcíones o bando
via-se ao longe, em círculos, voando
dos mares sobre a cérula planura.

Nas ondas se atufara o Sol radioso,
e a Lua sucedera, astro mavioso,
de alvor banhando os alcantis das fragas...

E aquela pobre mãe, não dando conta
que o Sol morrera, e que o luar desponta,
a vista embebe na amplidão das vagas...



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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima