POEMAS DE ALBERTO LINS CALDAS*


sentença





● com a maldição dos anjos e profetas - ●
● excomungamos - ●
● apartamos e amaldiçoamos e praguejamos ●
● com as maldições - q estão escritas na lei - ●
● maldito seja de dia - maldito seja de noite - ●
● maldito seja em seu deitar - ●
● maldito seja em seu levantar - ●
● maldito ele em seu sair - ●
● maldito ele em seu entrar - ●
● maldito seus sonhos - sua voz - seu desejo - ●
● maldito seu pensamento sua luta e respiração - ●

● nem por deus nem por nos ele sera perdoado - ●
● q então queime no nosso furor e no de deus - ●
● advertimos q ninguem lhe pode falar - ●
● nem por escrito nem prestar nenhum favor - ●
● nem debaixo de teto ficar com ele - ●
● nem na mesma cidade - apenas se houver rio ●
● q separe ele de todos os nossos - sua traição ●
● nem ler papel algum escrito por ele - ●
● sequer ver de longe seu corpo seus olhos - ●
● sendo proibido tentar salvar sua vida - ●
● sequer se lembrar dele ou sentir piedade ●



a vida – a vida sempre





● ha o cheiro de pão assado - doce demais - ●
● pães q estalam entre dedos - entre dentes - ●
● ha tambem barbaros q tomaram destruiram ●
● quase tudo - deitados na praça dormemratos - ●
● enquanto isso vemos o cheiro do nosso pão - ●
● bem cedo vamos a ele - ao leite - aos ovos - ●
● enquanto barbaros bebados dormemratos ●

● assim tomamos felizes nosso cafe da manhã - ●
● ha sempre ovos mexidos - leite - cafe - pães ●
● assados brilhando no centro da mesa - doces ●
● de figosmorango - brisa fria dentro de casa - ●
● enquanto barbaros dormemratos nas praças - ●
● rimos - conversamos - recordamos - as horas - ●
● do mangue vem o odor do mar - ovas de peixe ●

● barbaros sonham rios de sangue - torturas - ●
● feridas mais profundas q a fundura do mar - ●
● terra desolada invadindo os sonhos - sim - ●
● invadindo os desejos - cavalos exaustos - ●
● so a loucura de tudo - destruir e dominar - ●
● sono podre carregado de arvores mortas - ●
● assim pousam dormindo como corvos ●

● vem do mangue a essencia de ovas de peixe - ●
● assim arrebatados tomamos o cafe da manhã - ●
● ha sempre ovos agitados - cafe - leite - pães ●
● assados - vividos na mesa - ardentes - doces ●
● de figosmorango - sombra fria dentro de casa - ●
● enquanto barbaros dormem bebados na praça - ●
● rimos - recordamos a vida - a vida sempre ●





*Alberto Lins Caldas é poeta, contista e romancista. Atualmente reside em Paris.

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