segunda-feira, 25 de dezembro de 2017


DOIS POEMAS PARA CELEBRAR O NATAL





SONETO DE NATAL
José Luiz Mélo*  

Não sei o por quê?... Talvez, por ser Natal,
eu presumo um sussurro sobre a Terra,
um vento que do mar chega na serra,
nas folhagens soprando um madrigal...

Talvez, por ser Natal, a cabra berra,
neste ermo escaveirado um musical,
que se junta aos mugidos da bezerra,
em uma orquestração Universal.

Então, por ser Natal, um mundo novo,
de vestes esponsais se mostra ao povo,
− portas abertas de uma catedral!

Assim, porque é Natal, nova esperança,
nascerá do vagido da criança,
seu trono,− a manjedoura de um curral.

22/12/2016


*O poeta José Luiz Mélo integrou a Geração 65 pernambucana. Ganhou recentemente o Prêmio Literário da Academia Pernambucana de Letras, com Livro dos sonetos, dos primeiros aos penúltimos.



PAPAI FANTASIA E PAPAI BOIA FRIA
Paulo Alexandre da Silva* (1953 – 2009)


É Natal!
Sou criança pobre e favelada
Não preciso dizer que passo fome,
Sou suja, desnutrida, barriguda e maltratada.
Esta noite que passou eu tive um sonho,
Sonhei com um velho de longas barbas brancas
Que carregava um grande saco sobre as costas
Talvez cheio de bonitos presentes.
Então, perguntei a mim mesmo; será Papai Noel?
E gritei, ei Papai Noel, dê-me um presente!
E ele respondeu:
- Não!
- Crianças pobres não ganham presentes,
só se um dia, seu pai tornar-se rico e ‘decente’.
Mas acordei, foi apenas um sonho; voltei à realidade,
E tentei esquecer o velho Papai Fantasia.
Porque naquele instante, sentado ao meu lado, na cama,
Estava o meu jovem papai boia-fria.


*O poeta Paulo Alexandre da Silva nasceu em Alagoas e faleceu em 2009, no Cabo de Santo Agostinho (PE), publicou um único livro “Ainda batem nossos corações”. 




0 comentários:

Postar um comentário

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Natanael Lima Jr, Frederico Spencer e José Luiz Mélo