domingo, 12 de junho de 2016


CHEIRO DO SOL (CONTO DE DOUGLAS MENEZES)


Foto: reprodução



Katharina falou que seu edredom cheirava a sol. Surpreso, achei a frase carregada de poesia e significado. Realmente o sol cheira a vida. Não à toa, as esperanças brilham e se tornam realidade nos dias de sol, quando a luz, por ser intensa, traz a energia que produz mudanças que podem revolucionar a existência. Por isso, a intensa alegria de rever pessoas, de olhar crianças, de achar mais beleza na época de sol intenso. Corpos na areia se lambuzando, salgando o mar com seu suor sensual. Intensidade dos sons tão audível como sem compreensão, comunicação bastante para enaltecer uma época. E essa vontade de correr correndo sem rumo que a claridade produz. Algazarra é própria dos dias de sol, onde o riso fácil fica estampado nas faces antes preguiçosas. Vontade imensa de cheirar a vida, com seus frutos bons e ruins. Mas assim mesmo, vida, cheirando a sol, como o edredom de Katharina.
Quantas canções, poemas mil, imagens, a tecerem loas a esse brilho que se nega a ser morte, ressuscitando coragem e vontades de fazer coisas diferentes, ou de refazer o que se fez mal feito. Pois aqui, o sol carrega, todo dia, uma primavera de jardins floridos. Sim, compreendo agora que tudo cheira a sol, como o edredom de Katharina.



0 comentários:

Postar um comentário

  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima