domingo, 24 de abril de 2016


DCP CELEBRA 130 ANOS DE MANUEL BANDEIRA




Manuel Bandeira um dos ícones
do Modernismo.
Foto: reprodução/internet



Raros poetas se fizeram tão influentes à literatura brasileira quanto Manuel Bandeira. Um dos ícones do Modernismo, o pernambucano se consagrou com um estilo solto e despojado, tratando de assuntos do cotidiano. Libertinagem, de 1930, tornou-se o seu livro mais celebrado. E, dez anos depois, em 1940, recebeu o reconhecimento ao ser admitido na Academia Brasileira de Letras.



TRÊS POEMAS DE MANUEL BANDEIRA



Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
— Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


O Anel de Vidro

Aquele pequenino anel que tu me deste,
— Ai de mim — era vidro e logo se quebrou
Assim também o eterno amor que prometeste,
— Eterno! era bem pouco e cedo se acabou.

Frágil penhor que foi do amor que me tiveste,
Símbolo da afeição que o tempo aniquilou, —
Aquele pequenino anel que tu me deste,
— Ai de mim — era vidro e logo se quebrou

Não me turbou, porém, o despeito que investe
Gritando maldições contra aquilo que amou.
De ti conservo no peito a saudade celeste
Como também guardei o pó que me ficou
Daquele pequenino anel que tu me deste


O Último Poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.


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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima