domingo, 22 de novembro de 2015


UM “REI” SEM REGALIAS

por Ivan Marinho*



Ivan Marinho / Foto: reprodução



Até por seus milagres, Jesus Cristo despojou-se de poder, atribuindo aos que alcançavam as graças, o mérito da fé. Numa sociedade de castas extremamente segregacionistas, lavou os pés de homens simples que o seguiam e declarou abertamente que viera em função dos pecadores. Rejeitou fronteiras, abraçando filhos do império romano e rechaçou símbolos do poder, como as moedas de César. Mas ao negar a matéria manufaturada, fez questão de afirmar que tudo além das invenções do imperador era de todos, pois de Deus, Nosso Pai.

Jesus é o maior símbolo antipoder de toda humanidade. Profetizado e anunciado como filho de Deus e de um povo “escravizado”, depois de ser transportado no ventre da mãe, sobre o lombo de um jumento conduzido por um pai adotivo em fuga, nasceu numa estrebaria.

Cresceu no anonimato, como ajudante numa carpintaria e tornou-se público após trinta anos de idade, vivendo e falando com simplicidade suas boas-novas, que resumiam todas as leis absolutas a duas: Amar o Amor sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Sofreu todas as angústias dos mortais, foi traído, negado, humilhado, desprezado, abandonado... Assassinado nu, numa cruz, entre dois ladrões...
        
Mas, quando a cortina negra da noite se fechava sobre a humanidade, fez-se luz!




DA CRUZ

A carne provada na essência,
O cheiro, o sabor, o olhar,
As falas, como os sons e os toques,
Além de intenções e desejos.

O mundo tão fácil à frente,
Com seus frutos, o sol e o mar.
Castelos, tesouros e terras
E o cio a serviço do poder.

Profundo é o olhar no deserto,
Na luz que cega de cortante,
Sem poder voltar quando sabe
Do tanto que já caminhou.

E quando com as luzes se apaga

A fé que desfaz delirante
Na vida que foge com o ar,
Cai do ninho o amor desprezado
Mas na queda, aprende a voar.



*Ivan Marinho é economista da cultura, artista plástico, escritor, membro da Academia Cabense de Letras



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