domingo, 20 de setembro de 2015


CONTO DO DOMINGO



Homens... (conto) de Abigail Souza


Abigail é escritora e pertence
as academias do Cabo e
Jaboatão


Naquela segunda-feira de abril foi para o trabalho. Pegou um ônibus próximo ao Shopping, com destino ao Cabo de Santo Agostinho.

Durante a viagem ouviu dois amigos conversando. Falavam do final de semana, da derrota do Sport jogando contra o Bahia lá em Salvador e outras amenidades.

O assunto ficou interessante. Travou-se uma batalha. Contra quem? Quem mesmo? Sabe o que conversam dois, três, muitos homens juntos? Acertou quem pensou em mulher!

O diálogo esquentou... O homem do banco à direita lembrou-se de um amigo que havia trabalhado por seis anos seguidos numa empresa e fora demitido. Estando à frente deles pode ouvir tudo o que conversavam.

O da direita continuou a história...

- Então.  Esse meu amigo foi até a Caixa Econômica pra receber a indenização.

- E foi quanto que ele recebeu?

- Nove mil e uns quebrado!

- Ôxente! Eu tenho vinte e oito ano de cartera e só tenho direito a  vinte e três mil conto, como é que pode? Esses gunverno só quere robar o trabaiadô!

- Sim, deixe eu terminar...  Só sei que ele pediu o dinheiro, mas, a moça do caixa aconselhou o cara.

- Foi o quê que ela disse pra ele?

- Ah, ele me disse que ela falou bem assim: “Senhor, por que não abre uma conta poupança aqui na agência, afinal, o valor a receber é um volume muito grande. Em porta de banco sempre tem ladrão de olho e o senhor não vai querer se arriscar, vai”?

- Mai tá, que mané ladrão! falou o da esquerda.

- E então! Ele pediu a ela que dividisse em dois montes, botou nos bolsos e foi direto pra casa!

- E a nega veia em casa fêi o quê?

- Ah, ela tava lá do jeito que homem nenhum recusa... Vestida em roupão de cetim, calcinha vermelha fio dental transparente combinando, bem maquiada, cheirosa e cheia das ideias pra gastarem a bolada!

- E o trouxa caiu na cunversa dela?

- Depois da farra que varou a madrugada, ela convenceu o tabacudo a pintar a casa todinha de rosa, além de trocar móveis e geladeira. Coisas sem necessidade.  Desmanchou-se em requebros e biquinhos falando ao ouvido do bestão.

-Ma, mai, mai! Tem homi que pede pra ser corno, né não?!

- Então! Comida e roupa lavada a tempo e hora. Foi, três meses de love. O dinheiro foi acabando né!

- E depoi?

- Depois eu soube que ela - antes disso - já andava falando pros vizinhos que nunca tinha ido à praia com o marido...

- O praí! Essas mulé sei não viu! Conta o resto!

- Um dia desses fui a casa dele com minha família. Não é que ela tava só de calcinha desfilando pelo quarto com a janela aberta pra quem quisesse ver?!

- Na frente do marido?

- Não! Ele até sabia que a gente ia, mas, teve que sair pra resolver umas coisas e já ia chegar. E olhe que na época ela ainda era evangélica, pense!

- Essas santinha é das pió!

- Só sei que ela botou um par de biliro de boi nele e se danou com o amante pelo mundo!





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