domingo, 21 de junho de 2015


POETA DO DOMINGO

A POESIA VIVA DE CELINA DE HOLANDA
(1915 – 2015)



19 de junho de 2015:
Centenário de nascimento de Celina de Holanda
Foto: Reprodução





O DCP celebra nesta edição os 100 anos da poeta Celina de Holanda, considerada uma das principais autoras pernambucanas. Celina fez parte da Edições Pirata e integrou a Geração 65.


Celina de Holanda Cavalcanti de Albuquerque (Cecé) nasceu no município do Cabo de Santo Agostinho em 19 de junho de 1915. Viveu, desde a infância, nos engenhos Ypiranga e Pantôrra. Residindo em Recife, tornou-se jornalista e passou a colaborar em diversos jornais da capital, onde publicou seus primeiros poemas. Só editou o primeiro livro, O espelho e a rosa (1970), quando já tinha 55 anos. Vieram outros seis títulos: A mão extrema (1976), Sobre esta cidade de rios (1979), Roda d'água (1981), As viagens (1984); Pantorra, o engenho (1990) e Viagens gerais (1995), a última obra antes do seu falecimento em 1999. 



Três poemas de Celina de Holanda




AS VIAGENS*

Viajo nos livros que faço,
mas sempre torno,
para escrevê-los
onde a vida
é uma menina pobre chorando
entre as moitas.
Trago-a de volta
ao seu colo, sua casa,
até que venha e me leve
o meu amado.


*Viagens gerais. Recife: Fundarpe/Cepe, 1995.



O LIMITE

Vi os que lutam
contra a opressão
sendo opressores (não há
claros limites entre uns
e outros) e disse:
ai de nós
os que comemos juntos, se
não partilhamos (só alguns
têm certeza da comida
sinal forte de felicidade
para os que têm fome).
Ai de nós
por essa consciência de puros
sem nada para ser perdoado
como o Publicano e o Bom Ladrão. 



O CICLO

Na sala o espelho,
a rua na sala, a moça
o relógio ao contrário.

A moça decide o cabelo
à altura do amado,
que decide o seu sol
à altura da vida, de muros
tão altos.



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