CONTO DO DOMINGO
Bom mesmo é no inferno? (conto) Paulo Caldas
Paulo
Caldas/Foto: Reprodução
Quanto mais corria,
menor a coragem de olhar para trás. O suor nascia no pescoço, escapava pelas
costas, suor frio, suor de temor, grito preso na goela, grito de pavor
reprimido.
O barulho da respiração, princÃpio mal percebido, crescia, crescia, mais audÃvel a cada passada, a cada passada mais próximo, bem junto, juntinho.
O chão das calçadas umedecido pelo sereno, aqui e ali refletia a luz opaca de uma lua preguiçosa, luz aqui e ali atrapalhada pelas sombras das árvores tocadas pela brisa e pelo desarrumar das nuvens.
Cornélio pare, pare, estou cansado, espere, espere um pouco, vai se lembrar de mim.
- Não quero, nem vejo seu rosto, só essa voz escura, rouca. Não me lembro de você.
- Schuller, Carlos Schuller, mas na escola você me chamava de gordo. Pois bem, preste a atenção: cresci, fiquei magro, famoso ator de televisão e tive um caso com sua mulher.
Preste mais atenção agora. Tô aperreado, pois morri faz dois
meses e o satanás disse que só me libera da castração se eu viesse aqui pedir
desculpa a você. Vai, me desculpa, vai, por favor, lá tem cada rapariga
arretada e ele não me deixar nem me aproximar delas, vai cara, desculpa ai, por
favor, vai.
CONTO DO DOMINGO
Reviewed by Natanael Lima Jr
on
08:30
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Que final inesperado! Parabéns!
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