domingo, 31 de maio de 2015


POETA DO DOMINGO

A poesia de Ivan Marinho*


Foto: Divulgação




A BARCA DA JUVENTUDE

Num barco, sem direção,
Navegando a juventude,
Tendo a terra na sua mão,
Com toda razão se ilude.

Resiste à correnteza,
Iça as velas contra o mar,
Pra cada dia uma certeza,
Mas nenhuma onde ancorar.

O mar impõe a presença,
O norte é para onde olhar,
Não existe o que é ausência
E o futuro é só mais mar.

Por ser a tripulação,

São todos, não é nenhum,
O porto é seu coração
Por isso que é tão comum
Não querer pisar no chão.



SERENA IDADE

Costurar longos caminhos
Com linhas da paciência,
Desvendar nos pergaminhos
Segredos da inconsciência.

Navegar pelas estrelas
Mares antes nunca vistos
E no mapa do céu lê-las,
Revelando seus escritos.

Aportar nas cachoeiras
Do fim do mundo e seguir,
Sem enxergar nos abismos
O início de qualquer fim.

Se há menos força, mais forte,

Os vinhos têm mais sabor,
A dor cicatriza o corte
E reencontra o calor,
Tal quem regressa da morte.



BARROQUILHAS

Nas madrugadas insones
Sinto o tropel de chegada,
Sem ordem, desarrumadas,
De palavras, letras, nomes.

Balançam, saltam, deslocam
Sem ritmo ou direção
E de tanta inquietação
Algo parece que evocam.

Todas de tanto maduras
Encontram-se a se encaixar,
Assim como a despertar
Do sonho que se inaugura.

Conjuminado-se o ensejo
Com nosso anseio ancestral,
Nivelando ao animal
Nosso instintivo desejo.

E preterindo o futuro,
Faz da noite a luz do dia

Gira a esfera, por magia,
E amolece o papel duro.
Pois o papel do poeta
É deixar claro o escuro.




Ivan Marinho de Barros Filho nasceu em Maceió, Alagoas, e teve sua formação na Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como educador e economista respectivamente. Ainda adolescente, subiu em palanques, com recitais de poesia, na luta por eleições diretas e pela anistia política nos tempos da ditadura militar, militância cultural que lhe custou uma suspensão na UFPE. Quando diretor do departamento de cultura da cidade do Cabo de Stº Agostinho, em meados da década de 1990, criou os Encontro Celina de Holanda de Poetas Recitadores e o Encontro Pernambucano de Coco de Roda. Norteado pelo desejo de participação ativa da sociedade sobre seus destinos políticos, criou o primeiro Conselho de Cultura do interior do estado de Pernambuco. Elaborou e coordenou, com a poeta Cida Pedrosa, o RECITATA (Concurso de Poesia Oral do Recife) e foi selecionado para várias coletâneas promovidas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco – SINTEPE -, pela Editora Scortecci.  Foi um dos vencedores do Prêmio Bandepe: Valor Pernambucano, venceu o Festival Jaci Bezerra de Poesia, do Centro de Estudos Superiores de Maceió e o Prêmio Patativa do Assaré do Ministério da Cultura. Sua pintura percorreu escolas públicas, igrejas, restaurantes, feiras, Assembléia Legislativa, Câmaras municipais, CEASA... e até praças públicas, como a promovida Prefeitura do Cabo na Praça Marcos Freire e pela Prefeitura do Recife, no Largo do Livramento, com participação de ícones da música pernambucana, como Maciel Melo, Mestre Salustiano, Fernando Filizola, Alan Sales e Ronaldo Aboiador. Em 2009 recebeu o título de cidadão cabense e em 2010 se tornou o primeiro presidente da Federação dos Bacamarteiros de Pernambuco - FEBAPE. Publicou, no ano 2000, o livro Anti-horário e participou como convidado das antologias Poesias e Crônicas de uma Terra de 500 anos, da Prefeitura do Cabo, da coleção Marginal Recife, da Prefeitura do Recife e da Pernambuco: Terra da Poesia, da Editora Carpe Diem. É membro da Galeria dos Mortais e da Academia Cabense de Letras.



2 comentários:

  1. Sublimes poesias em rimas e versos de um grande porta. Parabéns! Justa homenagem do DCP.

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  2. Sublimes poesias em rimas e versos de um grande porta. Parabéns! Justa homenagem do DCP.

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima