domingo, 16 de novembro de 2014


O CONTO DA SEMANA

Fogo (conto) de Cícero Belmar

Img: Reprodução


A filha de Teté morreu em chamas. Tomou um banho com um litro de Querosene Jacaré e riscou um fósforo nas vestes. Era a moça mais bonita de toda Bodocó, no sertão de Pernambuco.

Em meados da década de 1950, a moça deu um passo errado. E aquela cidade era uma corda bamba para quem se atrevesse a satisfazer os desejos. Qualquer pisada em falso era fatal. A moça apaixonou-se por um caminhoneiro, engravidou, teve o filho e foi condenada à solidão dos ousados.

Velha e triste, Teté agora relatava, com a voz entrecortada pela emoção e pela falta de ar crônica que contraiu com a dor. O caminhoneiro cumpriu o destino de viajar. Os amigos, do abandono. A vida, da aridez. A filha, o de consumir-se em fogo.


*Transcrito do livro Mosaico. Recife, 2013. Edições Interpoética.



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