domingo, 18 de maio de 2014


Poemas da Semana

Poemas de Cyl Gallindo, Paulo Cultura, Ducabellaflor, Jade Dantas e Valque Santos


Cinco chagas
Cyl Gallindo

   Cyl Gallindo/Foto: Reprodução
   (28/05/1935 – 04/02/2013)

Cinco chagas prostram-te no chão
e teu espírito leve evaporou
porque da Paz o homem duvidou.

Que estrutura arcaica te gerou
que permitiu assim teu passado
nessa Jerusalém feita de cimento?

É que rasgou, a voz da tua guitarra,
a farsa do poder que faz a guerra
sem plantar um só corpo sob a terra.
Calaram-te John (Emanuel) Lennon
mas teu silêncio, neste momento,
faz o mundo repleto de argumento.



O místico*
Paulo Cultura

   Paulo Cultura/Foto: Arquivo DCP
   (16/05/1953 – 21/07/2009)

O místico
Entre Deus e o diabo
Causador do teu amor e felicidade
Causador do teu ódio e infelicidade
Ele é como a brisa
Ele é como o furacão
O maior entre os maiores
O menor entre os menores
O Causador do teu sonho
O provocador da tua realidade
O que tu pensaste agora
Ele já pensou antes, muito antes...
A pureza dos seus atos
A exatidão das suas palavras
Leva-te a pensar que ele é louco
Mas, lá no fundo, no fundo...
Da profundidade d’alma
Ele é o teu protetor
Ele é o teu cobertor
Ele é o equilíbrio
Entre o ser e o não ser
Entre o bem e o mal
Entre a tua tristeza e a tua alegria



Intento
Ducabellaflor

   Img: Reprodução

Aragem vadia
Sangrenta e fria
Exegese paria
As tiranias
Crepitadas e orgânicas
Das romarias
Profana dos tempos
-oligarquia-
Luas sangrentas
Boca vazia
Alienação contempla
A carne ainda fria
Idiossincrasia
Da poesia
Vultosas assentam
Paralisias



Contida
Jade Dantas

   Img: Reprodução

uma saudade repousa solitária
na minha cama, e nos seus olhos
dança um poema sem razão

um poema indeciso
e sem presente enquanto ela
a saudade, em miradas secretas

adormece asceta e muda
presa da sua solidão. me afasto
ela não foi convidada e não me agrada

dormir acompanhada da saudade
que guarda atrás do sono
a inquietação e suas tantas rimas

rimas enlouquecidas, escondidas
no cinza das paixões. rimas fingidas
rimas feitas de ilusão



Execução*
Valque Santos

   Img: Reprodução

Rasga o verbo
Rasga a página
Rasga o verbo
E deixa a poesia fluir
Num canto
Na mesa d’um bar
De um lugar qualquer.

Rasga você
Os olhos que ardem
O coração que bate.

Jorra o sangue
Pinta o papel
Com os verbos e versos
Nas páginas do livro
A tua poesia.

*Transcrito do livro Além da Solidão





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