domingo, 20 de abril de 2014


Poemas da Semana

Poemas de Frederico Spencer, Flávia Suassuna, Carlos Maia, Alberto Lins Caldas e Teresinka Pereira


Poemeto desses dias*
Frederico Spencer

    Img: Reprodução

Fecho o dia
na sombra me despindo
estrutura de pele e sol
de cada dia
encho o bucho
de nós e girassóis
zumbindo nos ouvidos
a tessitura rígida dos músculos
e os nervos
impedindo o amanhecer
remontando o jogo:
gatos e ratos
pululam nos porões.

*Do inédito “Código de Barras”




A irmã
Flávia Suassuna

    A Debe, minha irmã, e as conseguintes
           metonímias. E a Jéssica e Isabelle.

    Img: Reprodução

Eu a tive
antes de a ver
e a terei
depois de morrer.

Vivemos nos mesmos lares –
primeiro, naquele inaugural,
sem paredes,
uma de cada vez;
depois noutro
com paredes, juntas.

Devagar, saímos,
como galhos
em direções exclusivas
que partilham,
entretanto,
a mesma raiz e sua seiva.
Não é só sangue:
há esforço entre nós,
cimento de lágrimas
e perdões.

Esse percurso visceral
criou o último lar:
um pacto incancelável
que subjuga a morte.



Uni-verso
Carlos Maia

    Img: Reprodução

E o verso
Se fez vida
E habitou entre nós,
Cheio de rimas ricas
e rimas pobres
Metonímias cansadas
Metáforas preocupantes...
Não usurpou ser igual ao poema
E esvaziou-se da crase
e do trema.
Interpretando-se a si mesmo
Cheio de graça e verdade,
Sabendo apenas uma coisa:
Somos todos um!



Alberto Lins Caldas

    Img: Reprodução

● não se sabe sancho como eram os olhos ●
● nem a boca nem as orelhas ou o nariz ●
● porq a cabeça desapareceu no tempo ●

● não se sabe se havia cabeça ou o vazio ●
● dessa cabeça foi o q incendiou o criador ●
● assim se envolvendo o ao redor como face ●

● não se sabe sancho como eram os dedos ●
● nem as unhas nem as mãos nem os braços ●
● porq os braços desapareceram no tempo ●

● assim o gesto a força das mãos o toque ●
● nada disso ficou pra se saber o arranjo ●
● apenas arredores agora tentam agarrar ●

● não se sabe sancho como eram os pes ●
● nem as unhas dos pes ou as veias dos pes ●
● porq as pernas desapareceram no tempo ●

● não se sabe se corriam se tavam imoveis ●
● se ralavam ou se se ofereciam a liberdade ●
● se eram pernas nobres ou pernas de pobres ●

● não se sabe sancho se era macho ou mulher ●
● se tava nu se havia mama ou so macheza ●
● porq não restou muito quase nada do torço ●

● se era mulher acostumada ao acre lar ●
● ou mulher acostumada a lida ou homem ●
● guerreiro idiota liberto ou bom senhor ●

● não se sabe sancho como era a estatua ●
● nem as linhas do marmore ou do bronze ●
● restou tão pouco q não se sabe a materia ●

● como não se sabe nem se pode saber ●
● de quem era ou se era viva bela libertina ●
● ou ligeira porq so ficou assim esse vago ●

● não se sabe sancho o q deveria dizer ●
● porq não restou nada dessa grande obra ●
● nem mesmo o silencio nem a boa hora ●

● não saberemos jamais se havia um pouco ●
● ou se foi exatamente isso o q nos fizeram ●
● e seguimos rindo e dançando como servos ●
*



A morte
Teresinka Pereira

    Img: Reprodução

Não falta nunca
a morte!

Desnuda os reis
e põe manto de estrelas
nos pobres.

Mas aos gênios
que criaram
mundos em nossa
imaginação literária

os faz renascer
em melhor dimensão
de eternidade.

Vamos enxugar as lágrimas
Gabriel García Márquez
acaba de renascer!

17-04-2014





4 comentários:

  1. Obrigado Natanael, pela divulgação do meu poema! E parabéns pela classificação no Top blog!!!!!

    Feliz Páscoa!!!

    Grande Abraço!!!

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  2. Belos poemas. Ontém éramos segundo, hoje estamos entre os terceiros, amanhã seremos os primeiros. Parabéns DCP.

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    Respostas
    1. Grande abç meu cumpadre Negreiros Neto, como vai? Tudo isso é fruto de um trabalho plural que adotamos no DCP. Seja sempre bem-vindo.

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  • a literatura em sua rede

    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima