domingo, 16 de março de 2014


Poemas da Semana

Poemas de Natanael Lima Jr, Cícero Melo, Marcelino Freire, Almésio Nascimento e Negreiros Neto


Conspiração do poema
Natanael Lima Jr

    Img: Reprodução

Nada em mim é ternura,
paixão desmedida pelas palavras.
Tudo em mim é loucura, razão, transpiração.
Não há um nome para tua presença. Há um vazio
que os meus olhos conspiram.
Um estranho vômito que a minha boca degusta.
É noite.
Pouco a pouco as palavras despem-se.

fevereiro, 19/2014



Aos encantos de Circe
Cícero Melo

    Circe Oferecendo a Xícara a 
    Odisseu, de Waterhouse

Um sonho de salsugem e saudade
Me reconduz ao cais dos meus perigos.
Meus marujos e naves são antigos.
Uns estão mortos, outros sem idade.
Mortos, também, estão meus inimigos:
Morreram de tanta crueldade.
Seus nomes, depostos da cidade,
Sem coração, sem armas, sem abrigos.
Mesmo assim os juntos, mar afora,
Busco o encanto, já perdido,
Mas pelo qual meu coração implora.
Feiticeira, retorno, aqui rendido,
A teus segredos e sedutora flora,
Nas varizes do tempo envelhecido.



Poeminha para quando o amor acaba
Marcelino Freire

    Img: Reprodução

tire o meu retrato da parede
a parede da sala
a sala da casa
fique a casa nua e crua

jogue fora a nossa rua
a lua lá em cima caia
venha abaixo
sobre nossas cabeças

nosso bairro fora do mapa
a cidade tomada pelas águas
suma na enxurrada
desapareça

nosso estado de espírito
nosso país de porco
tudo morto ao redor

explosão de fim de mundo
a vida só um pó de estrelas

vamos viver juntos
quem sabe meu amor
longe daqui

no começo de
um outro planeta



Manual de instrução*
Almésio Nascimento

    Img: Reprodução

A vida não é um manual de instrução.
Erramos. Tentamos.
Erramos.
Tentamos de novo.
Erramos.
Erramos. Tentamos.
Acertamos.
Voltamos a errar quando acertamos.
Estamos a caminho.
“No meio do caminho, tinha uma pedra”
Sempre haverá.

*Fragmento de texto da obra "EU ME QUERO DE VOLTA"



Adeus amigo*
Negreiros Neto

    Img: Reprodução

Chame-me meu amigo
Quero ter uma prosa com ele
Amigo véi,
Tá chegando minha hora
Findou meu caminhar
Gostei da jornada, não tenho nada pra reclamar.
Fiz quase tudo que estava previsto
Fiz também alguns imprevistos
Mas nada que possa me envergonhar
Li o livro todinho, não deixei nenhuma página passar.
Umas eu conto, outras é melhor não contar.
Amigo véi,
Cabra valente, nunca me faltou com a palavra dada.
Ferro na casa de ferreiro, amigo de dores e festejos.
Comemore a minha ida com alegria e fale pra todos do amigo que tinha
Amigo véi,
As dores tão querendo atrapalhar
Os olhos teimando em fechar
Mas já tô no dia e no lugar.
Ora, o momento pode esperar.
Amigo véi,
Quero me desculpar
Porque minha amizade nunca conseguiu, com a sua empatar.
Mas, fico feliz sabendo que a sua tá em primeiro lugar
Amigo véi,
A hora acabou de chegar
A ordem vêi lá de cima e eu não posso questionar
Faça-me o último favor
Chame todos pra cá
Mulher e filhos fiquem com Deus
Adeus amigo
Amigo adeus

Itaquitinga/PE, 2008







Um comentário:

  1. Parabéns pela seleção de poemas e viva a poesia, viva a Castro Alves e a todos os poetas.

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    ano IV


Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima