domingo, 16 de março de 2014


Dia da Poesia

O Dia Nacional da Poesia foi criado para divulgar e homenagear a poesia e os poetas brasileiros.


 

A data foi criada para difundir a poesia e a linguagem literária, e escolhida por ocasião do nascimento do poeta Antônio Frederico de Castro Alves, nascido em 14 de março de 1847. Castro Alves foi considerado um dos mais brilhantes poetas românticos, responsável por uma nova concepção de amor na literatura, além de um aguçado olhar pelas causas sociais.

Enquanto poeta social, extremamente sensível às inspirações revolucionárias e liberais do século XIX, Castro Alves viveu com intensidade os grandes episódios históricos do seu tempo e foi, no Brasil, o anunciador da Abolição e da República, devotando-se apaixonadamente à causa abolicionista, o que valeu a antonomásia de “Poeta dos Escravos”.

Este notável poeta morreu ainda jovem, antes mesmo de terminar o curso de Direito que iniciara, pois, vinha sofrendo de tuberculose desde os seus 16 anos (faleceu em 06 de julho de 1871, aos 24 anos, em Salvador).

Apesar de ter vivido tão pouco deixou livros e poemas significativos:
Espumas flutuantes (1870); Gonzaga ou a Revolução de Minas (1876); A cachoeira de Paulo Afonso (1876); Os escravos (1883); Navio Negreiro (1869).

Os editores



Castro Alves/Foto:Arquivo DCP

Antítese
Castro Alves

O seu prêmio? — O desprezo e
uma carta de alforria quando tens
gastas as forças e não pode mais
ganhar a subsistência.
Maciel Pinheiro

Cintila a festa nas salas!
Das serpentinas de prata
Jorram luzes em cascata
Sobre sedas e rubins.
Soa a orquestra... Como silfos
Na valsa os pares perpassam,
Sobre as flores, que se enlaçam
Dos tapetes nos coxins.

Entanto a névoa da noite
No átrio, na vasta rua,
Como um sudário flutua
Nos ombros da solidão.
E as ventanias errantes,
Pelos ermos perpassando,
Vão se ocultar soluçando
Nos antros da escuridão.

Tudo é deserto. . . somente
À praça em meio se agita
Dúbia forma que palpita,
Se estorce em rouco estertor.

— Espécie de cão sem dono
Desprezado na agonia,
Larva da noite sombria,
Mescla de trevas e horror.

É ele o escravo maldito,
O velho desamparado,
Bem como o cedro lascado,
Bem como o cedro no chão.
Tem por leito de agonias
As lájeas do pavimento,
E como único lamento
Passa rugindo o tufão.

Chorai, orvalhos da noite,
Soluçai, ventos errantes.
Astros da noite brilhantes
Sede os círios do infeliz!
Que o cadáver insepulto,
Nas praças abandonado,
É um verbo de luz, um brado

Que a liberdade prediz.



2 comentários:

  1. Tão curta passagem e tão grande legado. Viva a Castro Alves o Poeta dos Escravos.

    Alves! Belo é teu poema
    Mostrasse de forma plena
    Os horrores e as tormentas
    Vividas naquele lugar
    As noites sangrentas
    Os dias de terrores
    Que tardavam a passar

    Mas, a de haver controversas.
    Nave que liberta?
    Ou Navio pra escravizar?
    Negreiros Neto/Itaquitinga-PE

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  2. Bem legal o texto parabéns!
    Quando puder passe nos meus blogs!

    Amissus Poems
    Projeto Edgar Allan Poe

    Grande Abraço!

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Editores: Frederico Spencer, Natanael Lima Jr e Thiago Lima